terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

PRECIOSA.

Preciosa não é um filme qualquer. Não tem como você sair imune deste filme. Sabe aquele filme que te pega e te vira pelo avesso? Aquele que te dá um golpe certeiro na garganta e te deixa quieto, pensativo, triste, mas ao mesmo tempo esperançoso? A ultima que me senti assim foi em Distrito 9 (que como Preciosa também concorre ao Oscar de Melhor Filme este ano) e o documentário Olhos Azuis. Preciosa também me fez chorar (de tristeza mesmo! Além de fazer chorar quem estava do meu lado no cinema), me fez ficar congelado de tensão, mas o mais importante, por mais que o filme exprima dor ele nunca faz você ficar em revolta ao ponto de estar desinteressado por ele. Preciosa cativa.

O filme dirigido por Lee Daniels primeiro cineasta negro a ter um filme seu concorrendo ao Oscar, além de também concorrer na categoria de direção – conta a historia de Preciosa, uma garota negra, obesa, pobre, analfabeta, que sofre de violência domestica pela mãe, tem 16 anos e está já na sua segunda gravidez, sendo que a primeira filha tem síndrome de down e vive de planos de assistência do governo, isso tudo em 1987 nos EUA. Preciosa é tímida ao extremo, completamente um burro de carga dentro de casa, sendo obrigada a comer compulsivamente comidas nada agradáveis pela mãe, é humilhada em todo canto que chega. Uma outra característica que chama atenção é o fato dela olhar sempre pro chão, nunca para frente de cabeça erguida evidenciando o grau de submissão perante a sociedade. Preciosa não enfrenta as circunstâncias, não tem forças para isso, muito pelo contrario, ela se entrega totalmente e torna-se um protótipo de solidão, amargura e estima baixa. Para escapar da vida horrível que leva Preciosa sonha com um mundo da fama cheio de acontecimentos e com um namorado de pele clara. E sim, existem outros problemas que Preciosa vai enfrentar que não me atento contar aqui...

Mas não se engane, Preciosa não é do tipo de filme de um personagem “Zé ninguém” que consegue dentro de duas horas se safar de todos os problemas existentes e dar uma lição ao publico de que tudo de ruim pode ser superado. Preciosa encanta justamente por trazer o contrario. O que ela ensina a nós publico é uma outra lição, não vou entregar o filme – você vai ter o prazer de ver essa maravilhosa produção – mas como já diz o cartaz, “A mais longa jornada começa com o primeiro passo.”.

Produzido pelos dois Midas norte americanos, Oprah Winfrey e Tyler Perry, que dispensam apresentações, o filme está concorrendo a seis Oscar, filme, direção, atriz, atriz coadjuvante, roteiro adaptado e edição, todas as indicações são merecidas. O de filme Preciosa não leva infelizmente, pois tem candidato mais forte/mais cara da academia este ano concorrendo junto com ela, além que tem Avatar que não deveria ganhar, mas pode dar o ar de sua graça com o premio principal. Apesar do belo trabalho, Lee Daniels pode não ganhar para o ótimo trabalho de Quentin Tarantino com Bastardos Inglórios. A estreante Gabourey Sidibe apesar de interpretação avassaladora pode não ganhar para o furacão papa premio Sandra Bullock com Um Sonho Impossível. Já com o premio de Atriz Coadjuvante a comediante Monique pode levar o Oscar, sua intepretacao é muito bem feita, tem só em Vera Farmiga de Amor Sem Escalas uma grande concorrente. No caso de roteiro adaptado o academia também pode dar a Geoffrey Fletcher o premio sem problemas, é de longe o melhor dos concorrentes.

Mas independente dos prêmios que ganhar ou não, e olha que já ganhou uma infinidade, Preciosa vale muito a pena pelas lições que projeta no espectador. Não é um filme de lições de moral, mas para cada pessoa vai inserir um sentido diferente. Mesmo que você seja completamente diferente da protagonista. O filme vale muito a pena, é bonito, não cai no melodrama fácil, não é em nenhuma parte um filme didático, é seco, difícil de engolir, mas mesmo assim é a experiência cinematográfica mais feliz que tive em anos. Perdoem o trocadilho, mas Preciosa é um filme precioso, realmente.


Show de Beyonce em Salvador...

OK, Ok. Demorei de postar algo sobre o show de Beyonce. Demorei, mas a postagem está aqui. Foram cinco horas na fila, mais três horas e meia esperando o show principal começar, some também cinqüenta mil (!!!!!!) pessoas no parque de exposições separados em pista vip, pista normal e dois camarotes. Existem outros números é claro, ingressos vendidos exorbitantemente a preços que variavam entre R$ 60 (primeiro lote) e R$ 370 reais, água mineral (no local do show, copo aberto com 400 ml) a R$ 4,00, camisas feitas com tecidos fubengas pela “bagatela” de R$ 20,00, entre outros absurdos... Mas no final das contas tenho a certeza que quem foi (independente de onde estivesse no Parque de Exposições) não se arrependeu e adorou o show da diva e inesquecível cantora Beyonce.

Aqui em SSA foi o ultimo show da turnê I AM... Tour! no Brasil. e depois de tanta espera, do show ter passado por três capitais, sendo que no Rio de Janeiro foram duas apresentações, a vontade de ver a mulher do ano eleita pela Billboard norte americana só aumentava. Mas o dia chegou e sem exageros nunca vi nada como o show de Beyonce. A produção, a banda, os dançarinos, os fãs, o som, aquele telão gigante reproduzindo imagens gravadas e ao vivo. Impressionante! Tudo no show da cantora é grandioso, e a diva que nos CDs faz musicas esplendidas, ao vivo torna-se quase como uma deusa. Canta muito, dança de forma fenomenal, é simpática (algo necessário atualmente para sobreviver no concorrido mercado da música atual. Nada de chiliques, ok?) e dá para ver que adora o que faz e não é mais uma diva fabricada.

O show começou atrasado, depois da pontual abertura de Ivete Sangalo, meia hora. O que no meio de uma platéia de mais de 5000 pessoas, números da pista vip, não era nada confortável esperar. Mas depois de tanto aperto o show começa de forma brilhante, abrem-se as cortinas e a silhueta da cantora aparece em meio a som de passos a lá Michael Jackson (que vai ser referencia mais três vezes durante o show), ela canta a introdução de Deja Vu, musica de seu segundo cd, e logo depois engata o seu primeiro sucesso solo Crazy In Love, no meio da música um pedaço de Work It Out – também do primeiro cd - com direito a saxofones enfurecidos. Chega a superar a introdução do Show Experience, não sei se por conta que dessa vez vi ao vivo ou por que é realmente melhor...

Depois da esplêndida introdução, Beyonce destila sucessos como Naughty Girl, Freakum Dress e Get Me Bodie não deixando a platéia tomar fôlego e entregando tudo de uma vez só, sem perdão. A banda nessa hora se destaca com grande competência e também as Suga Mamas, trio de backs com potente voz. Também tem destaque o telão disposto atrás da banda, lindo, exibindo imagens com alta resolução. Simplesmente impressionante.

Logo depois vem a parte mais calma do show, Beyonce canta as baladas Smash Into You (iumpressionante!!!), Ave Maria (a troca de roupa feita no palco é fantástica), Broken-Hearted Girl, além de If I Were A Boy que no show assim como Freakum Dress ganha uma batida rock bem pesada. Além disso, Alanis é citada durante a música com You Oughta Know.

Para introduzir seu terceiro ato, Beyonce canta Baby Boy próximo dos fãs e chega a um palco no meio da pista vip. É lá que sua carreira como Destiny Child vai ser relembrada. Muito do álbum Survivor – que dizem as más línguas é na verdade o primeiro álbum de Beyonce solo com apoio de suas backs Michelle e Kelie – é revisto e também do segundo cd do grupo. É nesta hora também que acontece uma das partes mais aguardadas pelos fãs de Salvador. Em Say My Name a cantora chega para um fã pergunta seu nome e canta o nome do dito cujo para todos ouvirem. Muita loucura, pois todos na hora queriam virar objetos do gogó poderoso da cantora, mas foi o Cauê quem ganhou o grande presente.

Depois Beyonce retorna ao palco principal e destila mais sucessos desta vez do terceiro cd em um quarto ato maravilhoso que culmina na musica mais esperada ao vivo naquele dia, Single Ladies o incrível sucesso com coreografia copiada em várias partes do mundo. Experimente colocar o nome da musica no you tube, tem material para você ver durante uma semana ou mais e algumas coisas são realmente boas. Todo este sucesso foi sentido pela produção e pela cantora que resolveram repercutir isto no show com uma introdução/vídeo com varias pessoas dançando e cantando Single Ladies pelo mundo a fora. É a parte mais criativa do show e divertida também. Com direito a Obama dançando o já famoso “oh oh oh”. Depois da introdução vêm os primeiros acordes da musica a explosão da canção com sua coreografia famosa. Sim, aquele agachamento é real!!!!...

Um pouco depois do “final” Beyonce canta “Halo” em homenagem a Michael Jackson, lindo exibido no telão em pose estilosa e antológica. Despede-se dos fãs cantando parabéns pra você – ela queria alguém que fizesse aniversario naquele dia, mas todo mundo dizia que estava fazendo aniversario. A cantora riu com a loucura dos fãs, mas acaba cantando a musica mesmo assim.

Foi um show muito bom. Tecnicamente potente, perfeito, a banda formada só por componentes femininas é maravilhosa, as Mamas são um encanto, os dançarinos e dançarinas TODOS são lindos e dançam muito. Ok, mesmo para padrões soteropolitanos o ingresso custou caro, os produtos vendidos dentro do espaço do show eram ruins, o atendimento horrível, a organização bem precária, mas a qualidade do show valeu cada centavo. Realmente um momento que faço questão de lembrar sempre. Sou admirador do trabalho desta maravilhosa cantora. Inesquecível!









quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SEGUINDO EM FRENTE...


Tem muita coisa ainda por vir este ano quando o assunto é cinema negro. Recentemente fiz uma postagem sobre algumas produções que chegarão proximos meses aqui no Brasil. Para somar a lista anterior temos mais dois filmes, um que vamos ver o resultado dele no oscar - Um Sonho Possivel - já que sua atriz principal, Sandra Bulock, está concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz e o outro sobre a vida da Mike Tyson, já no poster a pressão da presença do grande homem e também uma frase de efeito prometendo trazer toda a verdade sobre o lutador. É aguardar para ver.

CABARÉ DA RAÇA.

Das três vezes que assisti Cabaré da Raça nunca me senti satisfeito com tudo que vi no palco. O que sentia era que faltava alguma coisa... O espetáculo do Bando de Teatro Olodum que já tem mais de dez anos, encenado em várias partes do mundo, é uma revista musical que foi feita inteiramente para provocar. Independente como isto chegue ao público o primeiro objetivo do espetáculo é a provocação. Isso fica nítido nas interrogações propostas a platéia pelos atores. E as perguntas/provocações não são poucas, já que Cabaré da Raça fala sobre racismo no Brasil, abordando muitos dos subtextos que este tema pode abrir como, presença do negro na mídia, identidade racial, religião, abolição da escravatura – 13 de maio, cotas nas universidades, mito do negro como objeto sexual e situações de discriminação no dia-a-dia, entre outros. Tudo com muita música, muito bom humor e muita (muita!) provocação.

E das três vezes que vi este Cabaré presenciei espetáculos completamente diferentes. Desde o figurino que mudava a cada temporada (vi um com todos os atores com roupas que caracterizavam seus personagens, outra com todos vestidos de branco – o melhor até hoje – e um vermelho não muito bom), até atualizações no roteiro e na forma como abordavam a platéia. Também as músicas mudavam vez por outra, uma coisa que via de uma forma em um ano, no outro estava bem diferente. Cabaré tem este ponto a favor, como trata de um assunto que se reesignifica como o racismo, existem possibilidades do espetáculo também se transformar. O espetáculo mistura canto, dança, interação com a platéia e tudo mais que o caldeirão do Bando de Teatro Olodum quiser misturar.

Mas o que me incomodou tanto das três vezes que vi Cabaré da Raça? O texto! O texto para mim é um problema. Não que seja ruim, mas nunca me contemplou. O texto do espetáculo – uma parceria entre Marcio Meireles e o próprio Bando – oferece lacunas demais, existem buracos enormes. Neste ponto o texto deveria ter mais foco, não oferecer tantas perguntas e sim respostas. Cabaré provoca, mas ao mesmo tempo não informa em muitas das suas passagens. Deixa coisas como o mito do negro como objeto sexual ao desleixo, sem desenvolver um assunto que gera prostituição em zonas, por exemplo, como o Pelourinho, entre outros lugares.

O texto muda, ele não se mantém estático no tempo. O Bando sabe muito bem que o racismo e a luta contra ele se transforma e fala por exemplo de cotas nas universidades. Mas a abordagem é rasa, as perguntas são muitas e no final a provocação sem conteúdo fica no lugar da informação que aguça. Outro ponto são os brancos da platéia – que vão em massa ver o espetáculo (ainda bem!) – eles saem do teatro satisfeitos. O texto fala sobre racismo, mas não atinge seu inventor e principal beneficiado, o branco. Não digo que os atores deveriam ofender e fazer um complô contra o publico branco que está na platéia, mas este mesmo publico se diverte, ri e parece nunca se incomodar com a forma que o assunto é tratado. Existe uma parte que sempre me marcou, uma das ultimas passagens de Cabaré da Raça em que os atores recitam frases que degradam o negro que são clássicas como “Negro quando não caga na entrada caga na saída”. Das três vezes reparei que a platéia se divide em aqueles que riem – na sua grande maioria brancos – e aqueles que se calam e se revoltam , na maioria negros.

Os personagens também beiram ao caricato quando não se entregam de vez a ele. Principalmente o personagem homossexual, que mais parece um hetero imitando um gay bastante efeminado, o clássico personagem gay pintoso que o teatro homofóbico consegue enxergar e adorar. É curiosamente um dos personagens que mais tem falas que informam sobre racismo, mas a seriedade daquilo que fala é cortado pelo tom com que este personagem chega a platéia. É uma alegoria, um palhaço de luxo. Surge a pergunta: Quando o teatro baiano vai aprender a fazer personagens homossexuais que não sejam meros imbecis para heterossexuais rirem?...

No final fica a sensação de vazio. E também de esperança. De que informem sobre racismo e não só provoquem. Cabaré da Raça é divertido, é alegre, tem musicas lindas, tem questionamentos muito válidos, mas a sensação de vazio mesmo depois da terceira vez continua no peito. Fica faltando alguma coisa, fica parecendo àquela conversa de bar que não se completa, não atinge um sentido. E o racismo tem sentido e objetivo muito vivos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

INVICTUS.

Clint Eastwood nunca foi para mim exatamente um grande diretor. A critica se derrete a cada filme que ele lança, são elogios e mais elogios, junto a todo reconhecimento dos especialistas em cinema vem os prêmios e mais prêmios conquistados em anos de carreira. Dos que vi, e não foram muitos, os filmes dele que me tocaram foram o “antigo” As Pontes de Madison que vi muito mais por conta de Meryl Streep que por ele e este Invictus.

É um filme simples, como tudo na carreira de Clint. Trata-se de um filme contido que vai crescendo dentro de você. Portanto não espere por grades planos, uma reviravolta contagiante, pois não existe esse tipo de coisa aqui. As vezes o filme se aproxima muito de filmes feitos para televisão de tão simples que é. Sim, Mandela merecia um filme maior, mas este, considerando a cinebiografia do ativista, já esta com um tamanho bom. Não é um filme surpreendente, mas se mantém correto do início ate o final sem muitos alardes.

A primeira coisa que gostei do filme é não falar da vida de Mandela desde o inicio. Eu realmente odeio filme de origem. E afinal de contas Mandela não precisava disso, já que todo mundo sabe de alguma forma o que aconteceu com ele, que ele ficou na prisão durante anos, isso pelo cinema já foi explorado. O filme pega outra porção do grande líder Mandiba, explora a situação depois da sua posse como presidente da África do Sul onde negros estavam com sede de vingança e os brancos receosos... Como um homem poderia governar com uma bomba relógio na cabeça prestes a explodir. Isso sim é um bom mote para o filme.

E é através do rugby – símbolo da política racista segregacionista da África do Sul – que Mandela vai tentar unir o país em uma democracia. O filme vai se concentrar em torno desta passagem, do esforço que ele faz em convencer a população tanto negra quanto branca que precisam estar juntos em uma nova situação em vigor. E o filme explora bem esta mistura de constrangimento com fúria, raiva, medo, sede de vingança da população em geral sul africana. O clima do filme fica tenso em varias cenas e estas são as melhores do filme. Como por exemplo, as cenas da pequena sala de segurança da presidência onde guarda-costas negros e brancos são obrigados a trabalhar juntos no novo regime.

O filme tem muito a seu favor no carisma de Mandela encarnado maravilhosamente por Morgan Freeman, também foi o próprio Mandela que incentivou durante anos que o ator fizesse seu papel no cinema. Está perfeito e digno de prêmios e muitos aplausos. Além disso, o elenco coadjuvante esta perfeito. Sem tirar nem por. Na proposta do filme esta maravilhosos. O filme também resolve discutir, e isso é um fator esplêndido, o clima tenso com bom humor, principalmente o de Mandela que encarna todas as dificuldades de forma bastante positiva.

Claro, o filme tem seus problemas. O regime do Apartheid nunca foi simples, as relações entre negros e brancos apesar da lei de segregação não estar mais em vigor continuaram existindo no país, por mais que o filme queira convencer o espectador a esquecer simplesmente. Outra coisa é que o filme muitas vezes é piegas: Mandela saiu da prisão onde passou mais de 30 anos pronto para governar e perdoou aqueles que o colocaram lá. Ele perdoou, mas a população não. E por mais que o filme no final incentive a paz e o sucesso da política do “paz e amor” sabemos que o jogo de rugby só serviu para amenizar as coisas. Era esse o real objetivo de Mandela no começo, amenizar o conflito e ter brancos e negros quietos para que ele pudesse governar em paz. Este aspecto do filme é abordado é uma pequena cena, entre Mandiba e sua secretária. Aliás, o filme fala muito sobre como governar. Como governar a diversidade. Como governar minorias e maiorias. Tudo isso explodindo frases de efeito de Nelson durante todo o filme.

Um outro ponto que me chamou atenção foi que o diretor e roteirista dão pequenas pinceladas, mas não exploram a vida pessoal de Mandela. Que depois de 30 anos de exílio e de sua família ter se desequilibrado totalmente e seus filhos não sabem direito que é o pai verdadeiramente, pois só tem a visão do herói que levantou o país. Isto daria um ótimo filme e que infelizmente é uma realidade de outros líderes ativistas. Alguns esquecem e são obrigados a deixar de lado a ida pessoal por conta da militância. Dramático? Não sei. As vezes pode ter sido uma fuga, sei la. O documentário A Caminhada de Nelson Mandela mostra que a vida do grande presidente da África do Sul nunca foi um mar de rosas...

O filme está concorrendo a dois Oscar. Morgan por ator e Matt Damon por ator coadjuvante. Enquanto o primeiro só sofre com a concorrência de George Clonney que esta ótimo em Amor Sem Escalas (um ótimo filme também) o segundo faz uma interpretação correta apenas e o único esforço que fez demais foi ter ficado marombado para caracterizar bem um jogador de rugby, mas nada de esplêndido, é a zebra do ano. Mas independente dos prêmios, o filme é simples e bom de ser visto e deve gerar uma boa conversa de mesa de bar quando acabar, pois levanta muitas questões e inquietações, mesmo que o objetivo real do diretor fosse colocar panos quentes em toda aquela bomba relógio.

domingo, 31 de janeiro de 2010

BLU-RAY, CODINOME PERIGO?...

Não sou a favor da pirataria. Sou a favor que os produtores de cinema, teatro, musica e que formulam outras artes vedam suas obras a um custo accessível à população em geral. A velha desculpa que um cd custava tão caro por conta de todo o arsenal que é preciso para produzi-lo veio a baixo com o crescimento da pirataria e as lojas de departamento (no começo) e também as lojas especializadas em dvds/CDs/livros vendendo tudo a um custo baixíssimo.

Mas foi preciso que a pirataria crescesse substancialmente para que a população em geral tivesse contato com a cultura. Hoje tudo pode ser conhecido como cultura de massa, mesmo que não seja exatamente feito para este objetivo. Está tudo ali, ao alcance das mãos, somente um click e pronto. Mas como nem tudo são flores e a indústria desenvolve tecnologias a todo momento para se recompor dos prejuízos causados pela pirataria, existe uma luz no fim do túnel – para eles os produtores – e o final para nós consumidores. O blu-ray.

Ok, ele tem mais qualidade de imagem, mais qualidade de som que uma mídia de dvd comum. Ok, ele é mais resistente que o as mídias que circulam no mercado nos dias de hoje, mas ele também está sendo incentivado a compra não somente por conta de seus atributos ao consumidor e sim pelo auxílio que vai dar a quem produz e a industria como um todo.

Primeiro que o aparelho de blu Ray não lê filme pirata. Ele lê também o dvd, mas a mídia que os camelos e afins usam para gravar seus filmes não se acopla ao sistema do novo aparelho. Segundo, já reparou que o aparelho de dvd ta barato?... tem deles que chega a custa menos de 100 reais. Instantaneamente o blu-ray também esta baixando de preço e você em breve – como aconteceu com o vídeo cassete – vai precisar comprar outro aparelho, pois locadoras e lojas vão se adaptar – garanto que com um sorriso no rosto – a nova mídia. Terceiro como o blu-Ray (ainda!!!) não é “pirateável”, garanto que o preço da cultura e da informação vai começar a subir dentro em breve. Não duvido nada que a industria cultural vai começar a separar seus produtos em categorias, subir os preços e a informação novamente vai pegar no bolso do brasileiro.

Será que em breve filmes, musicas, livros não vão ser mais acessíveis? O blu-Ray fará sentido e a população que nunca teve contato com a cultura por conta do preço vai ficar a mercê?... Não sabemos. Enquanto posto aqui para vocês, meu visinho ouve nas alturas um cd de mp3 da Banda Reflexo – banda oitentista de musica afro daqui da Bahia. Advindo de um camelo que comprou a idéia de um cara que juntou todos as musicas que encontrou na net e comercializou tudo por R$ 4,00! Fico pensando... Se alguma produtora atualmente resolvesse fazer algo ao menos parecido, no mínimo ele teria que embolsar uns R$ 30,00 para adquirir o mesmo feito. Com certeza ele não estaria ouvindo...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

DISCO MUSIC É MÚSICA PRETA??????

Sim, é! E todo mundo sabe disso. Apesar de não haver um consenso de onde exatamente teria surgido a disco music – alguns dizem que o africano Manu Dibango gravou o primeiro exemplar de disco music em 1972, outros que antes disso já haviam músicas disco rolando pelos bairros negros sem grande alarde – todos sabem que foi a partir das batidas do soul e do funk (ritmos negros) que nasceu esse incrível fenômeno que perdura até hoje nas canções de muitos artistas. Além disso, a disco foi difundida primeiramente entre os negros norte americanos e latinos, e foi feita para animar e esquecer dos problemas que amargavam tanto estas duas comunidades no EUA. Mas por que a disco ao contrário do samba rock, do regaae, do soul, não repercute tanto quando o assunto é retratar/representar a comunidade negra? Por que a musica negra e vertente disco transita por outros aspectos um pouco diferentes.

O primeiro ponto é que a disco é um ritmo que exclusivamente não retrata a comunidade negra de uma forma bastante segmentada. A musica foi criada para divertir um povo que queria entrar na dança e esquecer, pelo menos durante uma noite, um final de semana, as agruras do racismo, do preconceito social, do machismo, da homofobia etc. Este fenômeno quase não lamenta e sim celebra constantemente. E celebra o que? Que ainda bem que é sexta feira e vou dançar até não querer mais. Na segunda-feira volto a pensar nas burrices que o mundo formula e entro na regras da sociedade novamente... A celebração dá corda para que outros povos – outros fragmentos da comunidade negra que geralmente não aparecem com tanta ênfase (mulheres e gays, por exemplo) tenham a sua vez e mostrem sua existência através da dança.

Também é um dos ritmos que se embranqueceram mais rápido que os outros ritmos negros. Não que outros ritmos como o rock não tenham seus exemplares brancos também, mas o rock formulado por Jimmy Hendrix e o feito por Elvis são coisas completamente diferentes. A disco feita por Donna Summer, Imagination, pelo grupo Chic ou Odyssey e construída pelo ABBA ou pela dupla italiana Baccara é quase que a mesma coisa. Falam geralmente sobre a noite de sábado, sobre alguém que arrasa na pista e sobre celebração. Nada muito, além disso. A disco music não tem letras extremamente demarcadas, territórios restritos, ela é black e celebra a atitude negra de se revigorar, o povo negro dança, celebra, brinca, se liberta através das batidas.

A disco acima de tudo é um fenômeno gay! E este ponto é algo bem demarcado quando se compara ela com outros tipos de musica negra que são extremamente heteronormativos. Ok, não existe nenhuma placa, nenhum aviso dizendo que é proibido uma pessoa homossexual celebrar com o soul, por exemplo. Mas é com a disco que cantores negros gays como, alguns ate assumidos como Sylvester, fazem sucesso e passam a cantar em todas as pitas. Além disso, era nas pistas de dança disco que os homossexuais (femininos e masculinos) poderiam se “libertar”, nem que fosse um pequeno espaço de tempo em que a boate estava aberta durante a noite. E cada minuto para quem não tem nada durante a semana é muito valioso.

Em minha opinião a DISCO é o fenômeno que mais abrange a diversidade da comunidade negra. Mulheres, homens, héteros e homossexuais, crianças, velhos, todos foram feitos para celebrar. Por conta de toda essa celebração virou sucesso no mundo inteiro, tem vertentes nos mais variados países – alguém se lembra da Eurodisco e das Frenéticas aqui no Brasil? – e foi o primeiro ritmo negro a ter grande alcance pop por todo o planeta. A alegria pura e simples é muito mais fácil de vender também.

Hoje a disco ainda está na cabeça de muita gente. Artistas como Madonna, Donna Summer, Kelye Minogue, Bee Gees, Ne-yo, entre outros reinventam referências que surgiram lá no meio da década de setenta. E viva a disco, viva a celebração! Dance, dance, dance...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

ELZA EM SALVADOR...


E quem disse que ela não agüenta? E quem disse que as músicas dela não são boas? E quem disse que a geração nova, que tornou-se adolescente nos anos 2000 não vai com a cara dela? E quem disse que ela não lota show? Que ela não atrai negros, gregos, troianos, turistas e soteropolitanos? Quem duvida que Elza Soares seja uma artista inigualável deveria estar na última Quinta-feirba no Pelourinho, pois a diva do samba e da Black music estava lá, mesmo com o pé torcido para cantar e swingar junto com todos que bradavam ansiosamente pela sua voz.

Junto com a banda Sambatronica (esplêndida!!!), Elza subiu ao palco devagar por conta de um dos pés torcido. Antes a produção tinha colocado uma cadeira, que mais parecia um trono, para a rainha da Black music com seus 72 anos sentar e fazer seu show ali “quietinha”...

Mas quieta ela não ficou! Subiu ao palco sentou em seu trono e agitou todo mundo. Primeiro com um bom humor único. “Estava fazendo terapia no Rio de Janeiro por conta do pé torcido e agora estou aqui na Bahia pra fazer uma macumbaterapia pra curar de vez meu pé.”. Depois por conta do repertório e da sua alegria inigualável. Elza é tão impar em consideração a outros cantores atuais daqui do Brasil, pois consegue mesclar clássicos antiqüíssimos da música brasileira com batidas atuais e composições que nas mãos de outros estariam fadados ao limbo. Fora que ela canta a favela, o gueto, o povo negro como poucas cantoras aqui no Brasil conseguem.

Mas sentada Elza não agüentou e pôs-se de pé duas vezes para balançar o público. Linda com seu cabelo black power ela cantou samba, samba de roda, rock, rap, funk, deixou o DJ louco da vida (ele teve que ser bem rápido para acompanhar o pic dela...) e colocou todo mundo pra dançar e cantar junto no Pelô.

Depois teve que sair por conta das suas investidas em pé. Ela tem pique, mas tem 72 anos e tem limites. Saiu de cadeira de rodas, ovacionada pelo público, linda, negra e corajosa em todos os sentidos. Para finalizar aviso que este post não é uma crítica, mas um depoimento de um jovem – que até o momento só tinha ouvido Elza em CDs – deslumbrado com a presença (bem de perto) de uma das maiores cantoras desse meu Brasil. Salve Elza!


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

NEGRITUDE, CINEMA E EDUCAÇÃO – Caminhos Para a Implementação da Lei 10.639/2003 Volume 1

Falar sobre cinema e negritude não é um assunto fácil. Sei um pouco como é isso escrevendo a mais de dois anos este blog. Como tudo que envolve negritude em um mundo racista e um país hipócrita como o Brasil, falar sobre sétima arte ligado a negritude é algo que requer cuidado. Foi através desta temática que me certifiquei que cinema não é feito somente para divertir, mas suas mensagens e seus caminhos possuem muitos outros objetivos, às vezes explícitos, mas como em toda arte que se preze a maioria são implícitos. Cinema serve para educar e para desacreditar também, por isto filmes e mais filmes são usados nas escolas para “ilustrar” a realidade e provocar discussões como mais um material didático a ser usado a favor do conhecimento.

Em busca por mais informações sobre o tema que abordo aqui no blog, acabei comprando este NEGRITUDE, CINEMA E EDUCAÇÃO – Caminhos Para a Implementação da Lei 10.639/2003 Volume 1, livro organizado por Edileuza Penha de Souza que reúne 15 artigos que ligam, como o próprio titulo diz, cinema negritude e educação.

O livro começa de forma majestosa. Com prefácio de Noel dos Santos Carvalho, diretor do documentário Novos Quilombos de Zumbi (2004) que explica os caminhos tortuosos do negro no cinema no Brasil. É verdadeiramente uma aula de cinema perfeita. O cineasta fala sobre os diretores, filmes antigos, de como os filmes situavam os personagens negros, tudo muito bem escrito e informações prazerosas sobre a relação do cinema brasileiro e negritude.

Depois começam os problemas. O livro é dividido em duas partes: filmes nacionais e filmes estrangeiros. Seguem uma forma de explicação do filme e no final uma pequena lista de provocações que podem ser debatidas em sala de aula. Até ai tranqüilo. O livro analisa o cinema a partir da negritude para o espaço escolar e a proposta é interessante, mas esbarra em muitos problemas. Alguns artigos são mal escritos, outros se resolvem rápido demais. Além deste ponto, alguns autores insistem em decifrar o filme por inteiro, chegam a contar a historia da produção quase que totalmente, mastigada para quem lê. Um filme é para ser descoberto, não para ser segmentado. Também tem aqueles que acham que é interessante revelar como foi que ele(a) teve a idéia (genial!!!) de falar daquele filme, de como foi o processo de construção do mesmo. Não gastei meu rico dinheirinho para saber das provocações acadêmicas dos autores. Eu lá quero saber se foi um prazer ou não fulano (a) de tal ser chamada(o) para falar sobre tal filme... Poupe-me!

Mas trata-se de um livro de artigos. Existem os ruins e os bons. Destaco como ótima leitura os artigos que tratam dos filmes Atlântico Negro, A Negação do Brasil, O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas, Domésticas, Faça a Coisa Certa, Malcolm X e Sarafina. Estes são bem escritos, analisam o filme sem entregar quase tudo na sua cara, avaliam o contexto do filme no país de origem trazendo também para o Brasil quando se trata dos filmes estrangeiros, o texto provoca, dá vontade de ver o filme novamente para ter outras leituras e expandir os horizontes. Assim que os outros também deviam ser construídos, pois quem disse que precisa me explicar timtim por timtim, pedaço por pedaço para que eu me sinta atraído?!!! Não sou burro! O leitor gosta de ser provocado e não de ser subestimado.

No final o livro existem fichas técnicas e sinopses de todos os filmes citados, uma informação que, diga-se de passagem, é obrigatória já que trata de um “manual” para professores e o uso do cinema em sala de aula. Como todos os livros que reúnem artigos, existem os ruins e os surtos de genialidade, tem os bem escritos e os momentos de “passa a página”. Leia também este NEGRITUDE, CINEMA E EDUCAÇÃO – Caminhos Para a Implementação da Lei 10.639/2003 Volume 1 para ampliar seus horizontes e discutir cinema na roda de amigos, na sala de aula, em casa, no trabalho, pois ele reflete em todas as categorias da nossa vida.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Camaleão...


Não é a primeira vez que acontece... Fica a pergunta: Por que a imprensa vive embranquecendo Beyonce??? Já nao basta o cabelo loiro???...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PRECIOSA.

Festival de Sudance, 34º Festival de Toronto, escolhido pela Rolling Stone como o melhor filme de 2009 e concorrendo ao Premio do Sindicato de Produtores como Melhor filme o também no sindicato de Diretores para melhor diretor Lee Daniels. Alguém duvida que o filme Preciosa, ainda sem data precisa de exibição aqui no Brasil, vai ser candidato ao Oscar 2010? O filme vem arrancando elogios encima de elogios, até Mariah Carey já ganhou premio por sua atuação no filme, não tem como não ficar ancioso.

Além disso, o diretor Lee Daniels é o novo nome do momento. Tudo bem que deve, se concorrer, perder a estatueta dourada para James Cameron pelo óbvio, mas revolucionário tecnologicamente, Avatar. Oprah e Tyler resolveram contratar um diretor negro para dirigir este drama baseado em livro de bastante sucesso. Lee dirigiu antes de Preciosa um filme – direto para vídeo – com Cuba Gooding Jr chamado matadores de Aluguel e também foi produtor do elogiadíssimo A Ultima Ceia que rendeu o Oscar para Helly Barry e também O Lenhador com Kevin Bacon. Agora está no ramal dos todos poderosos com esta pequena produção que trabalhada da forma certa pelos produtores tem atraído as atenções de todos nos últimos dias.

Aproveitando o sucesso do seu novo filme, agora ele foi cotado para dirigir Selma que seria sobre o Movimento dos Direitos Civis sob a tutela de Christian Colson que produziu o oscarizado Quem Quer Ser um Milionário? É ver o que acontece daqui para frente com a carreira deste profissional certeiro que está trilhando um ótimo caminho. E que venha logo a estréia de Preciosa.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Noah Arc – Jumping The Broom.

O que você diria de um filme, originário de uma série que poderia ser revolucionária e nunca chegou a cumprir a promessa que tanto alardeou? Você desconfiaria não é verdade? Pode ser que nem veria o tal filme. Se perguntaria de como aquela serie conseguiu virar filme? E se a serie não era lá grande coisa o filme também seguiria o mesmo caminho.

Na verdade a série Noah Arc tinha tudo para ser uma historia maravilhosa, mas infelizmente não era. Durou apenas duas temporadas, com episódios curtos demais e historias mal resolvidas. O que salvava? O elenco e a produção muito boa. Apesar dos episódios donos de uma irregularidade impar, a série tinha seus méritos e personagens muito legais. O que realmente não gostava era da irregularidade, que não acontecia com tanta facilidade em Queer As Folk por exemplo, mas não se preocupem, para quem ainda não viu, Noa fica bem longe da porcaria que é Dantes Cove, por exemplo.

Mesmo com resultado irregular a série rendeu um belo filme. Sim, Noah Arc – Jumping The Broom é uma bela comedia romântica, de pouco mais de uma hora e meia, recheada com todos os clichês das comedias românticas de Hollywood e cheia de confusão para dar vender e emprestar. Para quem gosta e não se preocupa com roteiro impecável, performances maravilhosas etc, etc é um prato cheio.

O filme acontece logo depois do final da segunda temporada – ou seja, você vai ter que ver tudo para entender a historia, pois ela não se dão ao trabalho de explicar nada aos desavisados – com o casamento de Noa prestes a acontecer depois de passado momentos angustiantes no acidente com o seu namorado, Wade. Para realizar o casamento, Wade leva toda a trupe de amigos de Noa para sua casa, um lugar lindo a beira de um rio com bastante neve ao redor. E é neste cenário que o filme se desenrola, sem grandes evoluções, mas divertindo bastante.

Alias fiquei pensando, parecia mais um episódio longo da série e não um filme propriamente dito. O que seria uma terceira temporada foi resumida e virou filme. E o resultado ficou bom, o filme deslancha fácil e faz você acreditar em tudo – até o mais batido clichê.

Para quem esta de coração aberto, para quem não tem preconceitos, para quem gosta de filme com clichês baratos, para gosta de ver situações que levariam anos resolvidas em poucos minutos (mérito do cinema este de solucionar sofrimento em duas horas!), para quem acredita no amor, mesmo ele sendo hollywoodiano... Veja!

sábado, 2 de janeiro de 2010

EM 2010...

Filmes e mais filmes vão estrear este ano. Dentre os muitos lançamentos, super lançamentos entre outros estão alguns que interessam ao nosso PELICULA NEGRA. Tem filme para tudo quanto é tipo de gosto. Comedia romântica, mais um filme de professor super herói, filme policial, ficção cientifica... tem tudo neste 2010! Segue os cartazes dos filmes que prometem em 2010, dos mais “sérios” aos mais fúteis.

Primeiro vem o filme de Chris Rock o documentário “Cabelo Bom” que tem dado o que falar nos EUA e ganhou o Sundance Festival, além deste tem Death a Funeral prometendo muitas gargalhadas. Depois o novo filme de Denzel Washington, uma ficção pós apocalíptica ao estilo EU SOU A LENDA. Para os enamorados, Dia dos Namorados vem com um elenco de estrelas de primeira categoria. Estou ansioso para ver, pois além de todos os nomes de famosos e talentosos o filme é do mesmo diretor de Noiva em Fuga e Uma Linda Mulher. Também tem Sherek 3D com a voz de Eddie Murphy novamente como o burro falante. Tem filminho para meninas adolescentes Drool. E a mistura de ficção cientifica com policial Repo Men que já mudou de nome, está na gaveta desde 2007 e só agora sai, mesmo com Jude Law e Forest Whitaker no elenco. o mais esperado por mim é a produção de Oprah Winfrey e Tayler Perry, Preciosa. Mariah Carey já ganhou até prêmio de melhor atriz com o filme e para isso acontecer realmente o filme deve ser fabuloso. Bem é isso, fica aqui as promessas para este ano... Tomare que a maioria estréie no cinema e não vá direto para vídeo ou nem chegue ao Brasil ficando renegado ao mercado estrangeiro ou apenas o norte americano.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

UM BAÚ DE DESCOBERTAS...

Fim de ano. Arrumação de gavetas, um monte entulho que você não precisa mais colocado pra fora de casa... Um ano novo começa e não queremos deixar nada desarrumado para quando 2010 chegar... Estou tentando fazer isso também no computador. Arrumação geral. E na minha pasta de música, que tem dentro dela trocentas mais outras pastas com muitos CDs, percebi que por conta de nossa Senhora da Web consegui este ano descobrir muita coisa boa. E que se não fosse por ela estaria ouvindo os badauês da vida, clichês da música ou algo pré fabricado pela malfadada industria do entretenimento. A primeira grande descoberta foi o afro caribenho Medhy Custos que durante todo o ano esteve presente no meu som. Tornou-se trilha sonora obrigatória de todos os dias. Um zouk gostoso de ouvir, com influências do hip hop. Ainda no zouk, descobri no mesmo caminho do Medhy Custos um trio de meninas lindas as Lês Desses, espécie de “Destiny Child afro caribenho francês do zouk” (rsrs). O cd com o nome do grupo contagia e também embalou bastante meus dias em 2009.

Saindo um pouco do caminho dos grupos novos, também velhos interpretes voltaram a tona de forma glamurosa. Donna Summer com seu Crayons e Lionel Ritchie com o álbum Just Go voltaram com muito gás e muito botox também para abater a velhice... Mas no quesito música os CDs estão muitos bons, mas quem ganha na corrida final é Ritchie com romantismo na medida certa. Seguindo a moda, a mistura com hip hop está presente, mas não agride as melodias, nem enjoa quem ouve.

Já essa é para você que tem mais de 25 anos e na adolescência ouviu ininterruptamente rádios como Jovem Pan, Transamérica afins e dançou até não querer mais o fenômeno que durou quase toda década de 90, o “glorioso” Eurodance. Se você acha que perdeu todos os seus exemplares de “As 7 Melhores” em fitas cassetes mofadas que não tem mais lugar neste mundo virtual, está enganado. A Eurodance, com seus exemplares Haddaway, Corona, In Vogue e La Bouche, está mais viva do que nunca na internet. Consegui resgatar tudo o que fez parte da minha adolescência e estou agradecendo desde já que a internet mantém vivo o que a anos atrás poderia estar condenado ao limbo.

Indo um pouco para o caminho do rock, tem o trio inglês Noisettes que fiz postagem toda especial para ele logo mais abaixo. As musicas grudam que nem chiclete pode acreditar.

Deixando o caminho internacional um pouco de lado e vindo parar aqui no Brasil, descobri umas raridades ótimas através da net fruto do nosso país. Primeiro: toda a discografia da cantora Margareth Menezes está disponível para qualquer um baixar a hora que quiser. Desde seu primeiro disco em 1988 até o último gravado na Concha Acústica. A obra de Maga é irregular em alguns momentos, mas a cantora baiana símbolo mestre do samba reggae tem coragem em mesclar MPB e o ritmo afro que a gente só vê aqui. Outra cantora que “descobri” pela net este ano foi Jovelina Pérola Negra. Meu Deus simplesmente maravilhosa!!!!! Suas músicas são de uma simplicidade e um lirismo que assusta. Retrata a vida dos negros brasileiros com uma visão toda particular e faz isso um divertimento inexplicável.

Para finalizar, estou descobrindo neste finalzinho de ano Aretha Franklin... Ah! Antes tarde do que nunca. E estou adorando! Minhas preferidas são Shoop Shoop Song, Rescue Me, Respect, além de Thing que acho já nasceu clássico. Ela tem uma baita voz que me deixa feliz quando ouço. E acho que musica é para isso. Para te fazer sorrir, colocar para cima e Aretha faz isso, lamenta as vezes, mas até nos lamentos é forte como uma tempestade.

Que venha 2010 com mais descobertas negras no mundo da música.