Fiquei pensando enquanto saia da sala que exibia Besouro, relembrando as cenas de ação e as dos orixás protegendo o herói na minha cabeça, como seria a recepção de um filme desse quando eu era garoto. No cinema que estava vendo o filme a maioria esmagadora era de adultos, até porque a sessão era a noite, iria acabar tarde e “já era hora de criança ir dormir”. Sai do cinema ao som de aplausos (!!!) com caras de trinta e poucos anos vibrando parecendo moleques de doze. Só faltavam dizer que iriam comprar o boneco do personagem principal. Confesso que se tivesse a venda comprava de todos os personagens...
O filme é correto e pronto. Não trata-se de um filme magnífico, cumpre algumas promessas e foge de outras de fininho como quem não quer nada, mas mesmo assim é um bom filme. Mas o que BESOURO tem a oferecer acho é o que vem depois de assistir, é quando a tela para de projetar o filme e a historia ganha a força do boca a boca do povo, da imaginação dos meninos repetindo as cenas do filme, do herói que cresce na cabeça de cada espectador.
O filme do jeito que foi feito, com as frases de efeito, técnicas, roteiro passando determinado tipo de mensagem não poderia ser feito em outra época. Não poderia ver este tipo de filme na mesma época que, por exemplo, Jurassick Park. O Brasil não estava preparado, as pessoas não estavam preparadas para um filme onde os Orixás e os negros tem uma resolução tão bem acabada e respeitosa. Naquela época o movimento negro denunciava os abusos da mídia com os afro brasileiros, hoje seu poder já sai do discurso engajado da academia e chega até as ruas. De uma forma completamente diferente, muitas vezes modificada até para o melhor, mas hoje o brasileiro por conta de inúmeras iniciativas anti racistas tem uma outra perspectiva do processo brasileiro contra a desigualdade.
Mesmo assim ainda existem pessoas que não estão preparadas. Estavam lá as pessoas rindo pois achavam divertido as frases de um dos vilões do filme e se divertia a cada episodio que BESOURO pisava na bola. Acho que este numero de pessoas anos atrás poderia ser melhor. Hoje já não se manifestam tanto (nem todos tem coragem de explicitar seu pensamento, mesmo dentro de uma sala escura) ou construíram uma outra Idea sobre a cultura africana e afro brasileira.
Besouro não poderia ser feito anos atrás, seria muito avançado e até o cinema nacional não funcionava naquela época como funciona hoje. Era tudo invertido. Mudamos do avesso para o direito e hoje os molequinhos podem continuar as aventuras de Besouro e Dinorá quando o filme acabar...
Vamos logo com foco no resultado: quando acaba a projeção do filme Besouro o espectador tem a sensação de que experimentou de um belo prato, mas que não esta saciado totalmente. Ainda sente fome, ainda quer mais. Ou seja, Besouro, filme de João Daniel Tikhomiroff promete, promete, promete e no final das contas não cumpre muita coisa. O trailer lembro a primeira vez que vi no you tube, fique impressionado. Depois de ver ao filme inteiro você se dá conta do trabalho aprimorado de construção do trailer juntando partes de todo uma película em um só ponto. Mas como trailer é só promessa sem muito fundamento, quando o filme passa pelos seus olhos a sensação é de que falta algo para que o sorriso no rosto do expectador não fosse amarelo e sim um sorriso vasto e bonito.
O filme conta a historia do lendário capoeirista homônimo que por conta de um erro seu torna-se herói para proteger os eu povo negro que ainda é tratado como escravo pelo sistema coronelista no século XIX. Protegido pela força dos Orixás Besouro torna-se um herói que joga capoieira, que voa, torna-se invencível e líder de uma revolução. Misturado a todo este contexto existe romance, comedia, ação, uma mistureba boa que todo filme de aventura tem que ter. BESOURO seria a primeira tentativa do cinema brasileiro de quebrar vários tabus construídos durante anos: o primeiro é do de o cinema brasileiro não se dá bem com a linguagem comercial। Parece que tudo fabricado no Brasil para ser considerado bem feito tem que ter um pé no alternativo, não foi feito para vender e somente vender e entreter। Mas Besouro,a lém da mesnagem que passa foi feito para divertir tanto a molecada quanto o povo adulto. O filme apesar do discurso engajado tem um objetivo formar um herói produto para toda a família, algo genuinamente brasileiro que pudesse repercutir por todo país। Um segundo fator, seria a loucura do cinema nacional dos últimos anos, ter um pé (ou melhor os dois pés!!!) em gêneros manjados; denuncismo, temática violenta, comedia, comedia romântica, policial, imitação de roteiro hollywoodiano, filme passado em favela। Besour neste quisito é bem mais resolvido, pois é uma aventura jenuinamente brasileira. E por último, o filme traria um personagem negro, herói, forte, com um par romântico da sua cor, ele também orgulhoso da sua raça e da sua cultura. E do jeito que as coisas vão no Brasil com “Zés Pequenos” e afins, Besouro é um personagem realmente diferencial.
O filme infelizmente acaba pecando em vários pontos. Poderia ter mais lutas, mais ação, um roteiro mais conciso, sem tantos erros de continuidade, um herói mais decidido, direção mais pé firme e atores mais bem preparados. Compromete o resultado confesso, a atuação mesmo do ator principal chega às vezes a constranger e os efeitos especiais não são tão especiais assim. Mas trata-se de um produto tão distinto no imaginário brasileiro que mesmo com certos defeitos o filme ganha pontos em se mostrar diferente para a platéia. Diferente ao respeito dado aos personagens negros e a toda mitologia afro brasileira. É neste ponto que Besouro cresce, lindo e voando. No final saímos do cinema não saciados. Tive a certeza que tinha ingerido um produto de boa qualidade, mas queria mais, mais, mais , quem sabe da próxima vez...
O rei do pop, mesmo depois de morto, ainda tem um grande poder sobre as pessoas. entrei na sala de exibição para assistir o documentário “This is It” sobre o que seria o ultimo show de Michael Jackson, o homem que revolucionou a industria da musica no mundo inteiro. Sim ele um poder muito forte. Afinal de contas quem arrastaria aos cinemas de todo mundo multidões (e o cinema que fui em particular estava cheio!) somente para ver um documentário, na verdade um grande making off do show, que provavelmente viraria uma faixa bônus ou até mesmo um segundo disco quando o dvd oficial do show fosse lançado? Quem? Acho que só Madonna atinge o mesmo impacto mundial atualmente no mercado da música.
Aliás, o documentário parece e muito com o da rainha do pop Im Going to Tell You a Secret que desnuda a turnê da cantora que virou dvd duplo no Brasil. O começo vamos dizer que é idêntico, mostrando o teste dos dançarinos e seus respectivos depoimentos e neste ponto sobra rasgação de seda para tudo quanto é lado, afinal de contas é dançar na turnê, ultima como diz Michael no meio do filme, do artista mais consagrado de todo o planeta. O inicio serve para dar pressão antes de Michael aparecer e fazer e acontecer no palco em meio aos ensaios do grande show.
A primeira coisa que deve-se notar é que o show iria revolucionar sim, seria o primeiro a usar 3D, Michael voltaria cantando ao vivo (ele tinha 51 anos se lembra? Nem todo mundo consegue fazer isso), as coreografias dos clássicos interpretados por ele viriam misturadas a novos passos, tudo certinho. Mas também... sempre tem um porém não é mesmo?... o show se parece com muitos que vemos por aí. A pergunta que fica no ar é... Michael revolucionou tantas pessoas, tantos artistas, mas será que ele revolucionaria novamente?... Será que ele poderia revolucionar a sis mesmo e a indústria da musica? Ok, deixo essa pergunta no ar, não me atrevo a falar muita coisa, pois o que vemos no show são seus preparativos e segundo o próprio cantor, nem ele está cantando pra valer ali nos ensaios.
O documentário, ou grande filme de bastidores, chame como quiser... é um filme correto apenas, cresce por conta do rei que a cada cena quer se superar, quer dançar de uma forma sempre diferente e que faz a platéia delirar. O show prometia ser uma revolução... Mas o rei do pop, Michael Jackson revoluciona mesmo depois de morto.
Qual a sua perspectiva quando o assunto é negritude no Brasil?... É... a pergunta é essa mesmo, sem embromações, nem muitos desvios. Quando você pensa no futuro do país em relação à negritude o que vem a sua cabeça? Mas antes que você comece com a avalanche de teorias e probabilidades sobre o assunto, sobre o futuro que tal começar olhando para dentro de si para depois enxergar o jardim do vizinho?...
A pergunta veio em mim, logo depois de assistir ao filme ORI semana passada. Dirigido por Raquel Gerber o documentário traça um perfil dos movimentos negros a partir do final da década de setenta. O filme traz depoimentos de ícones do movimento negro no Brasil e imagens reveladoras. Infelizmente como se trata de um documentário ORI não vai ter uma carreira extensa como um filme de ficção qualquer e olha que a copia disponível aqui em Salvador é digital, qualidade boa, presente em um excelente cinema Espaço Unibanco Glauber Rocha, conforto e o cine ainda é barato. Um evento raro.
Ao mesmo tempo em que constrói um panorama sobre alguns movimentos negros brasileiros ORI traz algo extremamente diferente de outros documentários: o não didatismo! Diferente de outros documentários que vemos por ai o filme com narração de Beatriz Nascimento (ativista do movimento negro e historiadora) não tem um tom explicativo durante sua projeção. Não é um documentário qualquer... Trata-se de um registro, na voz de Beatriz Nascimento, sobre negritude, diáspora, sobre a força do negro africano que foi escravizado e teve sua cultura efetivada em território brasileiro através da resistência... Apesar de ORI pecar em vários momentos, edição fraca, trilha sonora mal construída, projeção longa demais, o que sustenta o filme realmente é a voz incansável de Beatriz Nascimento. Não é sobre ela o filme, mas quando surge na tela você tem a certeza que a película é toda ela!...
E com a narração de Beatriz o filme cresce, ao mesmo tempo que surge na tela movimentos negros, debates, conflitos, negritudes das mais distintas, surge também a negritude da própria Beatriz Nascimento que revela-se ao longo do filme mostrando o processo de construção e reconstrução da sua negritude conforme o tempo. Ao final da projeção pude entender que ORI pode ir além e nos convidar para um processo de autoconhecimento. A narradora do filme foi assassinada anos depois, mas deixou sua marca na cinematografia brasileira, além de muitos outros trabalhos para o desenvolvimento da comunidade negra no Brasil. ela fez algo! E algo que valeu a pena. E eu? E você? O que fazemos?
É certo para todos nós que a comunidade negra brasileira precisa de várias coisas e apesar de varias políticas afirmativas funcionando no país a população negra no Brasil ainda precisa de mais. E quando assisti ao filme me veio à cabeça que nos congressos, nos simpósios, seminários etc as pessoas que estão lá querem o que na verdade?... Ascender individualmente? Coletivamente? Fazer a tese de doutorado em universidade de renome e publicá-la? Dizer que o sistema está errado, que ele é racista, que segrega e ficar de braços cruzados esperando que a solução caia do céu? Ou transformar o mundo começando por si mesmo?
Confesso que a coragem de Beatriz Nascimento de oferecer ao publico o seu processo de descoberta, de formulação de uma identidade negra forte, me surpreendeu. Existem momentos em que a película revela a pessoa Beatriz com sues entraves, suas descobertas, suas duvidas e não a heroína/ícone que ouvia tanto falar em congressos, seminários, palestras... Ela mostrou-se gente como eu e não um exemplo como mostram os outros...
Depois de ORI e tudo o que vi durante o filme tenho capacidade de crer não em uma negritude universalista. Mas em identidades negras que não são fixas, que se transformam a todo momento, pois a cultura negra é uma cultura de resistência e as estratégias são sempre diferentes com o tempo que muda a cada minuto. Creio em uma identidade negra formulada de diferentes formas, sem modelos pré estabelecidos do que é ser ou não ser negro, que dê valor a tradição, mas também ao novo. Que saia do gueto e da sua proteção e se expanda por outros territórios. Nem tudo esta acabado. Beatriz afirma uma identidade negra sempre em construção, África, America e novamente Europa e África, Angola, Jagas... Como diz sobre si mesma, trata-se de uma mulher atlântica. E nós também somos!
Às vezes o cinema prega peças na gente... Vamos a uma sala somente para se divertir e saímos chocados, com queixo no chão, espantados com o que acabamos de ver... A primeira vez que isto aconteceu comigo foi quando eu tinha uns doze anos e fui ver Jurassic Park. Sai do cinema sem noção, como um moleque que ganha a primeira bicicleta, ver todos aqueles animais daquele tamanho... Nossa! E a tela no BAHIA era gigante, pelo menos naquela época. Anos depois em 1999 em um multiplex desses da vida sai novamente de queixo caído vendo um tal “escolhido” para derrotar o poder das máquinas em um mundo paralelo. Matrix fez com que eu não falasse de outra cosia durante toda a semana. No ano seguinte, vi minha segunda experiência no mundo construído por Spike Lee, A Hora do Show uma das melhores coisas que já vi na vida, meus olhos arregalavam a todo momento, ficava boquiaberto com o texto, a direção perfeita, os enquadramentos, tudo me fascinava. Em 207 um documentário me deixou perplexo, OLHOS AZUIS tirou meu sono, minhas idéias não conseguiam se controlar, o filme é tão bom que ganhou que tem sua própria postagem aqui no blog.
Este ano, o cinema me apronta uma novamente. Distrito 9 balança minhas idéias e torna-se uma das surpresas mais incríveis e doloridas que já tive. O filme é uma ficção cientifica, muito bem feita, de um diretor estreante, com orçamento reduzidíssimo, passado na África do Sul, com efeitos de primeira, história impecável, atores maravilhosos, texto equilibrado, emoção no lugar certo. E ainda de Peter Jackson... Sou fã dele desde Almas Gêmeas e Os Espíritos (meus filmes preferidos dele!). Ok, só elogios para Distrito 9? Sim! Claro que o filme tem seus defeitos como exagerar as vezes na sacarina, mas conta sua historia de forma explicita sem rodeios... Tá tudo ali na sua cara, se vire para assistir, se puder...
Distrito 9 fala sobre uma nave alienígena que para em uma cidade da áfrica do sul e o governo do país decide averiguar o que existe por lá. Acham então uma imensidão de aliens subnutridos e descobrem que a nave na verdade quebrou e eles não tem como voltar para casa. O que o governo faz? Aloja esses seres em um local bem em baixo da nave e este logo vira, devido a total falta de organização do governo, uma favela aos moldes das brasileiras. A criminalidade cresce no lugar, junto coma prostituição e outras mazelas. Forma-se então um novo apartheid entre humanos e aliens que são tratados pela alcunha de camarões. Com o tempo a população do distrito chega a um tamanho exorbitante e o descontrole entre população humana e alien é geral. Convoca-se então um novo distrito o 10 que abrigará longe da cidade os aliens tão indesejados por todos.
A partir dessa pequena história o filme cresce de tal forma que não tem como você se envolver com o que esta sendo posto na tela. Dirigido por Neill Blomkamp e com elenco desconhecido para aumentar o estilo documental do filme DISTRITO 9 choca pela violência, pelo politicamente incorreto vomitado na tela e por descascar o ser humano em toda sua individualidade, egoísmo, desespero, agressividade, revelando que o quanto nós somos hipócritas. Em alguns momentos do filme, concordei com a critica Isabela Boscov (Revista Veja) quando diz que ficou envergonhada de pertencer à raça mostrada em DISTRITO 9. realmente o filme impacta o espectador com uma historia absurda, mas que usa de uma alegoria para provocar suas idéias e pensar o que realmente acontece entre seres humano de raças, sexualidades e religiões diferentes.
Sai da sala de exibição meio perplexo, meio triste, mas definitivamente fascinado com o espetáculo que acabei de ver. Infelizmente assisti ao filme mas não volto a vê-lo tão cedo. É forte demais, não chorei, mas tive vontade de sair do cinema varias vezes. Não por que fosse ruim em alguns pontos, mas realmente me incomodava com algumas falas e acontecimentos que corriam pela tela. Mas tenha a sua experiência, veja o ótimo DISTRITO 9e prepare-se para ser exposto pelo filme, com certeza você não vai se arrepender.
Responda rápido. Qual a emissora de TV no Brasil nos últimos anos mais é bombardeada quando o assunto é maus tratos a comunidade negra do país? Ganha um doce quem responder certo... Sim é a TV Globo. Isso não é novidade para ninguém. Quando o assunto é telenovelas a Globo é campeã de catástrofes em relação a comunidade negra. Inúmeros trabalhos por todo o Brasil evidenciam isso. Até filme já fizeram colocando a Globo em xeque com os padrões de beleza e talento que ela vem divulgando ano após ano.
Mudando um pouco de assunto, trazendo mais para a área do jornalismo, a Globo ganha também. O chefão do departamento de jornalismo da emissora Ali Kamel é abertamente (o livro NÃO SOMOS RACISTAS prova bem isso) contra as cotas, dando espaço as pérolas ditas por Ivone Maggie e um certo Movimento Negro Socialista. Quando a população negra aparece nos jornais da emissora são em índices do IBGE que evidenciam a total discrepância entre a população branca e a negra no Brasil ou para falar que o preconceito (por que racismo é uma palavra muito pesada para se dizer com a presença de toda família brasileira assistindo o jornal!!!) no país existe e ponto final. Além disso, outros programas da Globo também são acusados de evidenciar mais a porção branca da população brasileira que as outras que compõem nosso país. Propagandas, seriados, filmes, programas de auditório, educativos, tudo na Globo já foi alvo de criticas e a emissora já virou símbolo de racismo a brasileira no quarto poder. Também, é a emissora mais vista (até hoje!) no país, tem que arcar com as mancadas que comete cada vez que coloca um programa no ar.
Mas ninguém pode dizer que a Globo não está mudando, coitadinha!... Até protagonista da novela das oito negra ela tem... Numa jogada de marketing bruta a emissora resolveu também jogar uma protagonista negra na novela das seis... Além de Heraldo Pereira primeiro comentarista negro da Globo, Zileide Silva apresentadora do jornal Hoje nos dias de Sábado e todos os dias no Bom Dia Brasil, o programa Sagrado, curto, vinculado de manhã cedo, mas está lá mostrando as visões de várias religiões (entre elas as afro brasileiras), com a presença até de Makota Valdina, sobre temas variados da atualidade।
Até apresentador negro em programa infantil agora já tem.Sei que nem todo mundo assiste TV Globinho, mas eles estão lá, tem negro, japonês,
tempra todo mundo e pra todas as raças... Também marcando presença no politicamente correto, existe protagonista negro no seriado Malhação. Além dos seriados como Ó Pai Ó, Antonia e Cidade dos Homens. Só faltam agora despedirem Xuxa e colocarem no lugar uma menina negra com a pele bem escura, de tranças nagô ainda por cima. Aí eu desmaio de vez...
É... a Globo vem mudando... Aos trancos e barrancos. Da maneira dela, uma forma peculiar que só a globeiros de plantão entendem, mas a comunidade negra que antes era renegada a figuração de favelas e papéis domésticos ou marginais hoje tem o seu lugar na emissora...
Ok, a Globo vem mudando... Mas e as outras emissoras?... Pense em cinco apresentadores, atores, contra regras famosos, na grade de programação da BAND... Não conseguiu? Então vamos ao SBT! Eu a Patroa e as Crianças não vale... Na Record tem um “bom” número de atores negros... E na TV Cultura, conhecida como TV do governo, de onde surgiu a personagem Biba do Castelo Ra Tim Bum, que virou a primeira boneca negra inspirada em uma personagem de um programa de TV no Brasil. Ficou difícil? Pois é, um novo fenômeno precisa ser evidenciado, a Globo mudou por livre e espontânea pressão... E o resto?...
Como a maioria das emissoras de canais abertos de televisão vivem de imitar a Globo não é de se espantar que os padrões de beleza da mesma sejam imitados a exaustão. Além disso, todo mundo sabe que todo mundo sabe quem realmente tem poder nessas emissoras e o que deseja vincular como modelo de belo e inteligência. Mesmo em tempos de crise Global, com a emissora perdendo campo para mutantes evangélicos, programas humorísticos em outros canais e babás eletrônicas com seu cantinho da disciplina, ela ainda é o canal que é referencia de qualidade. Seu passado é motivo de orgulho por parte da população brasileira que deixava de fazer muita coisa para assistir sua programação. Por que não imita-la?...
A Globo não é santa e nunca foi. Mudou de cara para tentar calar a boca das várias entidades do Movimento Negro Brasileiro e também por conta da crise efetivada pelo crescimento da Record e suas novelas, a BAND e seu lado esportivo... Ela não é mais a única em entreter com “qualidade” agora. É mais uma no mercado. Está desesperada e mostra agora um lado mais tolerante com a diversidade. A primeira protagonista negra do horário nobre está lá, no terreno global... Precisamos agora assistir tudo isso entendendo o porque que da mudança acontecer e o que está acontecendo em outras emissoras. Continuamos invisíveis ou tudo mudou realmente?...
A Alemanha está em moda em Salvador. Dois filmes estrearam quase que simultaneamente aqui na capital baiana: O GRUPO BAADER MEINHOF e A ONDA. Os dois polêmicos, os dois regados de prêmios por muitos festivais e também filmes de grande sucesso. Os filmes alemãs sempre foram uma pedida de grande divertimento, mas também de surtos de genialidade. E quando se trata de mexer nas feridas do passado, recém cicatrizadas, a Alemanha é ótima neste tipo abordagem através do cinema. Acho que só perde um pouco para os EUA, que ao mesmo tempo que existe um movimento de glorificação do sonho americano, há também um outro para mostrar que o sonho não é tão tranqüilo assim, se é que ele existe na verdade... Com os alemãs dar-se o mesmo fenômeno, cinema revisitando valores, feito para dizer o que ainda está errado, vomitar o pensamento da população, trazer aquilo que parecia morto e enterrado, construindo outros valores.
Com A ONDA, filme esplendido e que você não deve perder de jeito nenhum, o cinema alemão faz o que sabe fazer de melhor. Tocar nas feridas do seu passado e colocar em cheque identidades presentes aparentemente bem construídas. Não é novidade para ninguém que o país se esforça para passar uma imagem de novo, de recuperado quando o assunto é seu passado nazista que abalou o mundo e matou milhares de pessoas. Os esforços por lá chegaram ao ápice na Copa do Mundo, que serviu para que o país mostrasse um lado alegre, amistoso e sem preconceitos de uma nova geração resolvida e sem resquícios das agruras sofridas por gerações mais antigas. Mas com A Onda a Alemanha é revisitada e mostra que sua nova geração é vazia como em qualquer outro país...
O filme conta a história do professor Ross que é designado a ensinar a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista para uma turma de adolescentes. No inicio meio reticente, já que não era bem isto que queria ensinar, Ross vai gostando do assunto e ensinando história com técnicas de aprendizado que muito se parecem – propositalmente – com os arquétipos vistos no país no período em que aconteceu a Segunda Guerra. Disso, o professor desenvolve uma experiência pedagógica perigosa reproduzindo slogans do nazismo como o famoso “Poder, Disciplina e Superioridade” dentro da sala. A partir deste ponto, a sala é tomada por um fanatismo que só vai crescendo e tomando proporções arrasadoras. Os estudantes vão se identificando com a doutrina aplicada em sala de aula pelo professor e o que seria apenas uma técnica pedagógica que serviria para ilustrar a inserção da ideologia do nazismo nas pessoas, vira uma bola de neve gigante que desestrutura a vida dos habitantes da cidade onde o professor vive. O filme foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola norte americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Foi romanceado também e virou filme nos EUA. Mas ambientado na Alemanha ganha outras proporções...
Não vou contar muito sobre o filme por aqui. Posso dizer que como historiador fiquei impressionado com a forma que em que o filme fala sobre ideologia, fanatismo, irmandade, frustração, papeis femininos e masculinos em governos ditatoriais, preconceitos, conceitos muito bem formulados e mais uma infinidade de assuntos. E também como um líder carismático pode influenciar da forma que quiser na população que anda carente de heróis responsáveis e que tenham um ideal para mostrar. A ONDA me lembrou também um outro filme, o documentário OLHOS AZUIS, também já comentado aqui a certo tempo, por desmascarar ideologias que colocam em xeque várias identidades em favor de uma identidade universal.
Como se trata de um filme “estrangeiro” – digo estrangeiro fora do circuito estadunidense, pois brasileiro vê tanto filme norte americano que já acha gente como Will Smith, Richard Gere, Julia Roberts brasileiros com um sotaque diferente – A ONDA está passado pelas salas de arte da cidade... Vi no CINE VIVO no shopping Passeo no Itaigara, espaço pequeno, mas bastante confortável. Assista A ONDA e viaje no infinito que o cinema alemão tem a oferecer.
Salvador é uma cidade perfeita para uma pessoa racista viver feliz! Acha que não? Imagine uma cidade em que a maioria, esmagadora, da população é negra, vive no subúrbio, achatada em lugares horríveis, perigosos e muito distantes da parte “elitizada” ou “branca” da cidade, você lê com o nome que achar melhor. Ainda, em Salvador existe uma cultura negra vendida como principal produto da cidade para os turistas, junto com esta tradição tipo exportação agrega-se estereótipos dos mais vastos e nas mais diferentes categorias. Vende-se além do candomblé, dos batuques do pelourinho, das baianas de acarajé, do Centro histórico, dos ensaios de blocos afros produtos como o pau grande do negão, o tempero quente de uma nega na cama, o moleque de recados, o soteropolitano que não tem mais o que fazer e serve de guia turístico para aqueles que aqui aportam, personagens vivos do filme/série Ó Pai Ó, a piriguete, o rasta etc.
A cidade tem como em qualquer outro lugar uma estratificação enorme. As duas populações, branca/negra – elite/pobre, vive em lugares totalmente diferentes, com signos distintos uns dos outros. Nada diferente de outras cidades do país. Mas o diferencial aqui é que em Salvador nós somos a maioria. Essa maioria segregada vive a mercê da sua própria cultura, sem chance muitas vezes de transformar a sua história para gringo ver em algo mais conciso, com real substancia e que imponha respeito.
Ou seja, Salvador não é realmente completa, para alguém racista viver? População de maioria negra, esmagada pelo subdesenvolvimento, sem instrução sobre si mesma e iludida pelo valor de mercado imposto ao nativo em base dos estereótipos que pipocam em todas as épocas do ano. Na contra mão existe uma outra cidade bonita e em crescimento acelerado que tem uma outra cor, um outro modo de vida, que quando sente necessidade migra para as partes “afros” da cidade para ter um pouco de diversão livre e passageira.
E como toda cidade estratificada que se preze concentra na parte nobre da cidade seus principais pontos de divertimento. Teatros, cinemas, casas de shows todos estão nas zonas consideradas ilustres. Distante, as vezes leva-se horas para chegar em determinados lugares, daquela outra cidade, de cor negra, bem distante dos pontos de cultura oficias. Não que no subúrbio ou periferia não aconteçam movimentos populares, eles pipocam aos montes, mas será que o que é feito no subúrbio é considerado arte?
Salvador há muito tempo já perdeu a tradição dos cinemas de bairro, também a pouco tempo experimentou o sucateamento de cinemas como o BAHIA, o GLAUBER ROCHA, EXCELCIOR, TAMOIO, ART 1 e 2, PAX, JANDAIA, ASTOR E TUPI desaparecerem, viraram igrejas evangélicas ou cines pornôs ou estão caindo aos pedaços ainda. As grades salas, que passam tanto os filmes pipoca quanto os filmes de arte se encontram distantes, em bairros geralmente nobres, shoppings, mas parece que a distancia nestes lugares é mais do que espacial... É ideológica.
Lembro até hoje de sessões lotadas – o Cine Glauber Rocha mesmo tinha mais de 600 lugares e era lindo – nos cinemas do centro, regadas a pipoca e era um lugar onde todos iam. Do advogado ao vendedor de picolé. Lembro de ter visto quando criança e adolescente filmes como Jurassic Park, Jumanji, Batman Forever, Titanic, Mortal Kombat, Lua de Cristal (eu era pirralho perdoem! Além do mais, “filmes de arte” sempre tem censura maior...) os filmes dos Trapalhões, nos cines do centro da cidade. Lembro também que o cinema do Shopping Iguatemi, que hoje não existe mais, tinha um outro público, era bem mais caro e totalmente estratificado, apesar de não existir nenhuma placa avisando a proibição de certos tipos de pessoa... Hoje quando vou aos cinemas de shoppings ou mesmo os cinemas onde são exibidos os chamados filmes de arte o publico cada vez é menos popular, menos negro...
Claro que existe toda a fórmula ideológica na construção das relações de poder do local, também existe a pirataria que fez com que moradores do subúrbio não precisem sair de casa e conferirem os grandes filmes que estão passando. O que parece é que a cultura que passa neste lugares seus filmes e outros tipos de arte que perpassam pelos espaços culturais são feitos para determinado tipo de pessoa. E a mistura que todos falam que existe em Salvador na verdade não existe.
Lembro ainda da experiência de ver os filmes no antigo CINE GLAUBER ROCHA algo mágico até. A pipoca que cheirava a quilômetros na Carlos Gomes, os dois andares da grande sala de exibição... Nada parecido com o insossa movimento de assistir a um filme em um multiplex ou cine de arte com seu público “alternativo” que se acha o máximo só por que está assistindo filme francês do momento ou mais um exemplar de Pedro Almodóvar... O cinema aos poucos transforma-se em uma arte elitizada, perdeu um pouco do seu caráter popular... também não se encontra mais parte de sua magia... Movimentos estão sendo feitos para que o cinema não perca sua característica de arte popular... Mas isso é assunto para uma outra postagem.
PS: Desculpem o saudosismo, ninguém vive sem ele nem que seja um pouco..
Desta vez, nesta postagem, não me atrevo a falar nada... Acho que as vezes as imagens valem muito mais que as palavras... Às vezes acontece esse tipo de coisa, somente às vezes... E este é um grade exemplo!... Daqui a uns tempos estréia Besouro, filme que já vi o trailer, reportagem, blog etc etc... Sabe aquele trailer que quando você vê fica louco para que o filme estréie logo? Não sei se você que está lendo sente isso, mas às vezes (somente as vezes) até frio na barriga me dá de tanta anciosidade... Estou louco para ver. Você também deveria ficar...
Como disse anteriormente, mexi um pouco aqui no Blog। Percorro agora novos caminhos ampliando o sentido de mídia negra... de arte negra... E para começar nesta nova estrada conversamos com o fotógrafo Saulo Salles (ao lado), sobre o seu ofício, suas visões sobre o mercado e arte negra em Salvador e também sobre “Peles Pretas” seu último trabalho, que já foi exposto também em São Paulo e tem dado bons frutos para este fotografo mais que talentoso e inteiramente compromissado com o seu trabalho.
Película Negra – Começando pelo começo... Quando iniciou o interesse pela fotografia e por que logo ela e não uma outra arte visual?...
Saulo Salles – O meu pai já era fotógrafo e de modo geral e involuntário tenho a tendência natural de copiar as suas ações। Acho a fotografia um tipo de arte menos autentica, porque em geral, ela por si só, não faz arte e sim retrata realidade. E criar arte da realidade é o q me fascinou.
Película Negra – Existem fotógrafos que em seus trabalhos pretendem evidenciar a realidade através do mundo visto pela fotografia। Mostram o que existe de belo e triste em camadas diferentes da sociedade através das fotos. No “mundo” construído pelas lentes de Saulo Salles o que o público pode esperar?...
S।S – Beleza por onde sempre passaram e nunca notaram, pelo menos é esta a minha pretensão.
Película Negra – Reparei dois pontos curiosos em alguns de seus trabalhos। A primeira é o uso de modelos negros e a segunda o uso do preto e branco. Só vi até agora uma fotografia colorida. O porquê dessas duas escolhas? Elas se completam de alguma forma?
S.S – Eu comecei a estudar fotografia em Florença na Toscana, a beleza e as cores daquela região italiana são intraduzíveis, e acho que nada teria o mesmo sentido sem elas. Já em Peles Pretas, o preto ( cor e raça ) é a “bola da vez”. E o meu exagero de contrastes é justificado pela proposta do trabalho q é a valorização da beleza negra, nada mais aqui deve ter destaque se não a pele dos modelos. Não teria esse mesmo efeito em cores. Quero o preto e não o marrom ou qualquer outra cor dessa mesma variável।
Película Negra – Hoje na mídia em geral há uma valorização maior e também a problematização das questões que norteiam a negritude। A identidade negra, sua cultura, religião vem sendo reformuladas a cada momento. Você se considera de alguma forma, com seu trabalho, também repensando a visão do povo e da cultura negra em geral?
S।S – Sim. E um sim bem grande rsrs. PELES PRETAS propõe uma releitura de padrões de beleza e de conceitos em relação aos afro-descendentes, já que, até o início do século, os objetos das fotos desta exposição não eram ou não podiam ser vistos como belos.O projeto faz referencia ao aspecto ETNICO para designar a presença das varias etnias negras que formam o povo brasileiro, e evidencia a necessidade de ações proativas para a comunidade negra, em particular, atividades de ampliação de auto-estima, valorização e preservação das tradições culturais negras.
Película Negra – Tem alguma técnica especifica que desenvolve para o seu trabalho?
S।S – Sim, mas isso eu não conto.
Película Negra – Poderia citar algumas das suas referências como fotógrafo e o que elas te ensinaram para dar um “up” na sua técnica no modo como encara a fotografia?
S।S – Admiro muitos fotógrafos, os portugueses principalmente. Tenho amigos-ídolos em Portugal, adoro isso. Nenhum deles, porem, me ajudou na definição de minha técnica, cheguei a ela a muito pouco tempo e ao improviso. As minhas primeiras fotos de “peles” não têm a mesma cara das ultimas, isso graças ao “acidente”.
Película Negra – Dá para viver de fotografia em Salvador? Existe mercado para este tipo de arte visual na cidade? Por quê?
S।S – O mercado de arte é pequeno em Salvador como um todo, fotografia ainda mais. Viver de fotografia de arte é pra poucos. Mas quem faz essa opção deve está atento a ações culturais antes de tentar vender. Vender fotos é uma decisão q só pode ser tomada na hora certa, se for antes do ponto, vc tá fadado ao fracasso e se for depois quer dizer q o fracasso já chegou a vc. O fotógrafo precisa de um bom produtor ou ser um bom produtor.
Película Negra – Para você quais os prós e os contras do “bum” que a fotografia teve com as câmeras digitais?
S।S – Eu acho q ficou mais prática, e mais fácil a ação de fotografar. Sou da teoria da constante evolução. Não vejo contras nisso.
Película Negra – O que falta para a fotografia tornar-se uma arte mais consumida, mais valorizada pelo público। Digo valorização fora do senso comum. Que seja apreciada como arte. Ou já existe esta valorização?
S.S – O mesmo q falta às outras artes, educação da população.Não acho q a musica de qualidade seja apreciada pela maioria, ou o cinema realmente bom, por exemplo। Chamamos filmes horríveis de
filmes de terror, e há quem acredita q vê Cinema, vendo aquilo. Assim é também na fotografia. Realmente não acho q as pessoas compram revistas pornográficas para lerem seus textos. As pessoas compram fotos porque somos todos muito visuais. Se não fosse assim, as revistas teriam textos em suas capas. O q falta é cultura de arte visual e cultura geral.
Película Negra – E como anda a repercussão do seu trabalho a partir do público? Você também já fez exposições fora da Bahia। Fale um pouco dessa experiência.
S.S – Isso é algo que seu próprio público vai poder responder ao ver minhas fotos.Já minha mostra em São Paulo foi discreta, em um local bacana, o Espaço Cultural Juca Chaves na João Cachoeira, Itaim Bibi, como todas as anteriores, nunca fiz grandes alardes ou gastos excessivos com publicidade, acho q não é o momento, tenho apenas 4 anos de fotografia e menos de 2 em Peles Pretas।
Película Negra – Como hoje alguém que quer se enveredar pelo mundo da fotografia pode dar os primeiros passos aqui em Salvador?
S.S – Primeiro passo em minha opinião é fotografar varias coisas diferentes e só depois perceber o q vc fotografa melhor, passar para o processo de descarte, sabe?. Vc pode ter variações de gênero fotográfico, mas ter uma base de referencia profissional é fundamental para um artista. Acho importante fazer um curso, e estudar a arte, por que não se deve fundamentar algo em pura intuição. Definir uma técnica própria, ou copiar uma técnica e por características suas é fundamental para não ser mais um no mercado.E por fim, o mais importante, TER UM BOM PRODUTOR, SEM PRODUTORES ARTISTAS SÃO SONHADORES, E POR MAIS BELOS Q SEJAM OS SONHOS,ELES SÃO APENAS SONHOS।
Vamos logo direto ao ponto... Chorei duas vezes vendo este A Vida Secreta das Abelhas... Por isso se quiser continuar a ler esta critica considere que vai se deparar com alguém que se deixou levar e mergulhou junto com a historia das personagens. Uma outra coisa gosto muito de filmes com elenco majoritariamente feminino। Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, Divinos Segredos, A Cor Púrpura, entre outros são filmes fortes, que lhe ensinam muito, mas ao mesmo tempo transitem uma doçura incrível.
Produzido pelo casal Smith (Will e sua esposa Jada) o filme conta a saga de uma garota branca, Lily Owes, (surpreendentemente mal encarnada pela excelente Dakota Fanning) na Carolina do Sul, EUA, vivendo sua adolescência no começo da década de 60, época da luta pelos direitos civis, em meio ao trauma de ter matado sua mãe quando era pequena, um trágico acidente causado por ela. Lily, então decide fugir das agruras do pai com sua empregada Rosaleen (Jennifer Hudson). Ela foge almejando conhecer o passado de sua mãe e tirar a culpa que ronda seus pensamentos e Rosaleen quer um mundo de plenos direitos. Em uma cidadezinha as duas conhecem as irmãs Boatwright, vividas por Queen Latifah (Chicago), Alicia Keys (A Cartada Final) e Sophie Okonedo (Hotel Ruanda)।
A partir daí o filme da diretora Gina Prince-Bythewood de desenvolve com roteiro simples, sem grandes desenvolvimentos, sem pretensão de ser “O” clássico negro dos anos 2000 – como quiseram ser Amistad e A Bem Amada nos anos 90 – com atuações contidas e ao mesmo tempo brilhantes. A primeira coisa que chama atenção é o quarteto de atrizes negras. Jennifer está contida, bem diferente de sua interpretação em DreamGirls, Queen durana e doce como sempre – o papel caiu como uma luva para ela – Alicia interpreta uma mulher linda e fria e convence na atuação e Sophie Okonedo que dá um show a parte, os momentos em que a atriz está não conseguia olhar para as outras। Quanto a surpresa é presenciar Dakota, atriz maravilhosa (que já roubou a cena de gente como Denzel Washington e Tom Cruise) dar uma interpretação tão pequena a uma personagem tão rica e bem escrita... Uma pena!
Do mais esperem por reviravoltas surpreendentes, frases chocantes (principalmente saída da boca da personagem de Alicia), racismo tratado de forma coerente pelo cinema e uma trilha sonora de tirar o chapéu!!!!!!!!! Sou suspeito para falar, me deixei envolver por um filme simples (estes sempre me pegam!!!), mas A Vida Secreta das Abelhas é aquele tipo e filme para rever novamente sem compromissos, leve e que vai deixar você com um sorriso no rosto apesar das tristezas do mundo!... Pelo menos foi o que aconteceu comigo quando sai do cinema...