domingo, 22 de novembro de 2009

As más línguas nunca metem!...

Alta temporada começou em Salvador!!! Gente bonita pra todo canto, ruas cheias, show de graça e de todo preço pra tudo quanto é canto e para todos os gostos, ensaios dos blocos bombando, Pelourinho voltando com todo gás, praias fervendo, até nos dias de semana tem festa, pra quem pode, para quem tem carro, para quem agüenta voltar do trabalho cansado e pegar uma festa que só termina duas, três da manhã e no outro dia trampar como se nada tivesse acontecido... Em breve chega janeiro, lavagens, ensaios e ai só esperar um tempinho carnaval...


É nessa época que a população branca de Salvador cresce de uma forma impressionante. Vem de todos os cantos do mundo, cumprir aqui uma infinidade de objetivos ou fantasias... Atrás de cultura, aliada com muita diversão e por que não sexo! Vem ver o que o baiano(a) tem, do que são capazes, se tudo que ouvem lá fora é a mais pura verdade, ou pura balela!

E os turistas, principalmente os gringos, vão em tudo quanto é canto para descobrir este segredo e experimentar dos sabores que seu imaginário tece frente a terra onde está. Ele não quer só desvendar a cultura e os costumes de Salvador que aparecem em postais, campanhas de agencias de turismo etc, ele quer ir além, que fotografar os becos da Liberdade, vem parar em bairros periféricos, a praia de Paripe e outros tantos locais que não aparecem na Salvador destacada pela Bahiatursa. Afinal de contas, para que pagar a prostituta/gp da Manoel Dias se você pode ter a garotinha(o) da periferia, preto(a) e pobre que se encanta com qualquer príncipe do cavalo branco que apareça por ali, de graça?... Por que nos bairros periféricos os estrangeiros (sejam eles de que qualidade for) são vistos com olhos que recebem com encanto e também certa surpresa... “Nossa, mas ele está aqui!” dizem os mais assustados... E o turista percebe com certa graça o encanto que provoca e se aproveita disso. É o cara/mulher que “vem de fora”, “o gringo”, que provavelmente “tem dinheiro”, “banca”, os olhos brilham e todos cobiçam...

Existe um outro tipo de movimento. Um movimento que vai de encontro com os estereótipos do turista mais interessado no sexo que em qualquer outra coisa por aqui e também do negro (a) que se oferece ao tipo de papel sexual a lá clássico entoado por Carmem Miranda... São os engajados. Existem dois tipos deles: o primeiro é o carinha que não se entrega, ele é do gueto, de raiz, só ouve coisa fabricada pela mídia alternativa, deixa os cabelos trançados, black, sempre. Ele tem orgulho da identidade que prega e também prega este orgulho para os demais a sua volta. Ele também não pode namorar, flertar, ficar, com o outro da uma raça diferente da sua, por que se não esta traindo a “irmandade”, os princípios da mesma, da comunidade, esta se afastando de seus irmãos... Ele só ouve certos tipos de musica, vai a certos tipos de lugares, veste certos tipos de roupa e adora deuses demarcados... Não se dá conta que faz dois tipos de movimento, o de desconstrução daquilo que o subalterniza, mas constrói um outro estereotipo, de um outro modelo que não pode ser nunca quebrado para o bem de toda a comunidade.

Ergue-se também um outro tipo. Que faz o mesmo movimento, só que com uma cor diferente... ele também não pode negar suas raízes, se misturar, freqüentar certos tipos de lugares, pois sua vida é regida por códigos de conduta que não podem ser quebrados. Nada de se envolver com gente que tenha a mesma feição da suas empregadas domesticas, nem de ir a lugares perigosos, onde existe muita gente feia cometendo muita bizarrice de uma só vez...

Com toda a mensagem da “mistura ae” que a mídia baiana passa e tenta colocar de forma muitas vezes obrigatória em nossa cabeça é preciso estar atento para a forma como nos misturamos e nos separamos... Nos modelos que construímos e em tudo mais o que dizem.

A cidade está cheia. e a alegria esta na moda. Baiano é tido como alegre, festeiro, amoroso, carinhoso, quente, safado, também como preguiçoso. E aparentemente os de fora e os de dentro se juntam, mas é preciso estar atento e ver que a felicidade, a alegria, a amizade não é tão colorida quanto parece!...

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