quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entre Helenas, Camas de Gato e apresentadores de jornal...

Responda rápido. Qual a emissora de TV no Brasil nos últimos anos mais é bombardeada quando o assunto é maus tratos a comunidade negra do país? Ganha um doce quem responder certo... Sim é a TV Globo. Isso não é novidade para ninguém. Quando o assunto é telenovelas a Globo é campeã de catástrofes em relação a comunidade negra. Inúmeros trabalhos por todo o Brasil evidenciam isso. Até filme já fizeram colocando a Globo em xeque com os padrões de beleza e talento que ela vem divulgando ano após ano.
Mudando um pouco de assunto, trazendo mais para a área do jornalismo, a Globo ganha também. O chefão do departamento de jornalismo da emissora Ali Kamel é abertamente (o livro NÃO SOMOS RACISTAS prova bem isso) contra as cotas, dando espaço as pérolas ditas por Ivone Maggie e um certo Movimento Negro Socialista. Quando a população negra aparece nos jornais da emissora são em índices do IBGE que evidenciam a total discrepância entre a população branca e a negra no Brasil ou para falar que o preconceito (por que racismo é uma palavra muito pesada para se dizer com a presença de toda família brasileira assistindo o jornal!!!) no país existe e ponto final.
Além disso, outros programas da Globo também são acusados de evidenciar mais a porção branca da população brasileira que as outras que compõem nosso país. Propagandas, seriados, filmes, programas de auditório, educativos, tudo na Globo já foi alvo de criticas e a emissora já virou símbolo de racismo a brasileira no quarto poder. Também, é a emissora mais vista (até hoje!) no país, tem que arcar com as mancadas que comete cada vez que coloca um programa no ar.
Mas ninguém pode dizer que a Globo não está mudando, coitadinha!... Até protagonista da novela das oito negra ela tem... Numa jogada de marketing bruta a emissora resolveu também jogar uma protagonista negra na novela das seis... Além de Heraldo Pereira primeiro comentarista negro da Globo, Zileide Silva apresentadora do jornal Hoje nos dias de Sábado e todos os dias no Bom Dia Brasil, o programa Sagrado, curto, vinculado de manhã cedo, mas está lá mostrando as visões de várias religiões (entre elas as afro brasileiras), com a presença até de Makota Valdina, sobre temas variados da atualidade।
Até apresentador negro em programa infantil agora já tem.Sei que nem todo mundo assiste TV Globinho, mas eles estão lá, tem negro, japonês,
tem pra todo mundo e pra todas as raças... Também marcando presença no politicamente correto, existe protagonista negro no seriado Malhação. Além dos seriados como Ó Pai Ó, Antonia e Cidade dos Homens. Só faltam agora despedirem Xuxa e colocarem no lugar uma menina negra com a pele bem escura, de tranças nagô ainda por cima. Aí eu desmaio de vez...
É... a Globo vem mudando... Aos trancos e barrancos. Da maneira dela, uma forma peculiar que só a globeiros de plantão entendem, mas a comunidade negra que antes era renegada a figuração de favelas e papéis domésticos ou marginais hoje tem o seu lugar na emissora...
Ok, a Globo vem mudando... Mas e as outras emissoras?... Pense em cinco apresentadores, atores, contra regras famosos, na grade de programação da BAND... Não conseguiu? Então vamos ao SBT! Eu a Patroa e as Crianças não vale... Na Record tem um “bom” número de atores negros... E na TV Cultura, conhecida como TV do governo, de onde surgiu a personagem Biba do Castelo Ra Tim Bum, que virou a primeira boneca negra inspirada em uma personagem de um programa de TV no Brasil. Ficou difícil? Pois é, um novo fenômeno precisa ser evidenciado, a Globo mudou por livre e espontânea pressão... E o resto?...
Como a maioria das emissoras de canais abertos de televisão vivem de imitar a Globo não é de se espantar que os padrões de beleza da mesma sejam imitados a exaustão. Além disso, todo mundo sabe que todo mundo sabe quem realmente tem poder nessas emissoras e o que deseja vincular como modelo de belo e inteligência. Mesmo em tempos de crise Global, com a emissora perdendo campo para mutantes evangélicos, programas humorísticos em outros canais e babás eletrônicas com seu cantinho da disciplina, ela ainda é o canal que é referencia de qualidade. Seu passado é motivo de orgulho por parte da população brasileira que deixava de fazer muita coisa para assistir sua programação. Por que não imita-la?...
A Globo não é santa e nunca foi. Mudou de cara para tentar calar a boca das várias entidades do Movimento Negro Brasileiro e também por conta da crise efetivada pelo crescimento da Record e suas novelas, a BAND e seu lado esportivo... Ela não é mais a única em entreter com “qualidade” agora. É mais uma no mercado. Está desesperada e mostra agora um lado mais tolerante com a diversidade. A primeira protagonista negra do horário nobre está lá, no terreno global... Precisamos agora assistir tudo isso entendendo o porque que da mudança acontecer e o que está acontecendo em outras emissoras. Continuamos invisíveis ou tudo mudou realmente?...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A ONDA.

A Alemanha está em moda em Salvador. Dois filmes estrearam quase que simultaneamente aqui na capital baiana: O GRUPO BAADER MEINHOF e A ONDA. Os dois polêmicos, os dois regados de prêmios por muitos festivais e também filmes de grande sucesso. Os filmes alemãs sempre foram uma pedida de grande divertimento, mas também de surtos de genialidade. E quando se trata de mexer nas feridas do passado, recém cicatrizadas, a Alemanha é ótima neste tipo abordagem através do cinema. Acho que só perde um pouco para os EUA, que ao mesmo tempo que existe um movimento de glorificação do sonho americano, há também um outro para mostrar que o sonho não é tão tranqüilo assim, se é que ele existe na verdade... Com os alemãs dar-se o mesmo fenômeno, cinema revisitando valores, feito para dizer o que ainda está errado, vomitar o pensamento da população, trazer aquilo que parecia morto e enterrado, construindo outros valores.

Com A ONDA, filme esplendido e que você não deve perder de jeito nenhum, o cinema alemão faz o que sabe fazer de melhor. Tocar nas feridas do seu passado e colocar em cheque identidades presentes aparentemente bem construídas. Não é novidade para ninguém que o país se esforça para passar uma imagem de novo, de recuperado quando o assunto é seu passado nazista que abalou o mundo e matou milhares de pessoas. Os esforços por lá chegaram ao ápice na Copa do Mundo, que serviu para que o país mostrasse um lado alegre, amistoso e sem preconceitos de uma nova geração resolvida e sem resquícios das agruras sofridas por gerações mais antigas. Mas com A Onda a Alemanha é revisitada e mostra que sua nova geração é vazia como em qualquer outro país...

O filme conta a história do professor Ross que é designado a ensinar a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista para uma turma de adolescentes. No inicio meio reticente, já que não era bem isto que queria ensinar, Ross vai gostando do assunto e ensinando história com técnicas de aprendizado que muito se parecem – propositalmente – com os arquétipos vistos no país no período em que aconteceu a Segunda Guerra. Disso, o professor desenvolve uma experiência pedagógica perigosa reproduzindo slogans do nazismo como o famoso “Poder, Disciplina e Superioridade” dentro da sala. A partir deste ponto, a sala é tomada por um fanatismo que só vai crescendo e tomando proporções arrasadoras. Os estudantes vão se identificando com a doutrina aplicada em sala de aula pelo professor e o que seria apenas uma técnica pedagógica que serviria para ilustrar a inserção da ideologia do nazismo nas pessoas, vira uma bola de neve gigante que desestrutura a vida dos habitantes da cidade onde o professor vive. O filme foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola norte americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Foi romanceado também e virou filme nos EUA. Mas ambientado na Alemanha ganha outras proporções...

Não vou contar muito sobre o filme por aqui. Posso dizer que como historiador fiquei impressionado com a forma que em que o filme fala sobre ideologia, fanatismo, irmandade, frustração, papeis femininos e masculinos em governos ditatoriais, preconceitos, conceitos muito bem formulados e mais uma infinidade de assuntos. E também como um líder carismático pode influenciar da forma que quiser na população que anda carente de heróis responsáveis e que tenham um ideal para mostrar. A ONDA me lembrou também um outro filme, o documentário OLHOS AZUIS, também já comentado aqui a certo tempo, por desmascarar ideologias que colocam em xeque várias identidades em favor de uma identidade universal.

Como se trata de um filme “estrangeiro” – digo estrangeiro fora do circuito estadunidense, pois brasileiro vê tanto filme norte americano que já acha gente como Will Smith, Richard Gere, Julia Roberts brasileiros com um sotaque diferente – A ONDA está passado pelas salas de arte da cidade... Vi no CINE VIVO no shopping Passeo no Itaigara, espaço pequeno, mas bastante confortável. Assista A ONDA e viaje no infinito que o cinema alemão tem a oferecer.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Cinema e as Cidades...

Salvador é uma cidade perfeita para uma pessoa racista viver feliz! Acha que não? Imagine uma cidade em que a maioria, esmagadora, da população é negra, vive no subúrbio, achatada em lugares horríveis, perigosos e muito distantes da parte “elitizada” ou “branca” da cidade, você lê com o nome que achar melhor. Ainda, em Salvador existe uma cultura negra vendida como principal produto da cidade para os turistas, junto com esta tradição tipo exportação agrega-se estereótipos dos mais vastos e nas mais diferentes categorias. Vende-se além do candomblé, dos batuques do pelourinho, das baianas de acarajé, do Centro histórico, dos ensaios de blocos afros produtos como o pau grande do negão, o tempero quente de uma nega na cama, o moleque de recados, o soteropolitano que não tem mais o que fazer e serve de guia turístico para aqueles que aqui aportam, personagens vivos do filme/série Ó Pai Ó, a piriguete, o rasta etc.

A cidade tem como em qualquer outro lugar uma estratificação enorme. As duas populações, branca/negra – elite/pobre, vive em lugares totalmente diferentes, com signos distintos uns dos outros. Nada diferente de outras cidades do país. Mas o diferencial aqui é que em Salvador nós somos a maioria. Essa maioria segregada vive a mercê da sua própria cultura, sem chance muitas vezes de transformar a sua história para gringo ver em algo mais conciso, com real substancia e que imponha respeito.

Ou seja, Salvador não é realmente completa, para alguém racista viver? População de maioria negra, esmagada pelo subdesenvolvimento, sem instrução sobre si mesma e iludida pelo valor de mercado imposto ao nativo em base dos estereótipos que pipocam em todas as épocas do ano. Na contra mão existe uma outra cidade bonita e em crescimento acelerado que tem uma outra cor, um outro modo de vida, que quando sente necessidade migra para as partes “afros” da cidade para ter um pouco de diversão livre e passageira.

E como toda cidade estratificada que se preze concentra na parte nobre da cidade seus principais pontos de divertimento. Teatros, cinemas, casas de shows todos estão nas zonas consideradas ilustres. Distante, as vezes leva-se horas para chegar em determinados lugares, daquela outra cidade, de cor negra, bem distante dos pontos de cultura oficias. Não que no subúrbio ou periferia não aconteçam movimentos populares, eles pipocam aos montes, mas será que o que é feito no subúrbio é considerado arte?

Salvador há muito tempo já perdeu a tradição dos cinemas de bairro, também a pouco tempo experimentou o sucateamento de cinemas como o BAHIA, o GLAUBER ROCHA, EXCELCIOR, TAMOIO, ART 1 e 2, PAX, JANDAIA, ASTOR E TUPI desaparecerem, viraram igrejas evangélicas ou cines pornôs ou estão caindo aos pedaços ainda. As grades salas, que passam tanto os filmes pipoca quanto os filmes de arte se encontram distantes, em bairros geralmente nobres, shoppings, mas parece que a distancia nestes lugares é mais do que espacial... É ideológica.

Lembro até hoje de sessões lotadas – o Cine Glauber Rocha mesmo tinha mais de 600 lugares e era lindo – nos cinemas do centro, regadas a pipoca e era um lugar onde todos iam. Do advogado ao vendedor de picolé. Lembro de ter visto quando criança e adolescente filmes como Jurassic Park, Jumanji, Batman Forever, Titanic, Mortal Kombat, Lua de Cristal (eu era pirralho perdoem! Além do mais, “filmes de arte” sempre tem censura maior...) os filmes dos Trapalhões, nos cines do centro da cidade. Lembro também que o cinema do Shopping Iguatemi, que hoje não existe mais, tinha um outro público, era bem mais caro e totalmente estratificado, apesar de não existir nenhuma placa avisando a proibição de certos tipos de pessoa... Hoje quando vou aos cinemas de shoppings ou mesmo os cinemas onde são exibidos os chamados filmes de arte o publico cada vez é menos popular, menos negro...

Claro que existe toda a fórmula ideológica na construção das relações de poder do local, também existe a pirataria que fez com que moradores do subúrbio não precisem sair de casa e conferirem os grandes filmes que estão passando. O que parece é que a cultura que passa neste lugares seus filmes e outros tipos de arte que perpassam pelos espaços culturais são feitos para determinado tipo de pessoa. E a mistura que todos falam que existe em Salvador na verdade não existe.

Lembro ainda da experiência de ver os filmes no antigo CINE GLAUBER ROCHA algo mágico até. A pipoca que cheirava a quilômetros na Carlos Gomes, os dois andares da grande sala de exibição... Nada parecido com o insossa movimento de assistir a um filme em um multiplex ou cine de arte com seu público “alternativo” que se acha o máximo só por que está assistindo filme francês do momento ou mais um exemplar de Pedro Almodóvar... O cinema aos poucos transforma-se em uma arte elitizada, perdeu um pouco do seu caráter popular... também não se encontra mais parte de sua magia... Movimentos estão sendo feitos para que o cinema não perca sua característica de arte popular... Mas isso é assunto para uma outra postagem.

PS: Desculpem o saudosismo, ninguém vive sem ele nem que seja um pouco..

sábado, 12 de setembro de 2009

NASCE UM HERÓI.

Desta vez, nesta postagem, não me atrevo a falar nada... Acho que as vezes as imagens valem muito mais que as palavras... Às vezes acontece esse tipo de coisa, somente às vezes... E este é um grade exemplo!... Daqui a uns tempos estréia Besouro, filme que já vi o trailer, reportagem, blog etc etc... Sabe aquele trailer que quando você vê fica louco para que o filme estréie logo? Não sei se você que está lendo sente isso, mas às vezes (somente as vezes) até frio na barriga me dá de tanta anciosidade... Estou louco para ver. Você também deveria ficar...



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Destaque Para a Pele Negra.

Como disse anteriormente, mexi um pouco aqui no Blog Percorro agora novos caminhos ampliando o sentido de mídia negra... de arte negra... E para começar nesta nova estrada conversamos com o fotógrafo Saulo Salles (ao lado), sobre o seu ofício, suas visões sobre o mercado e arte negra em Salvador e também sobre “Peles Pretas” seu último trabalho, que já foi exposto também em São Paulo e tem dado bons frutos para este fotografo mais que talentoso e inteiramente compromissado com o seu trabalho.

Película Negra – Começando pelo começo... Quando iniciou o interesse pela fotografia e por que logo ela e não uma outra arte visual?...


Saulo Salles – O meu pai já era fotógrafo e de modo geral e involuntário tenho a tendência natural de copiar as suas ações Acho a fotografia um tipo de arte menos autentica, porque em geral, ela por si só, não faz arte e sim retrata realidade. E criar arte da realidade é o q me fascinou.


Película Negra – Existem fotógrafos que em seus trabalhos pretendem evidenciar a realidade através do mundo visto pela fotografia। Mostram o que existe de belo e triste em camadas diferentes da sociedade através das fotos. No “mundo” construído pelas lentes de Saulo Salles o que o público pode esperar?...


SS – Beleza por onde sempre passaram e nunca notaram, pelo menos é esta a minha pretensão.


Película Negra – Reparei dois pontos curiosos em alguns de seus trabalhos। A primeira é o uso de modelos negros e a segunda o uso do preto e branco. Só vi até agora uma fotografia colorida. O porquê dessas duas escolhas? Elas se completam de alguma forma?


S.S – Eu comecei a estudar fotografia em Florença na Toscana, a beleza e as cores daquela região italiana são intraduzíveis, e acho que nada teria o mesmo sentido sem elas. Já em Peles Pretas, o preto ( cor e raça ) é a “bola da vez”. E o meu exagero de contrastes é justificado pela proposta do trabalho q é a valorização da beleza negra, nada mais aqui deve ter destaque se não a pele dos modelos. Não teria esse mesmo efeito em cores. Quero o preto e não o marrom ou qualquer outra cor dessa mesma variável


Película Negra – Hoje na mídia em geral há uma valorização maior e também a problematização das questões que norteiam a negritude। A identidade negra, sua cultura, religião vem sendo reformuladas a cada momento. Você se considera de alguma forma, com seu trabalho, também repensando a visão do povo e da cultura negra em geral?


SS – Sim. E um sim bem grande rsrs. PELES PRETAS propõe uma releitura de padrões de beleza e de conceitos em relação aos afro-descendentes, já que, até o início do século, os objetos das fotos desta exposição não eram ou não podiam ser vistos como belos.O projeto faz referencia ao aspecto ETNICO para designar a presença das varias etnias negras que formam o povo brasileiro, e evidencia a necessidade de ações proativas para a comunidade negra, em particular, atividades de ampliação de auto-estima, valorização e preservação das tradições culturais negras.


Película Negra – Tem alguma técnica especifica que desenvolve para o seu trabalho?


SS – Sim, mas isso eu não conto.


Película Negra – Poderia citar algumas das suas referências como fotógrafo e o que elas te ensinaram para dar um “up” na sua técnica no modo como encara a fotografia?


SS – Admiro muitos fotógrafos, os portugueses principalmente. Tenho amigos-ídolos em Portugal, adoro isso. Nenhum deles, porem, me ajudou na definição de minha técnica, cheguei a ela a muito pouco tempo e ao improviso. As minhas primeiras fotos de “peles” não têm a mesma cara das ultimas, isso graças ao “acidente”.


Película Negra – Dá para viver de fotografia em Salvador? Existe mercado para este tipo de arte visual na cidade? Por quê?


SS – O mercado de arte é pequeno em Salvador como um todo, fotografia ainda mais. Viver de fotografia de arte é pra poucos. Mas quem faz essa opção deve está atento a ações culturais antes de tentar vender. Vender fotos é uma decisão q só pode ser tomada na hora certa, se for antes do ponto, vc tá fadado ao fracasso e se for depois quer dizer q o fracasso já chegou a vc. O fotógrafo precisa de um bom produtor ou ser um bom produtor.


Película Negra – Para você quais os prós e os contras do “bum” que a fotografia teve com as câmeras digitais?


SS – Eu acho q ficou mais prática, e mais fácil a ação de fotografar. Sou da teoria da constante evolução. Não vejo contras nisso.


Película Negra – O que falta para a fotografia tornar-se uma arte mais consumida, mais valorizada pelo público। Digo valorização fora do senso comum. Que seja apreciada como arte. Ou já existe esta valorização?


S.S – O mesmo q falta às outras artes, educação da população. Não acho q a musica de qualidade seja apreciada pela maioria, ou o cinema realmente bom, por exemplo Chamamos filmes horríveis de

filmes de terror, e há quem acredita q vê Cinema, vendo aquilo. Assim é também na fotografia. Realmente não acho q as pessoas compram revistas pornográficas para lerem seus textos. As pessoas compram fotos porque somos todos muito visuais. Se não fosse assim, as revistas teriam textos em suas capas. O q falta é cultura de arte visual e cultura geral.


Película Negra – E como anda a repercussão do seu trabalho a partir do público? Você também já fez exposições fora da Bahia। Fale um pouco dessa experiência.


S.S – Isso é algo que seu próprio público vai poder responder ao ver minhas fotos. Já minha mostra em São Paulo foi discreta, em um local bacana, o Espaço Cultural Juca Chaves na João Cachoeira, Itaim Bibi, como todas as anteriores, nunca fiz grandes alardes ou gastos excessivos com publicidade, acho q não é o momento, tenho apenas 4 anos de fotografia e menos de 2 em Peles Pretas।


Película Negra – Como hoje alguém que quer se enveredar pelo mundo da fotografia pode dar os primeiros passos aqui em Salvador?


S.S – Primeiro passo em minha opinião é fotografar varias coisas diferentes e só depois perceber o q vc fotografa melhor, passar para o processo de descarte, sabe?. Vc pode ter variações de gênero fotográfico, mas ter uma base de referencia profissional é fundamental para um artista. Acho importante fazer um curso, e estudar a arte, por que não se deve fundamentar algo em pura intuição. Definir uma técnica própria, ou copiar uma técnica e por características suas é fundamental para não ser mais um no mercado. E por fim, o mais importante, TER UM BOM PRODUTOR, SEM PRODUTORES ARTISTAS SÃO SONHADORES, E POR MAIS BELOS Q SEJAM OS SONHOS,ELES SÃO APENAS SONHOS।


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A VIDA SECRETA DAS ABELHAS.

Vamos logo direto ao ponto... Chorei duas vezes vendo este A Vida Secreta das Abelhas... Por isso se quiser continuar a ler esta critica considere que vai se deparar com alguém que se deixou levar e mergulhou junto com a historia das personagens. Uma outra coisa gosto muito de filmes com elenco majoritariamente feminino। Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, Divinos Segredos, A Cor Púrpura, entre outros são filmes fortes, que lhe ensinam muito, mas ao mesmo tempo transitem uma doçura incrível.

Produzido pelo casal Smith (Will e sua esposa Jada) o filme conta a saga de uma garota branca, Lily Owes, (surpreendentemente mal encarnada pela excelente Dakota Fanning) na Carolina do Sul, EUA, vivendo sua adolescência no começo da década de 60, época da luta pelos direitos civis, em meio ao trauma de ter matado sua mãe quando era pequena, um trágico acidente causado por ela. Lily, então decide fugir das agruras do pai com sua empregada Rosaleen (Jennifer Hudson). Ela foge almejando conhecer o passado de sua mãe e tirar a culpa que ronda seus pensamentos e Rosaleen quer um mundo de plenos direitos. Em uma cidadezinha as duas conhecem as irmãs Boatwright, vividas por Queen Latifah (Chicago), Alicia Keys (A Cartada Final) e Sophie Okonedo (Hotel Ruanda)।

A partir daí o filme da diretora Gina Prince-Bythewood de desenvolve com roteiro simples, sem grandes desenvolvimentos, sem pretensão de ser “O” clássico negro dos anos 2000 – como quiseram ser Amistad e A Bem Amada nos anos 90 – com atuações contidas e ao mesmo tempo brilhantes. A primeira coisa que chama atenção é o quarteto de atrizes negras. Jennifer está contida, bem diferente de sua interpretação em DreamGirls, Queen durana e doce como sempre – o papel caiu como uma luva para ela – Alicia interpreta uma mulher linda e fria e convence na atuação e Sophie Okonedo que dá um show a parte, os momentos em que a atriz está não conseguia olhar para as outras। Quanto a surpresa é presenciar Dakota, atriz maravilhosa (que já roubou a cena de gente como Denzel Washington e Tom Cruise) dar uma interpretação tão pequena a uma personagem tão rica e bem escrita... Uma pena!

Do mais esperem por reviravoltas surpreendentes, frases chocantes (principalmente saída da boca da personagem de Alicia), racismo tratado de forma coerente pelo cinema e uma trilha sonora de tirar o chapéu!!!!!!!!! Sou suspeito para falar, me deixei envolver por um filme simples (estes sempre me pegam!!!), mas A Vida Secreta das Abelhas é aquele tipo e filme para rever novamente sem compromissos, leve e que vai deixar você com um sorriso no rosto apesar das tristezas do mundo!... Pelo menos foi o que aconteceu comigo quando sai do cinema...

domingo, 30 de agosto de 2009

INVEJA DO PODER NENHUM... OU DO PODER QUALQUER

Essa semana ouvi de uma professora, atuante no movimento negro há anos, segundo ela mesma, suas opiniões sobre o poder negro no território brasileiro. Ela dizia que os negros aqui no Brasil não tem poder efetivo, que são representações mixurucas e conversa vai conversa vem inventou de comparar o poder negro com a visibilidade que homossexuais tem na mídia brasileira.

Ela dizia mais ou menos assim, “a parada gay leva 3 milhões de pessoas para a s ruas... vê se na marcha zumbi dos palmares leva a mesma quantidade? Não leva! Os gays nas novelas tem representação. Os negros não tem”. Na verdade, não é a primeira vez que ouço isso aqui na Bahia. Já ouvi alguns militantes de diversas causas opinando primariamente sobre o “poder” do movimento homossexual e da não visibilidade sobre seus respectivos movimentos...

Para eles, a Parada Gay de São Paulo leva três milhões de pessoas (não sei ao certo se eles pensam que essas três milhões de pessoas são homossexuais mesmo) por conta a organização que a comunidade LGBTT tem e do seu alto poder de persuasão perante ao país. A mídia passa para eles (de forma bastante equivocada, diga-se de passagem) que homossexuais tem dinheiro, que podem fazer e acontecer, que estão nas novelas, são autores da Globo etc etc... Quando comparam com seu mundo, vêem que não tem possibilidade e se inserir nos lugares da mesma forma. Pelo menos da maneira como eles pensam.

Senti um rancor vindo da comparação feita pela professora. Uma inveja absoluta e profunda de um poder que todos (pelo menos os que se informam direito) sabem que não é efetivo. Afinal de contas do que adianta Aguinaldo Silva (gay) ser autor de novela das oito de sucesso e não poder concretizar um personagem homossexual principal em sua trama, ou pelo menos um personagem homossexual que tenha vida ativa da mesma forma que seus personagens heteros tem? – leia “vida ativa” como beijar, cenas de sexo, convivência normal.

Que poder é esse que tanto é invejado pela professora?... Um poder nenhum? Ou um quase-poder? Será que a comunidade LGBTT presa em guetos e não podendo exercer sua sexualidade livremente tem um poder efetivo. Será que estar em postos altos significa estar inserido de forma verdadeira? Quantas perguntas... Para todas há uma resposta, deixar o achismo invejoso de lado e passar a se informar direito, com referencias que valem à pena. E acima de tudo, aprender que inserção definitivamente não significa poder real!...

domingo, 23 de agosto de 2009

UM NOVO TEMPO!!!!!!!!!!!

Esta semana o Blog vai passar por uma nova reformulação. O motivo? Comemoração dos dois anos de Película Negra e muita satisfação de escrever sobre a sétima arte. No começo tudo tinha um tom meio de brincadeira, mas se tornou um vicio. Posso passar algum tempo sem postar, mas mantenho vivo meu bloguinho que tanto já me deu elogios, amigos, oportunidades de conhecer e compartilhar conhecimento com novas pessoas.
Resolvi iniciar o blog depois que vi o filme DreamGirls e fiquei a apaixonado por ele. Até hoje é o meu musical preferido e também o único filme histórico que não coloco defeito nenhum, pois é perfeito. Da pra dar uma aula sobre movimento dos direitos civis com ele, além que tem Beyonce e os alunos se divertem. Logo depois fiz uma postagem sobre o filme PROVA DE FOGO com o eterno Morpheus, Laurence Fishburne. Falei um pouco da visão estereotipada que os filmes norte americanos tem da África (aquele país como diz o infame Bruno!!!), e em uma noite de insônia resolvi assistir ao documentário mais impactante que vi na minha vida, Olhos Azuis, vi e não consegui mais tirar o filme da minha cabeça. Ai inventei de falar e homossexualidade negra, postagem que deu seguidores bons a este blog. Massa os comentários e as respostas de todos em orkut e também na universidade (ainda esta na UNEB fazendo meu belo curso de história).
Inventei também de expor minha opinião sobre Filhas do Vento horrível filme dramático feito aqui no Brasil, primeiro com atores negros. A Cor Púrpura, clássico do cinema negro também ganhou seu lugar aqui no Blog, elogios e mais elogios claro, não posso falar nada de ruim daquele filme. Os filmes pornôs (que pode até virar assunto novamente aqui no Blog) deram também o que falar aqui no Película Negra, ai veio uma das postagens que deu mais trabalho pra fazer, Novas Identidades Negras e a Nova Mídia... Levei dois dias pra construir o texto.
E em 23 de agosto, faltando 3 dias para completar um ano de blog, resolvi repetir o assunto, homossexualidade negra, afinal de contas é um assunto vasto e o que me deu mais cometarios... Foi novamente uma polemica louca! Ai logo depois, dias depois um comentário quase me fez desistir do Blog:

Anônimo disse...VOCÊS MACACOS NÃO APRENDEM NUNCA! JAMAIS IRÃO SER IGUAIS AOS BRANCOS, POIS VCS SÓ SABEM DESTRUIR E SE PROCRIAR! SENZALA PARA MACACO JÁ COTAS PARA MACACOS NAS PRISÕES!25 de Setembro de 2008 01:०३

Pensei em desistir por conta do racismo virtual que não tem coragem e mostrar a cara, mas segui em gente e resolvi usar uma ferramenta para me proteger... Nada de comentários desde então! Bloqueei tudo! O fenômeno O Pái ó também marcou presença! E depois enchi o saco e resolvi responder algo que inquietava alguns a um tempinho... Se CINEMA NEGRO realmente existia. Assuntos como se somos responsáveis pela comunidade negra pelo fato de sermos negros e o amor interracial, morte de Michael Jackson, preconceito contra a diversidade, cotas (não posso deixar de falar delas já que sou a favor), ancestralidade, também foram abordados aqui. Para terminar nossa postagem anterior acabou tendo como assunto a série Noah Arc.

Escrevi sobre tudo? Não mesmo! Tem muita coisa ainda para falar, de várias formas disso tenho certeza. E com o tempo a minha percepção sobre a negritude, ou melhor as negritudes, vai se aperfeiçoando, vou conhecendo novos cenários, figurinos, modos de interpretar... Em dois anos aprendi muito! Vou continuar escrevendo, ou seja aprendendo...

MEU DEUS EXISTEM GAYS NEGROS 3!!!!!!!!!

Me dei conta um dia desses, vendo postagens do blog antigas, que já tinha postado, mais de uma vez, comentários sobre Noah Arc, mas nunca tinha dedicado um espaço inteiro somente para uma das séries que apesar de ter durado tão poucas temporadas tem o seu devido lugar no patamar de series revolucionárias de todos os tempos. O por que? Pelo obvio, a comunidade negra nos EUA no cinema já não é bem encarada, apesar de sustentar boa parcela dos ingressos vendidos em Hollywood, quanto mais a comunidade negra homossexual... É quase um chavão falar sobre isso, mas Noa apesar de seus vários defeitos é ousada e considerada revolucionária por conta disso e somente isso.
Coparam muito esta serie de gays negros a uma outra de gays brancos (sim, a comunidade homossexual é mais segregada do que pensam...) a famosa e hipercultuada Queer As Folk. Não concordo, acho NoaH Arc bem mais parecida com Sex And The City, famosa série estadunidense que gerou seis temporadas e ainda um filme, com continuação em curso para 2010. Noa fala sobre sexo, discute sexo com muito bom humor, mas mostra de forma sensual sobre aquilo que tanto fala: sexualidade homossexual negra. É mas o quarteto de mulheres despojadas de Nova York que o quinteto de gays que são loucos em posar na Babylon.
Mas não deixa de ter suas particularidades. Noah Arc conta historia de um grupo de cinco homens negros gays, Noa (o grande herói pois toda série tem um), Alex (o efeminado do grupo), Rick (o estereotipo do homem gay promiscuo (Brian de Queer As Folk dá de dez a zero nele...), Chance, responsável pai de família e professor universitário, e o afair de Noa durante as duas temporadas Wade, nas suas desventuras, seus amores, as responsabilidades e também de homofobia. Tudo “fechado” na comunidade negra norte americana. Ao longo dos capítulos a série vai desenvolvendo em meio a história principal que circula entre os relacionamentos do quinteto, particularidades dos homens negros gays. De forma bem leve e com muito bom humor.
Uma dessas particularidades é a forma como o homem negro gay se porta frente a masculinidade dentro da comunidade negra, já que o homem negro é ligado diretamente a um papel sexual extremamente viril, um machão estereotipo, com gingado próprio e apetite sexual incalculável. A série problematiza de forma bem leve como esta masculinidade afeta os homens negros e como ela afeta também homens negros gays. Como seria para um gay negro, por exemplo, desmunhecar? Que implicações teria nisso. Tudo de forma despretensiosa, sem precisar citar frases de protestos clichês. Ou seja, faz você pensar, mas não é chato.
Em apenas duas temporadas, a série permeia por assuntos como casamento entre pessoas do mesmo sexo, pais homossexuais e a vida com seus filhos e filhas, promiscuidade, AIDS (um diferencial da série que faz campanha junto aos homossexuais negros para que façam exame, sem medo e com bastante conscientização), ciúmes, homofobia em Hollywood, no mundo do rap, no mercado de trabalho entre outros. Noa também tem seus defeitos, por exemplo de ter uma duração curta demais – geralmente 22 a 25 minutos cada capitulo – e de ter um roteiro não muito elaborado, - e isso acontece com quase todos os capítulos.
Depois de fazer barulho frente ao canal fechado Logo, a série foi cancelada, mas rendeu um filme Noah Arc – Jumping The Broom que passou nos cinemas e obteve relativo sucesso. Para quem se sentiu curioso tem três maneiras de conseguir ver a série. Para quem sabe inglês e tem dinheiro pra gastar (rsrs) através dos DVDs comprados em site especializados em produtos importados, baixando no Orkut por meio das comunidades de Noa Arc ou comunidades de filmes GLS e também pelo blog http://www.gayload.blogspot.com/ destinado a séries, filmes e livros para a comunidade LGBTT. As formas de baixar são fáceis e todos os capítulos estão devidamente legendados. A segunda opção do blog é a melhor de todas. A única coisa depois de assistir as duas temporadas é sentir um aperto no peito, pois ela poderia ter durando mais e rendido mais assuntos e entendimento para toda a comunidade नगर.

domingo, 16 de agosto de 2009

Bruno

Vamos direto ao assunto: o que faz um filme ser interessante para você?... Estou falando em um filme que sirva para você de algum jeito, não mero entretenimento apenas, mas que toque você de algum jeito. Precisa dele ter alguma relação com algum momento da sua vida? Precisa te abrir os olhos para algo extremamente diferente? Ou quem sabe tocar em uma ferida ainda não cicatrizada pelo tempo?...
Independente de como o cinema toca qualquer ser humano, do mais chorão ao mais (aparentemente) insensível. A sétima arte é extremamente poderosa. Certo que alguns filmes não são feitos para exercer este tipo de fundamento em nós, meros espectadores, mas tem gente como o ator Sasha Baron Cohen que faz cinema sempre propositalmente para provocar. E provocação na categoria politicamente incorretissima! Seu novo filme, Bruno, segue o mesmo esquema de Borat, mais uma vez um documentário falso, mais uma vez com cenas chocantes, mais uma vez Baron vem pra desestabilizar o espectadores, ou seja, é mais do mesmo só que de outra forma...dessa vez Bruno vai atirar para todos os lados com o mundo das celebridades...
E tem um ponto no filme que chama atenção por vários fatores. A cena que mais me chamou atenção foi a de um programa de auditório estilo Márcia (!) com uma platéia praticamente formada de pessoas negras onde o Bruno do titulo vem para tentar mais uma vez ficar famoso de qualquer forma (!!), com o detalhe que ele vem mostrar seu filho adotado negro, sendo que o menino vem da África (!!!), segundo o próprio Bruno um país (!!!!), pois é moda entre as celebridades atuais adotar meninos da África órfãs (!!!!!) para serem mais visados pela mídia.
A cena é de uma escrotice imensa! Baron mostra de forma gritante como a mídia explora crianças e celebridades brancas podres de rica vão a África como se estivessem olhando para um cachorro faminto no quintal de casa. A cena choca, pelo tom em que o ator faz as coisas e convence todas as pessoas ali presentes que aquiele menino é seu filho e é plenamente usado para divulgação da sua própria imagem.
Mas como Sasha não é besta nem nada, ele incita o publico do programa a colocar seu ódio para fora de outras formas... É curioso como o publico reage ao personagem quando este chega ao palco, que todos acreditam que não se trata de um personagem e sim mais uma pessoa que se apresenta no programa, através de risinhos, com comentários e olhares sarcásticos. Bruno é gay e muito afetado! É mostrado ai dois pontos: que efeminados são quase tidos como palhaços que surgem como alicio cômico e que o ser humano é muito mais complexo do que se pensa...
Bruno, o filme, não é o tipo de produção feita para um Domingo a tarde e puro relaxamento. Não é. Ele vai explorar o quanto a mídia atual e as pessoas são ruins e hipócritas por dentro. E que atualmente se faz tudo pela fama! Mas principalmente que o ser humano não está imune a preconceitos, ninguém esta, por que a maioria dos liberais frustrados não se dão o trabalho de conhecer, não se dão o trabalho de chegar junto, de conviver, só espalham em uma auto proclamação que são desprovidos de preconceitos... Bruno prova justamente o contrario...
Você pode ser mulher, sofrer com o machismo desse mundo masculino cão, ser até feminista quem sabe, mas pode ser muito bem racista! Por que não? Pode ser um homem branco que consegue conviver bem com negros, mas não com gays... Pode ser tanta coisa, já vi liberal de discurso inflado e tudo se contorcendo quando via junto a ele um portador de síndrome de down. O ser humano é muito mais complexo do que nós imaginamos. Além de discursos de conferencias, seminários, congressos, universidades, mídia, muito além... Estamos preparados sim para conviver e não compartilhar ou problematizar nosso “poréns”... A conviver pelo politicamente correto e não aquilo que é verdadeiro... A sociedade nos ensina a sermos homofóbicos, racistas, machistas, insanos enfim... Depois aprendemos também a sermos hipócritas. Ninguém é mais neste país racista, homofóbico, racista etc etc... Pra que falar disso não?...
Por isso Bruno incomoda a platéia. Por isso também em incomodou... Gostei de vê-lo criticando, mas certas vezes também fui criticado... Bruno achou uma parte feia em cada espectador daquele cinema... E você, onde esconde a sua?...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Futuro 2

Você conhece Tyler Perry?... Com certeza muitos brasileiros não conhecem este cineasta/produtor/dramaturgo, mas nos EUA pelo menos a comunidade negra norte americana o adora. Perry é podre de rico e sabe fazer cinema para o “povão” como ninguém. Seus filmes são sempre sucesso por lá levando milhares de pessoas ao cinema. É um cineasta correto, não chega a perfeição de Spike, mas faz cinema para toda a família corretamente entregando doses de humor e drama exatas aos filmes que faz. A critica? O odeia! Como faz com todos os cineastas que não oferecem um rompante de inteligência a cada filme que faz. Este ano, ele está de volta com sua mais famosa personagem Madea, que lhe rendeu já uma serie cinematográfica – algo que todo cineasta que se preze e queira sobreviver em Hollywood tem que ter – e já foi vista em O Diário de Uma Louca. O novo filme que estréia em Setembro nos EUA e não deve chegar aqui nos cinemas brasileiros nunca chama-se I Can Do Bad All By Myself. A baixo os três posters revelados do novo filme de Tyler Perry... nos próximos meses é so ficar de olho nos lançamentos das locadoras para ter a única chance de ver seus filmes de alguma forma...

domingo, 2 de agosto de 2009

O Futuro!

Parece que 2009 é o ano da urucubaca cinematográfica. Os cinemas estão recheados de grandes produções sem conteúdo nenhum (Transformers 2), super heróis em adaptações frustrantes (Wolverine o filme) e continuações ou prelúdios (nova moda de Hollywood) sem pé nem cabeça (Velozes e Furiosos 4, Halowen o inicio). Claro tem coisa que se salva, não é um ano de todo ruim... Mas presencio nas salas de cinema um grande vácuo. Se não quiser, por exemplo, assistir o mais novo “buum hollywoodiano” do momento fico quase sem opção. Afinal de contas, por exemplo, ninguém é louco, só para citar um fenômeno recente, de estrear na mesma semana de Harry Potter, você com certeza vai sofrer das duas uma; ou quase ninguém vai te ver, por conta de que toda a imprensa fala sobre o outro filme ou a exibição do seu filme acontece de forma bem restrita, já que quase todas as salas estão tomadas de copias dubladas e legendadas do bruxinho mais poderoso do mundo.
Se no “cinema branco” o ano de 2009 não promete grandes coisas imagine no cinema negro... O Cadilac Records mesmo tendo Beyonce e outros atores famosos no elenco nem chegou aos cinemas aqui... Quase da mesma forma foi o Milagre em Santa Ana que passou de raspão pelas salas soteropolitanas... A Vida Secreta das Abelhas tem estréia sempre mudada pela distribuidora, era para estrear em abril e até agora...
O jeito então é pensar no futuro e ele parece de grades possibilidades...
Parece que este mês estrearão dois bons filmes: o primeiro O CONTADOR DE HISTORIAS que narra a trajetória de Roberto Carlos Ramos. Já tinha visto sua historia contada pelo próprio em entrevista anos atrás no Programa do Jô, acredite não tem como não se encantar com nada mais nada menos que um dos maiores contadores de historia que já vi na minha vida. A produção é dirigida por Luiz Villaça, vi o trailer, parece ser bem interessante. O outro, já citado ai em cima, A Vida Secreta das Abelhas com elenco feminino fenomenal e produzido pelo casal Smith, parece finalmente estrear no Brasil em agosto. Só escorregando de vez para colocar um elenco desse em um resultado ruim. Sou fã de quase todo mundo, são lindas e ao mesmo tempo ótimas atrizes, Jennifer Hudson, Queen Latifah, ate a cantora Alicia Keyes está no elenco e a historia sobre conflitos femininos sempre dá um bom caldo.
De mais espero anciosamente o novo filme produzido por Oprah (A Bem Amada, Aos Olhos de Deus) e Tyler Perry (O Diário de Uma Louca), dois produtores que são verdadeiras febres nos EUA, corrijo, são dois Midas, tudo que fazem e tocam vira ouro. O elenco é cheio de grandes surpresas Miriah Carey (no trailer parece estar perfeita!) e Lenny Kravitz, além de Gabourey Sidibe que faz o papel da protagonista, menina negra e gorda que é ridicularizada pela mãe e pela sociedade, que também parece estar incrível. A produção já esta cotada a ser finalista do Globo de Ouro e do Oscar e certamente vão estar entre as categorias principais. Tem tudo pra trilhar este caminho e espero que ganhe mais prêmios além da mostra Um Certo Olhar no Sundance Festival, pois é garantia que estréiem por aqui no Brasil e não vá diretamente para vídeo ou passe rapidamente nos cinemas como aconteceu com alguns exemplares do cinema.
Em um ano de vacas magras estes exemplares podem servir para salvar o cinema do ostracismo que tem acontecido fim de semana após fim de semana. Que venha o futuro!