sexta-feira, 16 de julho de 2010

Aperte o Play!... Os Crespos em Body White!

O Vídeo já tem um tempo. Mas mesmo assim estou postando pois vale a pena ser visto. Em poucos segundos uma mensagem direta é passada, em chorumelas...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os 10 melhores diretores negros em atividade...

Steven Spielberg, George Lucas, Pedro Almodóvar, Glauber Rocha... Os grandes nomes na direção por trás das grandes produções são geralmente de homens brancos. Isso é nítido, não precisa ser amante da sétima arte para saber que aqueles que comandam cinema estão longe de serem negros. Mas o mundo do cinema também é feito de surpresas. A seguir a lista dos 10 mais influentes do cinema negro (ou não) em minha opinião. Engajados ou não, os cineastas negros estão aí mostrando seu trabalho, fazendo bom cinema e remando contra a maré...

Spike Lee. Uma escolha óbvia. É o que mais dirige, o que mais incomoda, o mais famoso entre os diretores negros, o que tem uma filmografia quase perfeita. Spike é amado e odiado por ser ótimo. Inflado até não querer mais, ele expõe das formas mais diversas possíveis como o racismo atinge a população negra, mas também a branca nos EUA e por que não no resto do mundo. Já fez de um tudo, filme histórico, comédia, policial, filme de assalto, filme de guerra, documentário, épico, já concorreu ao Oscar, comprou briga com Clint Esterwood, revelou talentos hoje super reconhecidos como Queen Latifah, Helly Berry, Eddie Murphy, Martin Laurence, Wesley Snipes, Jonh Turturo, é amigo do cineasta Martin Scorsese, é hiper criativo, já dirigiu dois clipes de Michael Jackson. Ou seja, é nada mais nada menos que O cara!

John Singleton. Único cineasta negro além de Lee Daniels a concorrer ao Oscar de melhor diretor em 1992 por Os Donos da Rua – que também concorreu a melhor roteiro. Não ganhou o Oscar, mas acabou vencendo a categoria de melhor diretor estreante no MTV Movie Awards – a única categoria que se pode levar a sério no premio de cinema da MTV. São deles também, Shaft –O filme, refilmagem da sucesso da blackspotation dos anos 70/80, + Velozes + Furiosos (sem comentários!) e o drama policial Quatro Irmãos.

Gina Prince Bythewood. Todo mundo sabe que o mundo da direção é comandado a mãos de ferro pelo poder masculino. Diretoras? Existem poucas. Diretoras negras? Ai, ai. É melhor nem comentar. Mas como toda regra tem exceção, Gina aparece com o ar da sua graça e talento. Tem três filmes no currículo, o drama A Vida Secreta das Abelhas, o romance de basquete Além dos Limites e o drama romântico com Wesley Snipes Sem Vestígios.

Patrik Ian Polk. Diretor, produtor, escritor, ator, editor, ele faz de tudo um pouco. Além de tudo é gay. Por que isso interessa? Por que seus trabalhos têm haver com sexualidade e são muito bem feitos. Filmes ele tem três no currículo: a comédia Punks, a comedia dramática Licks e a versão filmica da serie de sucesso de sua criação Noah Arc – Jumping the Broom. Seus trabalhos são bem “circuito alternativo”, mas Noah foi seu passo mais comercial.

Tyler Perry. Quem acompanha este blog sabe o quanto gosto do trabalho deste diretor. Na verdade gosto muito mais no incomodo que ele provoca do que suas produções em si. Perry é poderoso, seus filmes geralmente arrecadam em torno de 50 milhões de dólares, ele tem seu próprio estúdio, tem contrato também firmado com a Lion Gate Estúdios (uma das “novas” pequenas notáveis do cinema norte americano), é dramaturgo também, ataca de produtor e olha que ele faz cinema para um público restrito: negros norte americanos classe média e geralmente cristãos. Recentemente apareceu no Oscar deste ano provocando a sua presença em plena cerimônia da estatueta dourada mais cobiçada do cinema. Foi também produtor de Preciosa – Uma História de Esperança.

Os Irmãos Hughes. Não dá pra falar muito desses dois rapazes separados. Eles brilharam juntos em Perigo Para Sociedade drama de 1992. Três anos depois estavam novamente nas telas com Ambição em Alta Voltagem tocando na ferida da guerra do Vietnã nunca superada pelos norte americanos. No novo século vieram com recriação dos quadrinhos de Alan Moore em Do Inferno com Johnny Deep e mais recentemente dirigiram Denzel Washington no filme ação/cristão/apocalíptico O Livro de Eli. Esses meninos têm talento.

Lee Daniels. Ele na verdade é uma forte promessa, mas não é de hoje que vem mostrando seu talento. Fez o filme independente evento, bancado por Telly Perry e Oprah Winfrey, Preciosa – Uma História de Esperança e concorreu a categoria de melhor diretor. Se ganhasse seria o primeiro negro a levar a estatueta. Também dirigiu o drama de ação Matadores de Aluguel em 2005 com Cuba Gooding Jr. É dele também o feito de ter contratado Helly Berry para o filme A Última Ceia pelo qual ela ganhou o Oscar em 2001.

Joel Zito Araújo. Não poderia estar de fora não é mesmo? Um dos poucos cineastas negros no Brasil que consegue colocar seus filmes em circuito, mesmo que restrito. Tem filmes nas costas que já nasceram clássicos, para o bem ou para o mal do cinema. A Negação do Brasil é um trabalho exemplar, junto com o curta (super visto) Vista Minha Pele. Só derrapou na verdade com a chance de termos cinema negro de ficção de qualidade aqui no Brasil. As Filhas do Vento promete, promete, promete ser um grande filme, mas não chega a ser muita coisa...

F. Gary Gray. Um grande nome escondido pelo tamanho de suas produções. Seu filme de estréia, Sexta Feira em Apuros (1995) revelou gente como Ice Cube, Chris Tuker e Regina King. Três anos depois, comandou a grande produção A Negociação que juntava Samuel L. Jackson e Kevin Spacey. Foi produtor do primeiro Em Nome do Jogo (filme que não gostei muito) e diretor do segundo. Também fez Uma Saída de Mestre, filme cotado para ter continuação em breve. Ano passado chegou aos cinemas com Código de Conduta dirigindo Jamie Foxx e Gerard Butler.

George Tillman Jr. Apesar de se destacar muito mais como produtor, sua carreira como diretor também não vai mal. Estreou com Alimento da Alma típico drama familiar com Venssa Willians e Vivia A Fox. Depois dirigiu Robert De Niro e Cuba Gooding Jr em Homens de Honra e em 2009 comandou Notorius – Nenhum Sonho é Grande Demais, biografia de Christopher Wallace que deixou a vida miserável para ser um dos maiores nomes do rap norte americano. Esse ano produziu o primeiro filme do cantor Chris Brown intitulado Phenom.

Rita Batista no Boa Tarde Bahia.

Se você é soteropolitano e anda de saco cheio de almoçar na “Cia do medo” com os programas de jornalismo policial, onde reportagens (!) loucas sobre traficantes presos e ridicularizados, mortes horrendas que acontecem pela cidade, divulgação da miséria alheia, pipocam na tela da TV vinculadas geralmente por apresentadores pseudo jornalistas que gritam (dicção vocal, pra quem né?!!!) para chamar a atenção do espectador, mude de canal e corra para assistir ao programa da apresentadora Rita Batista, Boa Tarde Bahia.

Rita pediu demissão recentemente da TV Aratu, por divergências artísticas, e acabou chegando aos braços da TV Bandeirantes. Quem saiu perdendo? A Aratu, afiliada do SBT aqui na Bahia que deixou escapar uma das grandiosas promessas da televisão baiana em anos. Não dou muito para outras TVs como a Rede Bahia não comecem (se isso já não acontece) a fazer propostas para que ela torne-se uma de seus apresentadoras.

O por quê? Primeiro que Rita tem uma forma peculiar de apresentar seu programa, faz o convidado se sentir em casa e conseqüentemente o espectador no conforto do seu lar também se sente prazeroso em assistir ao programa. Segundo, ela é uma apresentadora negra comandando um programa de variedades... Quantas vezes você, caro leitor, teve a oportunidade de ver isso?... Hum é melhor nem pensar, ok? Mas ela não é o diferencial por ser negra apenas, já que não vou ficar gastando meu tempo somente por que tal pessoa negra esta em posto de qualidade, mas por que Rita é uma apresentadora excelente. Ela é rápida, é dinâmica, inteligente, divertida, sabe sair das situações constrangedoras que um programa ao vivo oferece de forma única, instiga o espectador, instiga os convidados, é simples, ri daquilo que a gente ri também, ou seja, nos deixa a vontade, sem cerimônias para assistir ao seu programa que a cada dia vem crescendo e conseguindo maior audiência na TV baiana.

Além que é linda de morrer e usa um black power maravilhoso! Confesso que estou ansioso para ver seu rosto estampado para todo Brasil ver na transmissão da Band do carnaval da Bahia em que com certeza ela vai ser escalada. Vai ser um sucesso, por que seu trabalho já esta sendo reconhecido pela classe artística de Salvador não é de hoje.

Rita Batista é sinônimo de ótimo entretenimento e para você que achava que desligar a TV na hora do almoço seria a única solução para escapar da loucura dos apresentadores nervosos “virados na 220!” e seus programas policiais que de bom não oferecem nada aos seus telespectadores, fique aliviado. Rita chegou para animar e salvar as suas tardes. Sente no sofá e assista ao Boa Tarde Bahia aliviado!!!!!!

domingo, 11 de julho de 2010

O Melhor e o Pior de... Sophie Okonedo.



O MELHOR: A Vida Secreta das Abelhas. Apesar da maravilhosa interpretação em Hotel Ruanda (2004) que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante é neste drama produzido por Will Smith que Okonedo se saiu melhor. Além de ótima atriz, ela completamente rouba a cena em meio a colegas de peso. Sua personagem encanta e traz dor ao espectador de forma única. Lindo de se ver.
O PIOR: Aeon Flux. Estragaram um dos melhores desenhos adultos de todos os tempos. Produto da era MTV anos 90, quando o canal realmente produzia coisas boas e diferentes, Aeon foi transformada em uma heroina mixuruca! Shophie está lá marcando sua presença acompanhando a personagem principal, neste filme de cenários grandiosos e ação insuportável. Tenho que dizer que fiquei em dúvida entre este Aeon Flux e Ace Ventura - Um Maluco na África no qual ela protagoniza um beijo com Jim Carey, concorreram até a Melhor Beijo no MTV Movie Awards, mas isso não quer dizer muita coisa...

sábado, 10 de julho de 2010

NOVIDADES



Tratando-se de filmes independentes ou filmes do cinema negro, você nunca tem certeza que eles chegarão aos cinemas no Brasil, ou até chegam, mas somente em dvd ou passam longe das prateleiras das locadoras tupiniquis. Mas não custa nada ter esperanças, não é verdade? Por isso estão aqui três promessas. O primeiro Hot Tub com história absurda, é uma comédia onde um grupo de amigos descobrem uma banheira que pode leva-los ao passado. O outro é mais uma comédia romantica com Queen Latifah, Just Wright, conta a história de uma preparadora física que se apaixona por um jogador de basquete enquanto tenta recuperar sua carreira. O último é um drama com 50 Cent e é mais um daqueles dramas que circulam no mundo das drogas ilícitas , seus traficantes e blá blá blá.
É esperar para ver o resultado disso tudo, da comédia com roteiro absurdo, o romancinho com cara de filme de fim de tarde e o drama clichê. Não são grandes promessas, mas vai que sai um tesouro disso tudo?...

Erykah Badu e Lauryn Hill no Brasil.

Vem cá... Os negros norte americanos estão invadindo o Brasil é?... Depois de Beyonce, 50 Cent, Donna Summer, Gloria Gaynor, Akon, (alguns deles chegando aqui no Salvador) as próximas promessas norte americanas a aportar no nosso país são as divas Laurin Hill e Erikah Badu. Devo confessar que não gosto muito da sra. Badu o som dela não me agrada muito, mas Laurin não tem como não gostar. No lugar de Erikah preferia que India Arie fizesse shows por aqui, mas querer nem sempre é poder...
Erikah chega aqui com seu novo cd prontinho e o show vai ser no Credicard Hall, ou seja separe uma boa quantia da sua conta bancária para ver uma das maiores cantoras do R&B norte americano. A Laurin volta a ativa depois de milênios de ostracismo. Tinha tudo para ter muito mais sucesso que já tem, entregar aos fãs músicas maravilhosas, mas prefere ficar quieta no canto dela e só lançar albuns quando tem certeza que aquilo é realmente bom. Por conta disso, tem somente dois albuns um de estreia (1996) e outro acústico - com duas horas de duração e músicas inéditas. A turne de Hill, que liderou o grupo Fugees nos anos 90, chega ao Brasil em 4 cidades, incluindo Brasilia, que é "pertinho" pra quem está no norte nordeste e tem interesse de ir.
É escolher seu show preferido, reservar graninha boa para os eventos e se jogar nas músicas das divas negras norte americanas. Tem muito mais gente prometendo ir ao Brasil, tudo isso aconteceu anos atrás quando Michael Jackson também desejou fazer um "showzinho" aqui, mas infelizmente não deu... Não veio o rei, chegam os príncipes...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aperte o Play!... Chris Rock fala sobre o rap...

Dessa vez eu não vou dizer nada... é assistir e presenciar humor negro de primeira categoria! Isso que é realmente humor negro...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cabaré da Raça nova temporada...

O maior sucesso do Bando de Teatro Olodum está de volta em comemoração aos 20 anos de trabalho de um dos grupos mais sólidos da Bahia. Ninguém duvida da competencia do bando, seus espetáculos nascem clássicos. Vi três deles Oxente Cordel De Novo? - muito bom falando sobre a tradição de literatura de cordel no nordeste, Áfricas, para mim o MELHOR espetáculo do bando até hoje e esse Cabaré da Raça, que já comentei aqui faz um tempinho.
Para você que está na cidade ou é da cidade e ainda não viu, ou já viu e quer ver novamente, já que desta vez cenario e figurino mudaram de novo (!!!) fica aí a pedida de uma das peças mais provocativas do teatro baiano.

domingo, 4 de julho de 2010

Preto Contra Branco

Preto Contra Branco é um filme impactante. Um grupo de moradores se reúne para fazer uma partida de futebol, um time é formado pelos homens da favela de Heliópolis (maior favela da America Latina) e o outro com os do bairro da zona sul São João Climaco. Essa partida de futebol é clássica na região, desde 1972 os moradores se mobilizam e a rivalidade dos dois times já virou tradição. E como fazer parte de cada time? Se auto declarando negro ou branco. Cada jogador escolhe a sua cor e faz parte do seu respectivo time. Dar-se então um time formado por brancos e outro por negros. E é a partir de uma partida de futebol, da paixão que atinge todo brasileiro por este esporte, que o racismo brasileiro – geralmente velado, sorrateiro – aparece da melhor forma possível, sem medo e na sua cara!

E nada disso é ficção. O documentário dirigido por Wagner Moralis mostra o que está por trás de uma simples partida de futebol. A equipe passou uma semana com os moradores das duas regiões antes do jogo acontecer. A partida na verdade é feita para atenuar as tensões raciais que existem, para provar que todo mundo é irmão independente da cor, que não existe essa coisa de preto ou de branco etc. Os dirigentes de cada time a todo momento ressaltam que as piadas, insultos, provocações não tem nada de racista, mas o ritual que antecede o jogo e sua partida acaba por revelar uma faceta “bomba relógio” do brasileiro, um racismo institucionalizado prestes a explodir.

Apesar do tema, a partida de futebol é quase desconhecida, mesmo já acontecendo a mais de 30 anos. Assistindo ao filme vemos muito mais do que um simples jogo. O espectador presencia jogadores/moradores brancos se diferenciando pela cultura dita superior, pelo seu cabelo “bom”, pelo uniforme, por estarem em situação econômica muito mais favoráveis que os jogadores pretos, na partida provocam os negros com adjetivos como macaco, pobre, favelados. Já os negros não se fazem de rogados e chamam os brancos de Parmalat, mauricinhos e colocam que quando vencem as partidas vencem na raça, jogando limpo, mesmo com todas as dificuldades.

Como espectador não da para comprar a idéia dos responsáveis pelo time que afirmam que a partida é feita entre amigos, que não há racismo ali e que é todo mundo irmão ouvindo grito de guerra como “Eu sou branco, tenho dinheiro e os negão passa fome o ano inteiro”. É curioso também presenciar falas de moradores negros que afirmam que se ouvissem, o que eles ouvem no campo, no dia a dia de um homem branco qualquer, não gostariam e partiriam para ignorância. Mas dentro do espaço da partida é tudo irmão, é tudo brother, mesmo o grande brother te chamando de macaco.

Preto Contra Branco também discute a disputa territorial e o que é mais e menos importante dentro da vida de uma comunidade cheio de carências. É um ótimo filme, curto, 55 minutos, muito bem filmado e também muito bem intencionado... É ver e discutir.

Segue abaixo o trailer do filme:


sábado, 3 de julho de 2010

O Melhor e o Pior de... Thadie Newton

O MELHOR: A Bem Amada. Thadie Newton com certeza é uma das melhores atrizes negras em atividade no momento. Junto com Zoe Saldana (Avatar) e Kimberly Elise (Sob o Domínio do Mal) forma o trio de atrizes negras de talento impressionante. Foi dificil decidir entre Crash - No Limite, no qual ela faz a esposa revoltada de Terrence Howard que é salva pelo policial que dias atrás a desrespeitou e também no filme À Procura da Felicidade com Will Smith em que vive a insuportável esposa do personagem principal. Apesar de ter bons trabalhos no cinema, é ainda lá no comecinho da sua carreira cinematografica, mais precisamente no seu "bum" que encontramos sua melhor interpretação em A Bem Amada, projeto de Oprah Winfrey baseado na obra de Toni Morrinson. Thadie é o ponto alto do filme e rouba a cena em todos os momentos que está presente.
O PIOR: Missão Impossivel 2. O que dizer de um filme em que as cenas de ação estavam prontas antes do roteiro?... Thadie foi o interesse romântico de Tom Cruise em um dos piores filmes de ação da história. O filme já é péssimo, com John Woo tentando fazer o que pode com um roteiro burro e o ego de Cruise inchando a tela a cada minuto. Thadie, que aparece em uma cena belissima filmada em câmera lenta, desaparece em torno da trama sem graça e do exagero da produção. E mocinhas em filmes de espionagem servem para que o mocinho a salve do perigo, mas o desejo do público em Missão Impossivel 2 é que tudo aquilo termine logo para o bem da humanidade. Acho que nem a própria Thadie fez questão de esquecer que fez parte desse projeto.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Psicologia Social do Racismo – Estudos Sobre Branquitude e Branqueamento no Brasil

Um livro que reúne artigos falando sobre qualquer tipo de assunto tem sempre seus bons e maus exemplos, não é verdade? Geralmente composto por diferentes nomes que escrevem em torno de determinado tema, essas coletâneas (tão necessárias nas universidades) sempre são compostas de altos e baixos. Tem sempre um artigo que beira a perfeição – quando não atinge totalmente – e aquele que é a vergonha do exemplar, mal escrito, mal estruturado, mas como o autor geralmente é Dr. disso. PhD naquilo está ali marcando sua presença, mesmo que o artigo do cara que acabou de se graduar seja infinitamente melhor que o dele...

Essa regra, de que toda coletânea tem seus bons e maus artigos, encontra sua exceção com Psicologia Social do Racismo – Estudos Sobre Branquitude e Branqueamento no Brasil. Trata-se de uma reunião de nove artigos falando sobre branqueamento/branquitude no nosso país e nenhum (eu disse nenhum!) deles é ruim, ou mal escrito ou desinteressante. O livro na verdade tornou-se um clássico, pela sua importância, por ser um excelente trabalho e também por ser um dos poucos estudos sobre branquitude no Brasil que deixaram o “circuito acadêmico” e foram parar nas prateleiras das livrarias. E das livrarias o livro se esgotou rapidinho.

O livro expõe uma fatia da população brasileira que geralmente não é problematizada quando o assunto é racismo, os brancos. Geralmente não são problematizados, pois se omitem da questão enfatizando que toda a responsabilidade sobre o racismo que cai sobre o negro é culpa muitas vezes dele mesmo ou que racismo é coisa de branco preconceituoso e já que aqui no Brasil não existe branco, por que aqui todo mundo é misturado, não existe racismo. A discriminação racial acabou tornando-se um “problema ou questão do negro” e o branco – que também é atingido pela sua invenção – fica imune, vendo tudo de camarote, de braços cruzados. O livro problematiza aquele que nunca foi evidenciado; homens e mulheres brancos, liberais ou não que tem sim sua parcela para o crescimento do racismo.

Não é de hoje que branquitude é discutida. Autores africanos como Steve Biko (Escrevo o Que e Eu Quero) e Frantz Fanon (Os Condenados da Terra) já faziam isso há tempos atrás e com maestria. Mas como a questão brasileira se deu e se dá de forma diferente das demais partes do mundo, teóricos começaram a expor as singularidades da branquitude segundo nosso território.

O livro muitas vezes choca pelas feridas expostas que geralmente são silenciadas em torno do debate. Como por exemplo, a doutora em psicologia Edith Piza que entrevista uma mulher branca da cidade de Itapetinga no interior de São Pulo e esta define o que é ser branco: “Ser branco é não ter de pensar sobre isso. O significado de ser branco é a possibilidade de escolher entre revelar ou ignorar a própria branquitude... não nomear-se branca.”. O livro também problematiza como as pessoas brancas enxergam as pessoas negras, como as dividem em torno de colorações de pele diferentes, os elogios quando encontram alguém negro que mereça louvores “Você não age como um pessoa negra”, como os brancos que se dizem não racistas acabam reformulando o racismo e também como o ideal do branqueamento atinge os negros que acabam por ter vergonha do seu cabelo, da sua pele, dos seus traços negroides, sendo eles no fim culpados pelo racismo que os coloca na parede coma celebre frase “Ah! Mas o negro é preconceituoso com ele mesmo!”

Todo o estudo é argumentado através de teóricos da psicologia (brasileiros ou não), pesquisadores brancos que estudam branquitude pelo mundo afora e também mesclando com conhecimentos de áreas múltiplas como antropologia, sociologia, historia, jornalismo etc. Psicologia Social do Racismo – Estudos Sobre Branquitude e Branqueamento no Brasil é um ótimo livro de gente corajosa que resolveu falar do outro lado. Junto com Aqui Ninguém É Branco, de Liv Sovic, O Espetáculo das Raças de Lilia Moritz Shwarcz e Branquidade – Identidade branca e Multiculturalismo de Vron Ware compõem o quadro das grandes obras que falam sobre a historia da branquitude brasileira. Leitura de impacto com certeza.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

APERTE O PLAY!!! Margareth Menezes - Côco do M

Este é o novo clip da cantora Margareth Menezes. Gravado na feira de São Joaquim e na Ilha dos Sapos, estúdio do cantor Carlinhos Brown, o clip foi dirigido por Wiland Pinsdor. O material faz parte de um dvd que será lançado em agosto deste ano e só está esperando o burburinho da Copa da África do Sul passar para alcançar o devido reconhecimento - se for lançado este mês ninguém olha!!! O clip é muito massa, o diretor conseguiu captar de forma mágica a energia da feira (se vc não é de Salvador é programa obrigatório passar por lá) com as várias culturas afro brasileiras que passam pelo lugar. O material foi filmado em full HD com lentes em 35 mm (chiq a negona!) e tem uma direcão de fotografia primorosa. Estou ancioso pelo dvd, que tem um repertório fantástico que incluem além desta Côco do M, Saudação ao Caboclo, O Quereres, Lua no Mar entre outras e conta com as participações de Gilberto Gil, Luiz Represas, Carlinhos Brown e Roberto Mendes. Se o resto for da mesma qualidade do clip... tudo vai ficar massa!!!!!!!!!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

APERTE O PLAY!!!!!!! - Perle Lama - Aime moi plus fort

Perla Lama veio da Ilhas do Caribe direto para encantar o mundo. Seu zouk é realmente diferencial. Primeiro que foi uma das cantoras a dar substancia ao ritmo, lembrando que a msuica francesa também pode ser cantada em crioulo e fazer sucesso em várias partes do mundo. Outra característica sua misturar o zouk não só ao R&B (quase todo cantor famoso de zouk faz isso hoje), mas também o soul e o reggae. Além disso fala de amor, de resitencia, das misérias da guerra em suas canções... Mas também é sensual como ninguém. Eis um exemplo de um de seus clipes bem feitos. O único mal de Perle é passar anos sem gravar nada. E olha que o jejum dela já dura uns três anos... Mas é uma diva do zouk. Simples e talentosa. Muito diferente da americanada que vemos todos os dias na tv...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma Prosadora de Mão Cheia! Entrevista com Cidinha da Silva (PARTE 1)

Ao receber as respostas da entrevista com a escritora Cidinha da Silva tive instantaneamente a mesma sensação da menina que consegue o livro tão sonhado no conto clássico de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina. Cidinha me pediu calma semanas atrás para responder as questões que lhe enviei e eu (não muito) calmamente esperei. Estava ansioso por suas respostas, confesso. Cidinha da Silva é prosadora de mão cheia, organizadora de Ações Afirmativas em Educação: experiências brasileiras (Selo Negro Edições, 2003, 3a edição). Co-autora de Racismo e Anti-racismo na Educação: repensando a nossa escola (Selo Negro Edições, 2002, 4a edição)e Racismo no Brasil (Peirópolis, 2002). Tem dois livros de histórias curtas publicados pela Mazza Edições: Cada Tridente em Seu Lugar (2007, 2a edição)e Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor! (2008), além de outros trabalhos. Na entrevista postada abaixo (dividida em duas partes) ela fala sobre o ato de escrever, como se dá a construção de seus textos e também sobre literatura, cinema, outros escritores, racismo, cultura negra e uma infinidade de assuntos... Já li e reli essa entrevista antes de posta-la, descobri universos, aprendi muito a cada linha escrita. Ler Cidinha da Silva é sempre um aprendizado. Aproveite.
  1. A literatura tornou-se um caminho para expor suas idéias a partir de que ponto na sua vida? E o porquê escolheu a prosa como o seu caminho na escrita?

Eu comecei a publicar literatura em 2006, 1a edição do Tridente, aos 39 anos. Minha paixão pela leitura e pela escrita, entretanto, teve início quando comecei a ler, aos 5 anos. Os quadrinhos foram a primeira descoberta e mesclaram-se (continuam a se mesclar) com diferentes livros e autores ao longo da vida. Eu me sinto fluida, feliz e confortável ao escrever prosa. Os poemas doem muito, prefiro lê-los. Aliados à dor que me afasta (tenho pouca resistência para sofrer ao escrever), faltam-me talento poético e técnica para criar poemas. Ao contrário do que muita gente professa por aí, escrever um poema é algo dificílimo. Lapidar a palavra até alcançar a precisão da expressão não é para muitos. Tenho me contentado em pescar a poesia da vida vivida para a minha prosa.

  1. Existe muita informação vinculada no Brasil que o próprio Brasil não lê, não se mostra interessado pela literatura, por um arsenal de motivos, mas o principal que geralmente citam são os altos preços das publicações. Como autora de livros infantis, crônicas, além de volumes ligados a área da Educação, como você enxerga a relação da literatura com o brasileiro?

Antes de qualquer coisa é preciso investir na formação de público-leitor. Diversos são os fatores que dificultam a promoção da leitura, o gosto pela literatura, e são anteriores ao preço elevado dos livros. Vejamos: inexiste, no Brasil, uma cultura de valorização do livro, do(a) leitor(a), do conhecimento e do prazer de ler. Falta incentivo ao contato das pessoas não intelectualizadas com o objeto-livro, principalmente por parte das elites intelectuais e dirigentes, que seguem, ao longo de séculos, tratando o livro como um bem destinado a um grupo de pessoas eleitas. O número de bibliotecas públicas nas cidades, com programas massivos e atraentes para convidar as pessoas a freqüenta-las é insuficiente. Não existe também um número satisfatório de bibliotecas nas escolas públicas, quando existem, possuem acervos ultrapassados e pouco dinâmicos no sentido de fomentar a circulação de livros. Graça o desestímulo à leitura na maior parte do ensino de Português e Literatura nas escolas públicas brasileiras, no qual se privilegia aquilo que supostamente “o autor quer dizer” e que o professor (onisciente) sabe o que é, restando ao pobre estudante encontrar “as respostas certas” no processo de interpretação de texto, que, por si só, deveria ser algo subjetivo e pessoal. Por fim, o preço dos livros de literatura no Brasil não é competitivo comparado a outras opções de entretenimento. O alto preço das obras é definido por fatores agregados, tais como: baixa tiragem de cada edição, circulação lenta dos livros na venda a varejo (em livrarias e similares) e ausência de uma política de popularização e valorização da leitura.

3. Nos últimos anos a literatura infantil no Brasil teve uma grande mudança com a chegada de vários exemplares com histórias envolvendo a temática da cultura afro brasileira e africana sem estereótipos. O curioso é observar dois movimentos que se vê na compra desses exemplares; o adulto que compra o livro para a criança (público alvo) e adultos que compram os livros para si mesmos. Para você, escritora também de uma novela juvenil, qual o impacto que esta nova literatura negra tem sobre adultos e crianças negras?

Houve mudanças pontuais e simbólicas, discordo que tenha sido algo grande. A inflexão de impacto na literatura infantil e juvenil no Brasil, de maneira global, ainda está circunscrita aos anos 70 e 80, com a geração dos grandes escritores e escritoras do gênero que vieram após Lobato, a saber, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga e Bartolomeu Campos Queiroz, para citar alguns. No que concerne aos escritores negros, no gênero, temos o precursor e largamente premiado Joel Rufino dos Santos, Geny Guimarães com os belos e premiados “A cor da ternura” e “Leite de peito” e contemporaneamente, Heloísa Pires Lima, que vem fazendo um trabalho muito consistente, principalmente movido pelo diálogo com culturas africanas, além de Edimilson de Almeida Pereira, autor de “Os reizinhos de Congo”, “Histórias trazidas por um cavalo-marinho” e “Rua Luanda”, dentre inúmeras outras publicações. Um autor que admiro muitíssimo, cuja produção literária me ensina muito. Dentre a vasta obra da octogenária e ativa Ruth Guimarães, dedicada à cultura popular do interior de São Paulo, há vários títulos que também podem ser lidos e desfrutados pelo público infanto-juvenil, embora ela não se defina como uma escritora do gênero. Em que pese não ser especialista no tema, arrisco dizer que ainda somos poucos escritores e escritoras negros com trabalho consistente no campo da chamada literatura infanto-juvenil. Pululam livros de afirmação da identidade negra e também os de auto-ajuda para crianças negras (sem esquecer que existem os de auto-ajuda para crianças brancas, nos quais o “inimigo” pode ser o “pivete”, o “trombadinha”, o morador de favela ou de rua, o bom de bola delinqüente e perigoso, invariavelmente representados por personagens negras). Livros em que, o mais das vezes, a tal “mensagem para a criança” sobrepuja qualquer lampejo de criação literária. Mas, não sejamos mais realistas do que o rei, existe espaço no mercado editorial e em nossos combalidos corações para essa produção. Eu mesma sou uma compradora contumaz de livros em que personagens negras tenham destaque na trama, em que apareçam na capa ou quarta capa em posições dignas... compro, leio, faço a triagem, vejo o que serve para presentear os pequenos da minha vida, os que servirão como referências boas ou ruins para minhas aulas e textos, e aqueles que lerei duas, três vezes, por prazer ou para estudá-los. Penso que essa produção de prosa afirmativa da identidade negra, por parte de autores e autoras negros é que abunda, mais do que uma produção literária, propriamente. Por outro lado, há autores não-negros com trabalhos respeitáveis de literatura dialógica com matrizes afro-brasileiras e/ou africanas, neste campo destaco Rogério Andrade Barbosa (com altos e baixos) Lia Zatz e Carolina Cunha. Esta última, devo confessar, não consigo saber se é negra ou não, pois não há referências quanto ao seu pertencimento racial no catálogo ou no sítio da editora (SM Edições). Não há fotografias nos livros e nunca encontrei imagens confiáveis na Internet, é uma incógnita. Encontrei apenas uma definição de que é “baiana de Salvador e desde menina é atraída pelos mistérios dos encantos africanos, por isso se tornou pesquisadora de línguas e artes africanas no Brasil”. O trabalho literário, o que mais importa, é de excelente qualidade e as ilustrações também são belíssimas, feitas por ela. A grande novidade, ainda tímida, me parece ser a entrada de escritores negro-africanos no mercado editorial brasileiro: desde o poderoso angolano Ondjaki, que conta com o lastro marketeiro de uma das maiores editoras do país para sua literatura de incontestável qualidade a autores bem menos conhecidos, mas com um trabalho muito bom, tais como: Adwoa Badoe e Meshack Asare, de Gana, Mamadou Diallo, do Senegal e Sunny, da Nigéria, dentre outros.

4. Você tem cinco livros publicados. Como se deu processo de construção deles? É algo que vai acontecendo de forma livre ou obedece um caminho seguro, regras/padrões/prazos, como prefere fazer alguns autores?

Tenho quatro livros publicado, três de literatura e um de ensaios. O quinto livro está pronto, mas ainda inédito. Segue o processo de garimpar editoras e participar de concursos, é também um infanto-juvenil. Normalmente sou uma pessoa organizada para trabalhar, o desenho e organização dos processos é importante para mim, mesmo que vá mudando muita coisa pelo caminho. Gosto de escrever pelas manhãs, meu horário mais produtivo para a vida. Quanto a prazos, depende da demanda, tanto da minha demanda particular, interno-afetiva com o texto em tela, quanto da demanda externa. Um bom exemplo é quando tenho prazo para entregar o trabalho a uma editora ou para inscrever o livro em um concurso. Os prazos e a organização não me atrapalham, ao contrário, me ajudam.

  1. O que muda em Cidinha da Silva a cada livro escrito e publicado?

Creio que são as mudanças trazidas pelas coisas boas que acontecem na vida: às vezes são surpreendentes, outras são presentes esperados e merecidos, às vezes são avatares de alegria, de melhores tempos... um livro escrito e publicado é invariavelmente uma coisa boa e as coisas boas nos tornam seres humanos melhores.

Entrevista com Cidinha da Silva (PARTE 2)

6. Você além de muitos afazeres também é blogueira, pelo que vi ao contrário de muitos blogs por ai, você posta com certa freqüência nele sobre cultura negra, literatura, quadrinhos e sua vida profissional também. Vi pelas postagens que sente às vezes vontade de desistir e tem vezes que parece estar animada escrevendo-as. O que a motivou usar esta ferramenta virtual?

Iniciei o blogue pouco depois de começar a publicar literatura e tinha o objetivo primeiro de dialogar com meu público, de atingir a um público maior e de ocupar uma fatia de espaço virtual pouco ocupado por escritores e escritoras negros brasileiros. Nunca pensei no blogue como um espaço para produzir literatura, vejo-o muito mais como um espaço de expressão política por meio da arte que acredito e gosto. Às vezes oscilo quanto à continuidade dele porque tenho menos tempo para escrever do que gostaria, isso às vezes me frustra muito. Gostaria de postar mais textos autorais do que notícias, de ter tempo para comentar as notícias e desenvolver minhas reflexões.

  1. Foi através do seu blog também que acabei sabendo que obras suas estarão em breve em versões cinematográficas. Instantaneamente lembrei filmes como A Cor Púrpura, que foi odiado inicialmente pela autora Alice Walker até ela, anos depois, compreender que seu livro tinha virado outro produto e também de Paulo Lins cujo seu Cidade de Deus foi reinventado nos cinemas. Quais são as expectativas e medos em relação à sétima arte inspirada na sua literatura?

Primeiro é importante dizer que algumas obras minhas estão em processo de adaptação como curtas de ficção, nada de telona, por enquanto. Segundo, fico muito animada, sempre, porque acho o cinema um grande barato. O Joel Zito Araújo, amigo querido e cineasta que respeito muito, disse certa vez que tenho textos muito “fílmicos”. Pelo que entendi do comentário dele, são textos que se prestam bem ao cinema. Outro amigo querido, o poeta Ricardo Aleixo menciona a agilidade da minha escrita, o que também está relacionado à imagem, não é? Então, esse “coqueteio” com o cinema é algo que me alegra muito. Por fim, pelo menos de forma racional, separo a obra literária das outras expressões artísticas que ela inspira. Mas gostaria muito que meu texto fosse para o teatro, por exemplo, assim como o texto de Marcelino Freire tem ido, ou seja, de maneira integral, sem cacos, sem xistes de ator, sem acréscimos ou cortes na palavra minha. Que a arte do ator apareça pela interpretação do meu texto que se manteria integral, intacto, isso é um sonho de consumo. Neste momento, a Iléa Ferraz, ilustradora do Pentes e também atriz de sucesso, está montando um espetáculo a partir dos textos do livro “Os nove pentes d’África”, com estréia prevista para agosto, no espaço Tom Jobim, aqui do Rio de Janeiro. Vi uma prévia no lançamento do Pentes, realizado em março deste ano, no Centro Afro-carioca de Cinema, também no Rio. Trata-se de uma criação de dramaturgia, música e de expressão corporal a partir do texto, escrito por mim e das imagens dos pentes desenhados por ela, mas ali não estará o texto “Os nove pentes d’África” em sua integralidade. É uma possibilidade interessante, exige um desapego afro-zen. Estou empenhada em abrir o coração para as novas obras que nasçam a partir da minha. Entretanto, há uma coisa que me irrita, é quando atores ou performers dão ao meu texto uma corporeidade espalhafatosa que meu texto não proporciona. Por mais que a pessoa viaje, não cabem efeitos exagerados em um texto econômico como o Pentes, por exemplo. Já aconteceu algo assim e fiquei bastante frustrada. Senti como se a atriz pusesse meu

texto no chão e descarregasse um pente de tiros de metralhadora sobre ele. Pareceu-me uma performance pronta (e talvez eficaz em outros contextos) encaixada no meu pobre texto.

  1. Você é graduada em historia pela UFMG. Só que virou escritora de renome no cenário da literatura negra nacional. Existe lugar para a historiadora Cidinha quando a escritora entra em ação? A historia que estudou na universidade influencia de alguma forma as historias que conta como escritora?

Sua pergunta tem várias partes. Para início de conversa não me vejo como uma escritora de renome em qualquer cenário, agradeço sua manifestação de carinho e apreço por mim e por meu trabalho. Sou uma escritora séria, dedicada, uma pessoa que lê muito, inclusive para enfrentar suas inúmeras lacunas de conhecimento, que estuda para conhecer novas técnicas de escritura e apurar as que tem, além de escrever e reescrever todo o tempo que minha vida de operária do intelecto (de onde vem meu sustento) permite. Eu tenho verve de pesquisadora e isso me acompanha em todas as atividades, não a pesquisa acadêmica, mas a pesquisa movida pela curiosidade de conhecer, pela necessidade de desenhar a planta baixa de uma obra literária, pela necessidade de melhor construir um projeto artístico. Relendo meus primeiros textos, os publicados e principalmente os que não publiquei, seja pelo meu próprio discernimento, seja por sugestão de outrem, percebo que, mais do que a historiadora, a ativista me tolhia. Hoje estou um pouco mais solta, mas às vezes ainda sou lembrada (por mim mesma ou por leitores críticos) de que a ativista deve se recolher quando estou escrevendo literatura. Como disse Nadine Gordimer ao comentar sua produção literária e a luta inescapável contra o racismo na África do Sul dos tempos terríveis do Apartheid, “estamos discutindo assuntos importantes. Agora vamos deixar de falar sobre eles para que eu possa voltar à questão de escrever sobre eles”.

  1. Vi criticas, sempre muito positivas, sobre seus livros, principalmente “Você me deixe, viu?Eu vou bater meu tambor!”. Na maioria delas, evocam um lado profundo, de uma literatura engajada, feminista, quase uma pretensa responsabilidade sua em escrever literatura negra feminina, pois é autora negra. Eu achei sua linguagem muito simples, temas como sexualidade, amor, relações entre homens e mulheres soltam para o leitor de forma despretensiosa. Você se sente cobrada em escrever literatura negra sobre mulheres, pois é uma autora negra? Como lida com as criticas positivas e já recebeu alguma negativa, já que não encontrei nenhuma?

Primeiro vou comentar o preâmbulo para depois responder às perguntas. Você é um afortunado, eu tenho menos acesso às críticas do que você. Nós, no Brasil, inclusive na Universidade, somos pouco críticos, não é? A crítica é tomada como algo pessoal (às vezes o é, de fato) e as pessoas têm medo de ganhar inimigos ao criticar um trabalho. Confesso que vez ou outra, eu mesma tenho medo de criticar, principalmente trabalhos de amigos. Creio que tendo a lidar bem com a crítica séria e fundamentada, mas se forem coisas destruidoras, maldosas ou burras, convoco a dupla dinâmica das estradas e vamos buscar caminhos. Sim, minha linguagem pretende ser simples. Quero alcançar as pessoas, quero ser lida. Além da simplicidade, busco a economia textual, pois sou prolixa e não quero que meu texto o seja. Sim, me sinto cobrada, apenas por homens que pensam saber o que uma prosadora negra deveria produzir em terras tupiniquins. Em geral, eu ouço as sugestões deles, atenta e muda, mas elas entram por uma orelha e saem pela outra, não esquentam lugar no meu cocoruto.

  1. Vi que o livro Cada Tridente em Seu Lugar foi lançado também em formato e-book. Mas muitos autores atualmente publicam somente na web seus escritos, às vezes por conta que não possuem editores ou até por gosto mesmo dessa nova ferramenta. Está em seus planos publicar algo somente no mundo virtual?

O Tridente será lançado como livro eletrônico, em breve. Estou muito contente porque a editora escolheu três autores para abrir esse caminho e eu estou entre eles. Tenho planos de publicar uma obra virtual, sim. Será um trabalho embasado pelo Pentes e em conversas sobre literatura, especificamente sobre a minha produção literária, desenvolvidas com pessoas diversas em comunidades de favela e periféricas da cidade do Rio de Janeiro.

  1. Para Cidinha da Silva ser escritora negra no Brasil, um país com racismo velado, é...

Uai, racismo velado onde, cara pálida? O racismo aqui é virulento - em que pese não haver racismo brando em lugar algum, é só para contrapor o suposto disfarce - e escancarado. Mata, obstrui e aniquila. Eu sou uma mulher negra aqui e em qualquer lugar do mundo. Mais do que uma escritora negra sou uma negra escritora, tal como seria uma negra médica, gari, cozinheira, professora universitária. Ser negra é nome. É substantivo, principalmente em sociedades racistas e racializadas como a brasileira.

O MELHOR E O PIOR DE... Marlon Wayans

O MELHOR: Requien Para Um Sonho. O que dizer de um filme falando sobre drogas, mas com roteiro longe do moralismo? Uma abordagem sublime e nada convencional. Wayans está muito bom no papel do traficante que vive entre o "barato" e a dor da dependencia.O ator apesar de ter uma carreira muito mais consolidada que seus irmãos no cinema, participando de produções pequenas ( Tupac: Resurrection) e outras grandiosas (G.I. Joe - A Origem Cobra), entrega em Requiem a sua melhor intepretação e foge do estereotipo que ele próprio construiu em seus filmes de comédia. É um ator e tanto, pena que ele mesmo não veja isso...


O PIOR: Todo Mundo em Pânico 2. A continuação de um filme "brilhante" que deveria ter parado no primeiro capítulo? Eis então um dos piores filmes paródia de todos os tempos. A única cena que se salva Wayans está longe dela, a primeira cena do filme homenageando o clássico O Exorcista. Além disso, o personagen repetido pelo ator na continuação morreu no primeiro filme e reaparece misteriosamente no segundo capitulo da cine série. Realmente uma das piores coisas que já vi na vida. O resto todo mundo já sabe... Com a volta da série Pânico aos cinemas com seu 4º capítulo, o ator que é também produtor da série Todo Mundo em Pânico já está com o capitulo 5 pronto e com certeza deve arranjar o capitulo 6, 7, 8, 9, 10... Deus nos ajude!...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Flor do Deserto

Um aviso: Flor do Deserto, filme escrito e dirigido por Sherry Horman, que conta a historia da modelo somali Waris Dirie, faz bem para a alma. E um bem incrível! O filme me surpreendeu do inicio ao fim. Principalmente porque fui ao cinema com poucas informações sobre ele. Digo que foi o maior “risco cinematográfico” que já corri em anos. O filme é divertido, chocante, triste, emocionante, lindo, tudo na medida certa. Um filme leve que toca em assuntos sérios de forma única.

A história de Waris Dirie é um conto de fadas da vida real. Tudo que for improvável acontecer na vida de alguém aconteceu com ela e sua história sempre foi um prato cheio para um bom filme que agora transformou-se em realidade. Dirie viveu na Somália, país africano que circucinda suas mulheres quando ainda são crianças no intuito de purificá-las. Fugindo de um casamento arranjado, ela vai ao encontro da avó materna atravessando todo o deserto, passando sede e fome, chegando a Mogadishu, capital da Somália. Lá, passa toda a adolescência vivendo longe da mãe e não é alfabetizada pela família. No final da adolescência viaja para a Europa fugindo de uma guerra civil, acreditando que lá sua vida pode melhorar e vai trabalhar na embaixada do seu país como empregada domestica. Logo depois sair da embaixada e viver perambulando pelas ruas de Londres, comendo lixo e sem ter lugar para dormir é descoberta em um restaurante por um grande fotografo que lança seu nome para o resto do mundo.

Mas não se engane, o filme não é algo leve e despretensioso totalmente. Ele só faz uso de um caminho diferente para contar a historia de Dirie. Ao invés de carregar no drama, de vitimizar a infância da grande modelo, ele vai e volta no tempo equilibrando grandes momentos dramáticos com ótimos momentos de humor. E funciona da melhor forma possível.

Não tem como o espectador não se encantar com a historia de Waris Dirie, que no filme é feita (magistralmente) pela também modelo Liya Kebede (a esquerda na foto acima junto com a Dirie original). Sua interpretação é tão bem feita que o espectador se encanta e torce pela personagem. Na sessão em que estive presente, o público vibrava a cada passo certo dado e murchava a cada drama vivido. E o resto do elenco também está maravilhoso. Além disso, tudo, a Londres do filme transpira realidade, com gente de todos os cantos do mundo, falando um inglês carregando de sotaques diversos.

O filme tem defeitos? Sim tem. A relação entre Dirie e sua mãe quando ela consegue voltar pra Somália é passada de raspão e o filme apela para um interesse romântico que nunca se resolve realmente. Mas é tudo feito tão rápido que não dá quase para reparar. Quando você pensa já está fisgado pela historia da modelo que vira símbolo contra a pratica da circuncisão feminina em todo mundo.

E friso esta característica do filme. Waris Dirie vira símbolo de uma luta contra um costume somaliano que mutila e mata muitas vezes mais de 6.000 mulheres em seu país. E ela fala com propriedade, pois veio de lá. Não é um liberal europeu ou de outra parte de mundo querendo “socorrer” a África. Ela é africana, como diz em seu discurso na ONU, ama sua mãe, o seu país e seu continente e sabe que uma parte mutilada mutila todo o resto de uma pessoa. Ela é o exemplo de uma África chamando atenção da própria África. A cena da mutilação, exibida no final do filme é chocante. Confesso que nem vi muita coisa, pois vi a cena de lado, na maioria do tempo, pois não agüentei o baque.

Waris Dirie é uma personagem e personalidade encantadora. E o filme Flor do Deserto passa sua historia de forma leve e violenta nos momentos certos. É um grande pequeno filme que merece e muito ser visto e revisto.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Aperte o Play!!!!!!!! Jennifer Hudson - And I Am Telling You I'm Not Going

Um dos grandes momentos do cinema negro norte americano. Sem sombra de dúvidas. Uma das melhores canções que o cinema musical já presenciou. É brega ao extremo, assim separada, sem voce ver o filme. Mas cai como uma luva junto ao desespero da personagem Effie que está perdendo tudo que conseguiu na sua vida, principalmente seu grande amor. E Jennifer Hudson realmente é um achado. Perdeu o Idolos estadunidense, mas ganhou o mundo. E ainda por cima, em um musical protagonizado por Beyonce, consegue roubar as cenas todas as vezes que está presente. E rouba com facilidade, seu personagem, apesar de coadjuvante, tem a melhor história do filme, suas canções também são as melhores, além do talento de Jennifer que não tem igual.

Aperte o Play?????? Ultra Nate - Give It All You've Got

Gente o que é isso? Os clipes da cantora Ultra Naté nunca foram lá grande coisa. Gosto de Free, antigo hit dela que virou um clip simples e massa. Anos depois ela engata novo sucesso com Automatic, clip ousado, com direito a aviso do You Tube por conta das suas cenas "pesadas" - homens insinuando masturbação pela net. Mas neste clip, ela exagera, quer ser sensual e diferente, acaba sendo lugar comum e de muito mau gosto. Uma das piores coisas que já vi em minha vida. A música é ruim, o cenário é horrendo e ainda é digital, a maquiagem dela é bizarra, os homens feios, ela ta ridicula... Gosto muito dela, mas neste clip nao! NÃO!... Se tiver coragem dá uma espiada ai em baixo.