quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Men's Heath a a roupa certa para o corpo negro...

Estou eu lendo, tranquilamente, minha Men’s Health deste mês quando me deparo com a seguinte pergunta de um leitor, na sessão Pergunte à Men’s Health: “Sou negro. Que cuidados tomar na hora de combinar as roupas com o meu tom de pele?”. Olhe, pressenti na hora que vinha besteira por aí... Tentei não ler a resposta, dada pela consultora de imagem Milla Matias e pela responsável pela parte de moda da revista, mas... Olhei. E o que vejo como resposta? Isso:
“Segundo a consultora de imagem Milla Matias, de São Paulo você deve evitar tonalidades claras e opacas e investir mais em peças mais escuras, como turquesa, turmalina e roxo. Escolha cores que acompanhem seu tom de pele forte e escuro. Do contrario você ficará apagado. Lembre-se deste conceito especialmente ao vestir blazers e gravatas. Responsável pela moda da MH a jornalista Gabi Comis, sugere que você procure inspiração em figuras famosas como Denzel Washington, Barack Obama, Lázaro Ramos, por exemplo. Acho legal fugir de alguns estereótipos explorados na moda como jogadores de basquete e rappers e criar um estilo próprio. Arremata Gabi.”
Primeiro que ficou constatado que tive uma visão! Adivinhei que vinha besteira pela frente e veio! Segundo: Como assim eu só posso usar roupas escuras? Como assim o ROXO combina com minha cor de pele? Eu odeio roxo!!!! E a outra que acha que os rappers e os homens do basquete são referencias assim tão fortes? Ela vive onde, em um filme norte americano? Ela não conhece uma bata? Só sabe da existência de colares de prata? Só faltou dizer que nosso cabelo tem que ser cortado a máquina zero sempre! Me poupe viu.
Lembrei até de um colega meu dizendo que a sunga que queria comprar certa vez – azul claro – não deveria ser usada por mim, pois meu tom de pele não acoplava aquele tipo de vestimenta. É por essas e outras que acho que o editorial de moda da revista Raça deveria voltar URGENTEMENTE. A revista era a única que fazia seus leitores se sentirem confiantes para usar qualquer tipo de roupa.
A pele negra no mundo da moda é limitada a questões exóticas e olhe lá. No mundo dominado pelos brancos temos que ser acima de tudo discretos, já que isso para eles é tido como sinônimo de requinte. A cor da pele negra é algo tão negativizado a ponto de um leitor se sentir incomodado e perguntar a consultora de moda da revista como ele deve se vestir melhor para ajustar seu tom de pele às tendências do momento. Parece discurso da década de 70, que ouço falar dos mais velhos, que negro naquele tempo não podia usar nem vermelho que era chacoteado na rua.
Mais uma vez minha cor de pele não é considerada algo corriqueiro. Não chegou ao tom de normalidade que a pele branca exerce na nossa sociedade. Afinal de contas, maquiagens, roupas, calçados, pentes são feitos em sua maioria para combinar com o tom de pele claro. E o sujeito negro tem que pensar duas vezes antes de sair de casa usando uma moda que geralmente não condiz com sua cor.
O mundo da moda tem critérios radicais. Tendenciosos. Estereotipados. E no meio de tanta tendências o que parece sempre estar em off é a cor e o corpo negro, sempre sujeito ao escanteio dos editoriais e também do mundo das passarelas. Como o que é tido nas passarelas muitas vezes dita a moda fora delas, o negro também fica jogado a escanteio, nãos e vê nas vitrines e acaba tendo que adaptar a moda branca ao seu contexto.

EXPOSIÇÃO BARBIE BLACK.

Que a Barbie é a boneca mais famosa e poderosa do mundo, disso todo mundo sabe. Que ela inaugurou um estilo e é seguida por um monte de imitações baratas, ditou estereótipos de corpos perfeitos, silhuetas, formas de deixar crescer e manter o cabelo, dentre outras coisas, não é novidade para ninguém neste mundo. Até hoje lembro o fascínio que a boneca exercia nas meninas da minha geração. Não sai da minha cabeça a lembrança de quando uma vizinha minha ganhou a tal “Casa da Barbie” – hiper cara e lançamento na época – e todas as meninas queriam ver de perto aquele brinquedo dos sonhos. O fascínio era tanto que até os meninos se sentiam interessados.
A Barbie sempre foi uma patricinha assumida. Com ela não tem essa, pode ser até bombeira, mas o cabelo dela e seu poderoso laquê estão firmes, sua maquiagem está lá intacta, mesmo ela estando na praia com o Ken musculoso do lado. Sua casa não é uma simples casa, é uma mansão em Miami, fora que sua cor preferida está marcada em todas as coisas que usa: o carro dela é rosa, a bolsa é rosa, a casa é rosa, o batom dela é rosa, a moto é rosa, a vida dela é toda de uma só cor... E dizem que ela tem bom gosto...
Isso tudo não é novidade pra ninguém. E olha que ela tem 50 anos e ainda é amada por muitas gerações de meninas. E é claro que a boneca mais velha e mais trabalhada no botox do mundo não poderia deixar de lado a cultura Black Power. Pelo menos é o que conta o texto politicamente correto que abre a exposição. Por que todo mundo sabe que Barbie preta, hummmm, difícil não? Até por que a boneca nasceu nos EUA, em uma época que a discriminação racial por lá era mais pesada que hoje e os negros não tinham representação nenhuma em quase nada no mercado, na mídia de massa etc.
Mas como a doença do politicamente correto (às vezes felizmente às vezes não...) virou uma síndrome sem precedentes, temos agora a demonstração de que a Barbie e sua empresa fabricante abordam a diversidade em todo o seu contexto amplo... Primeiro aqui em Salvador, no Shopping Salvador recebemos a exposição de bonecas Barbies com modelos de todas as raças e mais recentemente a das bonecas Black.
São modelos de várias datas – tudo começou lá nos anos 80 fim da década de 70 – com as mais luxuosas roupas, comportando vários estilos de vida, da diva glamurosa a bombeira glamurosa, ou a Barbie comum (glamurosa) que vai a praia com seu namorado, até a rainha da Nigéria, essa não poderia de ser glamurosa mesmo!!! As bonecas são lindas, os bonecos também, gostei da variação dos cabelos (liso, encaracolados, Black Power...) e as evidencias das várias facetas da cultura negra norte americana.
A exposição foi o ponto alto daqui da cidade no Shopping Barra aqui em Salvador. foi interessante ver meninas e garotas tendo referencias de bonecas famosas com a mesma cor delas, além de suas mães que brincavam com bonecas brancas agora tendo a oportunidade de ver as bonecas negras. A praça do shopping parecia mais um grande playground. Muito divertido. Claro que para estragar o momento tem sempre gente idiota disposta a tudo. E meu ouvido seletivo, que não funciona de jeito nenhum, acabou ouvindo coisas do tipo “Aff. Tudo feia! As Barbie do meu tempo eram bonitas” ou “Amor que Barbie é essa?” “AH sei lá, é da Nigéria, da Zambia, da África”.
Pena que a exposição, na verdade um acervo do colecionador Carlos Keffer, com bonecas raras vestidas algumas com modelos exclusivos de estilistas famosos, acabou semana passada aqui na cidade. Confesso que vi três vezes. Não resistir. Era divertido ver e também de presenciar as várias opiniões de meninas deslumbradas com tanta beleza. A exposição segue para outras cidades, deixando outras meninas de boca aberta, com água na boca. Ainda bem que hoje tem boneca negra, pelo menos aqui em Salvador, sem problema. De tudo quanto é preço, com tudo quanto é tipo de cabelo e de todo jeito. Ainda não é uma infinidade, mas as garotas de hoje – e as de ontem também – podem brincar a vontade com os SEUS filhos e o seu espelho, não com o filho de outra mulher...

:::: Fotos de Edvaldo Jr.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Raízes de Alex Haley.

Dia desses ouvi, em mais uma roda de amigos em mesa de bar, que os atores negros não deveriam aceitar fazer papel de escravo. Esse seria um dos passos importantes para que a dramaturgia nacional tomasse vergonha na cara e tratasse os negros de forma digna. Locuras a parte, este pensamento digamos... pitoresco... me fez lembrar de uma série antiga, nos longiquos 1977, mais precisamente em 27 de janeiro deste ano, quando estreava em territorio americano a serie televisiva Raizes baseado no livro de grande sucesso de Alex Haley, o mesmo da biografia de Malcolm X.

Certa vez, quando ainda estava na universidade, ouvi falar de uma série que contava a história do jovem Kunta Kintê que é capturado por caçadores de escravos na África e trazido a força para a América. A partir deste pequeno mote, a historia acompanha a saga dos descendetes de Kunta até chegar a vida do autor da obra, seis gerações depois. A história mistura ficção e realidade em um trabalho de pesquisa por parte do autor incrível.

Para a época e ainda hoje, Raizes tornou-se um produto revolucionário. A ABC produtora da serie, por conta do sucesso do livro resolveu fazer a série, mas temia o fracasso total da trama junto aos telespectadores. Resolveu então passar tudo de uma só vez, ao contrário das outras séries exibidas um capítulo por semana, para que se tudo fosse por água abaixo eles se livrariam logo do elefante. E para a supresa de todos a série foi um sucesso, ganhando atenção da mídia, concorrendo e ganhando Emmys, Globo de Ouro, dentre outras premiações, além de ter sido capa da TIME. O sucesso foi tão grande que os bares que não ligassem suas tvs na hora do programa perdiam clientes e as pessoas deixavam de sair para ver a trama. Até a GLOBO e o SBT passaram a série por aqui...

No rastro do sucesso da série foram produzidos Roots: The Next Generation e Roots: The Gift, este último na verdade um filme para ser exibido como especial de Natal que não fez tanto sucesso por conta da sua inferioridade a serie original. Raizes permanece até hoje como clássico da tv norte americana. Foi lançado nos EUA um dvd em comemoração aos 30 anos do programa. Segue abaixo a versão em espanhol que encontrei graças a Nossa Senhora do You Tube. Pelo que vi parece ter a série TODA no canal. Está em espanhol. Nem vem reclamar que a chance de achar em portugues é infima. A imagem da boa e a dublagem também. Vejam e aproveitem esta boa produção clássica.

APERTE O PLAY!!!!... Racism in the Elevator **Official Video**

Não precisa ser expert em inglês para entender do que trata a cena... Os vídeos desse cara são muitos bons! No You Tube tem um canal repleto deles. Veja.


Aperte o PLAY???... Mussum e o Racismo.

No Brasil é assim, não existe branco, nem negro, nem verde, nem moreno... é todo mundo azul...

OS MAIORES TRIOS MUSICAIS NEGROS DE TODOS OS TEMPOS...

The Supremes. Esse foi o precursor de qualquer trio feminino ou grupo feminino da musica norte americana. De 1959 a 1977 o trio fez um sucesso incrível e revelou a diva Diana Ross para todo o mundo. Começou como quarteto e terminou como trio e as brigas de ego das componentes – principalmente Sra. Ross – rondavam os bastidores. Foi um dos grupos responsáveis por difundir a cultura negra junto aos brancos norte americanos chegando a se apresentar em lugares antes proibidos aos negros
MAIOR FEITO: Sem a ousadia do the Supremes todos os grupos abaixo poderiam não existir...

Destiny Child. Formado por Béyonce Knowles, Kelly Rowland e Michelle Willians marcou toda uma geracão no fim da decada de 90 começo dos anos 2000. Teve inúmeras formações, brigas de bastidores com saídas e entradas de componentes, já ganharam estrela na calçada da fama, é o grupo feminino que mais vendeu albuns nos EUA, tem 4 albuns lançados e muitos sucessos em primeiro lugar. Explodiram com No No No – hit insuportável na minha opinião – e depois só alegria com sucesso em trilhas sonoras, além de hits próprios que tocam em Ipods espalhados por todo o mundo até hoje. Com o fim do grupo suas componentes engataram três bem sucedidas carreiras solos com estilos diferentes uma da outra.
MAIOR FEITO: O hit Lose My Breath e o álbum Survivor, o melhor dos 4 que não pára um segundo se quer.

Imagination. Trio da disco music formado por homens. Conheci o Imagination por causa de um DVD aqui em casa que reúne grandes grupos da época disco. Justamente este nasceu na década de 80, onde a disco music já não fazia mais tanto alarde assim. Mas mesmo com este probleminha, este trio fez historia com os sucessos Change e State of Love.
MAIOR FEITO: Dar pinta – muuuuuuuuuuita pinta – nas suas apresentações. O trio fazia e acontecia no palco e foi um dos responsáveis por difundir uma performace gay junto a artistas como o cantor Sylvester e o grupo Village People.
As Sublimes. Poderia ser chamado de imitação tupiniquim de The Supremes. E era! Dono de um sucesso efêmero as meninas, isabel Fillardis, Karla Prietto e Lílian Valeska, engataram um hit... Boneca de Fogo (No elevador/ pelo corredor/explodindo de prazer/ sou tua boneca de fogo... febre na época!!!) com muita sensualidade e depois desapareceram do cenário da música nacional. Isabel está ai até hoje, mas como atriz.
MAIOR FEITO: Sobreviverem em 1993!!! A televisão no Brasil era muito mais branca que atualmente. As pessoas chegavam a tomar um susto quando elas se apresentavam em programas de TV, pois todo mundo esperava cantoras brancas entrando no set, pois isso era normalíssimo na época.

DreamGirls. Trio fictício feito para o musical homônimo. Inspirado na the Supremes (olha elas de novo!), tanto no teatro como no cinema o trio fez um enorme sucesso e ultrapassou as barreiras engatando hits até hoje muito executados como Move e And I'm Telling You, I'm Not Going! O filme concorreu a vários premios, quase resgatou a carreira de Eddie Murphy, pois ele mesmo a destruiu depois... e deu a Beyonce o direito de fazer um filme realmente bom em sua carreira como atriz.
MAIOR FEITO: ter revelado para o mundo Jeniffer Holiday (teatro) e Jeniffer Hudson (filme). Já as ouviram cantar? Vai procurar no you tube as duas AGORA. Uma tem um vozeirão que arrebenta e é precursora da drag music no mundo inteiro, a outra foi vice campeã do Idolos americano, mas conseguiu mais projeção do que qualquer outro na mídia.

Le Desess. Esse daqui é Frances, mas sua historia é bem parecida com a de qualquer grupo formado por meninas norte americano. Era um quarteto, que logo se transformou em trio, engatou um monte de sucessos e suas cantoras agora estão em carreira solo com o fim do grupo. Ah destino cruel! O que diferencia dos outros trios é que este canta zouk, misturando o ritmo afro caribenho a vertentes do hip hop e também do rap. Tudo feito na verdade para a vocalista principal brilhar mais que as outras duas e depois seguir carreira solo de sucesso.
MELHOR FEITO: A musica On A Changé. Primeiro hit do trio bastante executado. E só.

TLC. Concorrente direto das Destiny Child. Surgiu em 1991 e fez sucesso antes das meninas comandadas por Beyonce. Acabou se desfazendo por conta da morte de uma das suas componentes, Lisa Lopes, e encerraram suas atividades dois anos depois. Venderam 22 milhões de copias só nos EUA. O TLC estava em tudo quanto era canto, mas diferente das Destiny não estavam envoltas a todo momento em escandalos e mais confusoes por conta da saida de componente aqui e ali. Tinham tudo para ser ainda um dos melhores trios femininos de todos os tempos, mas infelizmente não deu. Elas mesmo decidiram parar depois da morte de Lisa.
MAIOR FEITO: O sucesso No Scrubs com clip bem simpatico...

The Fugees. Conhecido como o trio que revelou o talento primoroso da cantora Laurin Hill. Super popular durante a década de 90, cantando hip hop, tem 4 albuns lançados e hits como "Killing Me Softly" (1996) total febre no ano que foi lançado. Passava em tudo quanto era radio, até deixavam de tocar pagode pra passar essa música. Era daquele tipo de hit que tinha em tudo quanto era versão. Até na Joven Pan tocava remixada. Depois, Laurin foi trilhar carreira solo e está fazendo muito sucesso hoje muito obrigado.
MAIOR FEITO: Eu repito: revelar o talento primoroso de Laurin Hill.

The Odyssey. Esse daqui eram formados por irmãos. Três irmãos. Fizeram sucesso misturando Black music de várias vertentes com a disco que já era na época febre. Going Back to My Roots foi um de seus maiores sucessos e o grupo tinha bastante balanço.
MAIOR FEITO: Apesar de Going Back to My Roots, o marco do Odyssey para mim é Use It Up And Wear It Out, muito boa, dançante e com letra basicamente dando indicações para dança... 1, 2 , 3 shake boddy now...

domingo, 10 de outubro de 2010

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM... FOR COLORED GIRLS?...

Não consigo abafar meu entusiasmo! Não consigo e nem quero. Um dos diretores mais polemicos - simplesmente por que produz - norte americanos, o cineasta Tyler Perry soltou na net o trailer do filme For Colored Girls, baseado na série de 20 poemas For Colored Girls Who Have Considered Suicide When the Rainbow is Enuf, que contam histórias de amor, abandono, violência doméstica e outros problemas enfrentados por mulheres negras. O livro já virou espetaculo teatral de grande sucesso nos EUA e agora vira filme pelas mãos do diretor de Diário de Uma Louca e também produtor de Preciosa, grande concorrente do Oscar deste ano.
Bem, estava apreensivo, mas o trailer e os primeiros cartazes me deixaram animado. O trailer é denso e promete um grande filme, sei que tem trailer fajuto por aí, que vendem um bolo delicioso de chocolate, por dentro podre e mofado, mas é pelo trailer que o espectador tem como falar algo da pelicula e também é por ele que a gente sente vontade de ver o filme. Ah sim, por falar no trailer, por conta dele fiquei mais ancioso de ver as performaces do elenco, que tem nomes como Janet Jackson, Whoopi Goldberg, Phylicia Rashad, Jurnee Smollett, Kimberly Elise, Kerry Washington, Thadie Newton e Mancy Gray. O elenco é de peso, as cenas do trailer são boas, os posteres são ótimos (clica nas imagens e veja as imagens ampliadas), o livro já é classico nos EUA, tem tudo para ser bom!... Vamos esperar.



MEDO BRANCO: RACISMO PRETO!

Com a maior abertura que a cultura negra atingiu nos últimos anos aqui no Brasil, a negritude vem sendo, além de problematizada, mais evidenciada no cenário nacional, por negros e por brancos. Não estranhei então, quando começaram a surgir comentários incomodados com gente que afirmava que a africanidade estava na moda, que tudo agora vira e meche estava tratando da questão do negro e outros aporrinhamentos que não vou perder meu tempo aqui citando.
Este incomodo, tem um produto muito bem demarcado. A forma como a negritude hoje é trabalhada. Não por brancos ou somente por eles, mas a problematização tendo sujeitos negros como os donos da historia. Acho que se brancos estivessem no poder para falar dos negros de maneira total não aconteceria tanto alarde assim no Brasil, mas já que o caso é outro...
Com esse crescimento, vimos surgir além de uma cultura negra com embasamento negro, um incomodo do Outro que é apontado não como vilão, mas a enxergar sua responsabilidade dentro da questão do racismo e da ausência do negro na mídia brasileira. É notório o incomodo branco com o crescimento da cultura negra. E este poder branco que precisa manter-se no seu lugar privilegiado, arranja subterfúgios para que sua posição permaneça a mesma, mesmo com o crescimento da negritude.
Não acho que negro está na moda. Tenho certeza que há um incomodo muito forte da branquitude com o crescimento da cultura negra no Brasil e com isso fugas propositais de responsabilidade vêm surgindo aos montes. Afinal para que o racismo acabe completamente não somente os negros, os indígenas têm que serem problematizados, mas os brancos tem que 1º) se assumirem como brancos, pois aqui no Brasil “branco ninguém sabe, ninguém viu!”, 2º) assumirem que mesmo não se considerando racista o fato de ser branco lhe dá muito mais possibilidades que os demais de outras raças, 3º) não é por que você convive com negros que não é racista, acorde!
Para que as cartas não sejam colocadas a mesa de forma correta, os brancos agora inventam o tal do “racismo negro”, ou “racismo ao contrario” e esbravejam sem pudores o medo que sentem ao pensar que podem sofrer o racismo. Alguns pretos também dão ênfase a este tipo de problema. Que na verdade pra mim não existe.
Primeiro que para que exista o racismo é preciso duas coisas: inferioridade de um e o outro que comete o erro se considerar superior. Como o negro pode se considerar superior neste mundo, meu Deus? Como? Se a) estamos a margem da margem da margem neste país (coloca no Google IBGE e pesquisa lá os diferenciais por raça pra você ver...), b) a cultura negra não permite a superioridade e sim a igualdade entre as pessoas, além de não se considerar como verdade absoluta – diferente da cultura branca eurocentrada que construiu um processo conspícuo de alteridade para inferiorização do outro, c) os brancos no Brasil dizem que eles mesmos não existem no país, pois todos somos misturados e que só há negros ou mestiços... e c) como vou me considerar superior se tudo, TUDO, neste país me coloca pra baixo, inferiorizando meu cabelo, minha cor, o lugar onde moro, minha renda, as roupas que uso, as musicas que ouço?...
De primeira o racismo negro nem tem como se mostrar poderoso, pois superioridade dentro de uma sociedade racista nós não temos. Pois então, os brancos se sentem ofendidos quando ouvem expressões como “Parmalat”, “branquela azeda”, “o samba azedou, tem branco na roda!”, “loira burra” e outros que não me lembro agora. Os brancos se contorcem com este tipo de apelidos. Dizem que não podem entrar no Ilê, que em Salvador a cultura negra é muito forte por tanto eles não podem falar o que antes diziam de boa pra todo mundo ouvir e que também estão sofrendo discriminação por parte dos negros e sofrem muito por conta disso!
Ohhhh! Que peninha deles! Dá vontade de pegar o menino chorão e colocar no colo pra fazer carinho e o choro passar... Por que o menino chorão com certeza tem medo que um dia os negros possam tramar uma vingança, uma revolta dos Malês atual e que pode dar certo. Então pra que não haja perigo é bom cortar o mal pela raiz. O racismo negro é um medo evidente de toda a classe/grupo branco neste país. O que eles vão fazer com a gente? é a pergunta mais feita. Mas o que realmente eles querem dizer é: A gente não agüenta passar por isso!
Acho que este processo de falar do outro com adjetivos que ofendem trata-se de uma resposta. Uma resposta já que não vou ficar calado esperando você a cada dia falar do meu cabelo, da minha cor etc. O sujeito negro não é mais passivo de seu processo Le é ativo e se o branco disser algo dele vai ter resposta. Mesmo que o outro se cague de medo por conta disso
Queria mesmo que esse tal racismo negro tivesse força para que visse o cabelo do branco ser posto como “cabelo ruim”, “cabelo da desgraça”, que “deveria ser cortado” ou passar por algum tipo de tratamento para que ficasse bom. Queria mesmo ver os brancos serem julgados na fila de emprego por “boa aparência” ou “perfil adequado”. Que eles fossem tidos em lojas de departamentos e supermercados como pretensos suspeitos. Que houvessem cotas (não de 100%) para brancos nas universidades no país. Que no Carnaval tivesse um bloco com cordeiros brancos, imagine? Por que eu não vejo um negro perguntando pra um branco como ele lava o cabelo? Por que não existe sabonete, desodorante, cremes para pele branca, evidenciados dessa forma? Isso existe? Que poder negro racista é esse, que os brancos não sofrem nadinha e quando há um episodio de discriminação pífio todo mundo coloca isso em xeque parecendo a pior coisa do mundo?...
É medo! Só isso! Medo de completamente se cagar nas calças! Eles sabem que a invenção deles foi muito bem planejada e na rachadura mínima presente na parede é bom fazer com que tudo seja exposto para que nada saia da normalidade e do total controle. O racismo negro não existe. A discriminação mínima que vemos às vezes por aí é fraca, não tem poder, não tem sustentabilidade. Trata-se de uma reposta. E também de uma fuga: para os brancos não serem problematizados e continuarem quietos, no poder, em cima do trio, enquanto a massa negra de acotovela no asfalto...

sábado, 9 de outubro de 2010

APERTE O PLAY?????... Negro Lindo, Parangolé.

O clip já tem um tempinho, não é? Neste mundo virtual que o que estréia ontem, hoje velho é... Bem, o que eu vou dizer sobre o clip... Hummmmmm... Olha só, eu adoro o Parangolé. Tudo bem não aguento mais o Rebolation que virou uma síndrome, mas o DVD desse grupo de pagode daqui da Bahia é muito bom. Me lembro até hoje a primeira vez que vi o dvd, em uma festa na laje da casa de um amigo de um amigo meu. Pense na quebradeira!!! O povo ligou a tv no som e aí foi pagode até altas horas. nesta época o Rebolation nem existia, mas o grupo já fazia e acontecia aqui no estado.

Depois do Rebolation veio este Negro Lindo. Eu não gostei do clip. É americanizado demais (comentário clichê, eu sei), é emergente demais... sabe, pobre que vira rico e tem necessidade de mostrar a riqueza? Pois então. Pra que aquele helicoptero não sei onde e as modelos, lindas por sinal, atrás? E a outra modelo, morena, que fica sorrindo pra não sei quem, fazendo não sei o que? Ah, a capoeira no heliporto tem que finalidade? O clip quer mostrar que também somos ricos? Que existem negros lindos e milionários? Leo Santana não inova, junto com o diretor Jorge Felippi, que fez melhor trabalho com Rebolation. Somos lindos e podemos ser milionários também... Faria mais sucesso na década de 70/80. Mas hoje? Tudo bem, estamos a margem da margem neste país, mas a negritude atual pensa em outros poréns e não somente no dinheiro vazio e na beleza plástica...

Um conselho... Pegue o DVD do Parangolé, um dos melhores grupos de pagode da Bahia, com seu vocalista malhadão, quebre muito e deixe de lado essa "Negro Lindo" que de bonito não tem nada.

DIA 24. SHOW DE MAGA NA CONCHA ACÚSTICA DO TEATRO CASTRO ALVES.

Tem show da diva negra Margareth Menezes, dia 24 deste mês na concha acústica do Teatro Castro Alves. O show marca o Lançamento do DVD Naturalmente Acústica derivado do cd homonimo de 2008. Pelo que vi no you tube, trata-se de uma produção caprichada, com imagens da Feira de São Joaquim, Riberia e Candeal, a fotografia é belissima, as músicas divulgadas até agora são muito boas, com destaque para Coco do M e Selei, aposta da cantora para o carnaval 2011 - mas o povo aqui já canta a música não é de hoje... O show deve exibir as várias facetas da diva negra: o seu lado rock, suas canções no ritmo que a consagrou o samba regaae, também sua voz em canções da mpb tradicional, além das participações especiais presentes no DVD que podem estar no show, alguém aí acha que Sr. Carlinhos Brown vai faltar?... O valor do ingresso ainda não foi divulgado, mas é contar os dias para um ótimo show!

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM... BRODER?

É com alivio que vejo "surgir" mais um cineasta negro, que valoriza a cultura negra no Brasil, além de Joel Zito. O polêmico - alcunha dada a todos os cineastas negros ou brancos que tratem do tema - Jeferson De estréia, depois de uma carreira super premiada de curtas, com o lnga metragem Broder. Protagonizado por Caio Blat, o filme conta a história do jovem Macu, no dia do seu aniversário, que vive entre a vida pacata com seus antigos amigos e a sedução do crime na favela. Também estão no filme, Jonathan Haagensen, Silvio Guindane, Cassia Kiss, Ailton Graça, Cintia Rosa, Lidi Lisboa, Du Bronks e Eduardo Acaiabe.
O filme vem sendo super comentado em todo lugar que é exibido. Estreou recentemente no Festival de Cinema do Rio 2010 e fez o maior barulho, por um monte de motivos. Dentre eles ser feito por um cineasta negro... Jeferson De começa no território que entende bem, mas reacende a chama do "filme de favela" novo cenário queridinho entre os novos cineastas brasileiros. Espero ver o filme, produzido por Fernando Meireles o mesmo de Cidade de Deus - sim, tirando O JARDINEIRO FIEL, gosto da filmografia dele.
Com trilha sonora de Mano Brown e Roteiro de Newton Cannito e Jeferson De, Broder estréia em breve no circuito comercial.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aperte o Play??????... Neyma - Ola Neyma


Meses atrás, estava assitindo uma aula de uma professora moçambicana que falava sobre música no continente africano. Ela explanava sobre o quanto a música de origem africana é diferente do Brasil, não só na obviedade do ritmo, mas também da relacão das pessoas com a música e da música com o mercado interno e externo. Ela falou em um certo momento sobre o zouk, que adoro, de alguns cantores e das estratégias que os cantores tem para ter seus singles mais divulgados em todo continente - por exemplo, de uma música ser cantanda em várias linguas, a primeira estrofe cantada em uma, o refrão em outra, assim uma só música chega a vários locais em menos tempo. No meio da aula, inventei de citar uma cantora moçambicana chamada Neyma. Lembro como se fosse hoje, a professora olhou pra mim como se dissesse "Você gosta daquilo?". eu ri tanto com o olhar dela e ela nem deu atenção a minha citação. Bem, mesmo tentando perdoar seus exageros Neyma é brega! MUITO BREGA! E nem vem com essa história que meu olhar é ocidentalizado, que estou acostumado com clips americanos e só... Nada disso. Neyma é bom... pra fazer rir... Brenda Fassie, por exemplo, é ótimo e muito diferente de qualquer coisa que vi exportada dos EUA, por sinal quando citei esta última parece que recuperei minha moral frente a professora, pois ela exibiu um sorriso farto.

Já falei de Neyma aqui no primeiro post do Apert o Play??? e agora volto com seu mais novo trabalho... Ela largou o escovão, fez umas plásticas, uma bela lipo, emagreceu bastante tanto que agora exibe a barriguinha sarada, apostou mais uma vez na coreografia bizarra, no visu exército da salvação, esticou uma parte do rosto que não devia... E continua brega! Massa é que ela agora canta em portugues. Destaque para a parte que ela canta: Tu não estás mais no MSN/ nem nos emails/ não aguento com tanta carga/ meu coração bate/ bate/ alarga... Preferia ouvi-la cantando em outra lingua. Pelo menos não entendia nada e me concentrava na swingueira...

sábado, 2 de outubro de 2010

O bizarro 50 Cent e suas frases imbecis...

Frase da semana: "Se você é um homem com mais de 25 anos e não come bo**ta é melhor se matar. O mundo seria um lugar melhor", postada no twitter pelo rapper 50 Cent. Não é a primeira vez que o "cantor" inventa de dizer algo contra os homossexuais, frases como "Eu e os gays não temos muito em comum. Prefiro sair com um cara hétero. Mas mulher que gosta de mulher, isso é legal" dita em 2004 durante uma entrevista.
A relação que o rap e o hip hop tem com a homossexualidade é bastante complicada e isso não é novidade pra ninguém. O estereotipo do negão, pocado na malhação, vestindo calças folgadas, sem camisa, arma em punho e cercado de mulheres negras travestidas de prostitutas de luxo faz sucesso em 9 entre 10 clips. A homossexualidade seria muito mais que uma aberração neste meio, seria uma ofensa. E os rappers norte americanos explicitam suas escolhas da forma mais bizarra possivel.
Mas existem rappers homossexuais? Sim. E rappers negros gays? Com certeza, já postei sobre isso aqui. E eles tem força e público cativo pelos EUA. e com esta força 50 cent ficou intimidado, tentou se esquivar dos comentarios que fez e soltou essa: "Noite passada fiz uma brincadeira sobre sexo oral. Meus amigos homens gostaram. Então fiz piada com mulheres recebendo sexo oral e alguns fizeram de uma simples brincadeira um comentário anti-gay. Não tenho nada contra pessoas que escolhem um estilo de vida alternativo. Na verdade já disse publicamente que minha mãe amou mulheres".
Se voce adora 50 Cent cuidado... Burrice pega!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Jaden & Willow Smith

Sim a onda dos pequenos prodígios não para de crescer. Em cada geração tem um ídolo mirim que faz sucesso com a garotada e vez por outra um ou outro adulto também é fã. E se você está pensando que somente Justin Bieber faz sucesso com a garotada - giria de velho! - é por que ainda não presenciou os filhos do Sr. Smith em ação. Jaden & Willow Smith são os novos astros do cinema e música estadunidenses tratando de exportar seus produtos para todo o mundo e aumentar sua conta bancaria.
O primeiro continua em cartaz com Karatê Kid, mas estreou em 2006 com A Procura da Felicidade, filme em que fazia o filho do personagem de seu pai Will Smith. Depois ele fez filme com Keanu Reeves, clip com Alicia Keys e a mãe Jada Smith e clip com o também pirralho Justin Bieber. Agora se prepara para Karatê Kid 2...
A segunda fez também filme com o pai - Eu Sou a Lenda - e dublagem com a mãe - Madacascar. Recentemente lançou o single Whip My Hair que tá se propagando pelo mundo pior que gripe - eu mesmo já estou gripado... Enquanto Jaden faz o tipo bom moço, Willow faz mais a linha despirocada. Trata-se de uma menina com seus 10 anos de idade, mistura de Lady Gaga, Anna Wintour, Tempestade, Miss Eliot e Edna do desenho Os Incriveis, com direito aos penteados mais loucos que uma criança pode usar. Fico pensando: se fosse filha de pobre seria maluca, destrambelhada da cabeça, mas como é filha dos Smiths (casal negro mais poderoso do mundo) é excentrica, diferente, estilosa... Sei...
Os dois são pequenos prodigios coordenaos pelos pais e são até comparados a Michael Jackson cujo talento explodiu logo na infância. E prometem muito mais. Tomare que não inventem de enlouquecer e terem o destino das celebridades mirins que entram na adolescencia e viram gente perigosa e problemática. Macaulay Culkin que o diga...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aperte o Play!... Beyonce dançando no meio da rua...

Você está passando pela calçada indo para o trabalho, faculdade, academia, padaria sei lá e de repente, nao mais que de repente encontra BEYONCE no caminho dançando no meio da rua, na sua vizinhança, ali pertinho de você. Pois foi isso mesmo que aconteceu. Olha o vídeo abaixo, não tem nada demais, quase que não dá para ver o rosto dela, mas nos tempos de câmera em telefone celular, câmera em máquina fotográfica, câmera escondida dentro da bolsa, um escorregão, uma dançadinha no meio da rua, um surto, um peido pode virar o furo do momento. Até outro vídeo ser postado amanhã...

O melhor e o pior de... Taraji P. Henson.


O MELHOR: O Curioso Caso de Benjamin Button. É claro! Sua interpretação neste filme é simplesmente fenomenal como a dona de um asilo que resolve pegar para criar o estranho bebê que é deixado em sua porta. Nas cenas do primeiro ato do filme, quando seu personagem aparece mais, ela dá um show. O filme é muito bom (todos os atores estão perfeitos) e com sua interpretação magnífica fica muito melhor. Repare como ela envelhece muito bem conforme o tempo vai passando no filme.

O PIOR: Como todo mundo tem uma fruta podre no currículo... As Aventuras de Alceu e Dentinho é o objeto estranho na sua filmografia. A mistura de desenho animado e live action foi um desastre nas bilheterias e infelizmente foi a estréia desta atriz que participou de muita coisa boa, dentre eles; Ritmo de Um Sonho (2005), Quatro Irmãos (2005), A Ultima Cartada (2006) e recentemente a “refilmagem” de Karate Kid.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aperte o Play!!??... Kelis - Scream [Official Music video]

Eis uma louca de pedra. Kelis é doida varrida. Em seu novo clip ela corre sem sair do lugar, dá uma de lady Gaga (isso já tá ficando chato!!!), se pendura no balanço e entrega ao público um produto inrregular. Eu nem posso falar muita coisa, pois nem sei se gostei do clip. Tem idéias boas, mas tem muita coisa ruim e mal aproveitada. Bem, clica aí no clip e tira saus próprias conclusões...


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OGUM DEUS E HOMEM

Assistir OGUM DEUSE HOMEM foi uma experiência sem precedentes. Neste fim de semana, quando fui ver a estréia do espetáculo de formatura da diretora Fernanda Julia, esperava algo de qualidade, mas como espectador não esperava me surpreender tanto. Surpresa na fila que dava voltas na Escola de Teatro da UFBA com o público afoito para ver um espetáculo com temática centrada na cultura negra, mais precisamente nas divindades do Candomblé, surpresa por ver, quando as cortinas se abriram, algo feito com tanto carinho e também por presenciar a homenagem, no final do espetáculo, ao povo de teatro (ou não) que mantém a cultura negra viva nesta Bahia de maioria negra, mas ainda carente de referências de si mesmo.
Depois de uma pequena “confusão” por conta da falta de ingressos proveniente do adiamento da estréia do meio da semana para Sábado e de algumas pessoas na fila inchando por poder voltar pra casa sem ver o espetáculo – loucura devidamente resolvida por alguns membros da produção – entramos e fomos recebidos por Exu (feito por Fernando Santana) parado no corredor bem próximo ao palco. Alguns lugares já estavam tomados por pessoas mais velhas – prioridade de publico do espetáculo. Achei isso o máximo e de um respeito incrível. Para aqueles que não sabem a cultura negra, por conta do Candomblé, reverencia e sede o lugar sempre aos mais velhos, por uma questão obvia! Foi bonito ver uma produção se preocupando com os idosos, pois geralmente a arte volta muito os olhos para a juventude. Além de nós mortais, estavam lá gente como Ângelo Flavio, Hilton Cobra, Marcio Meireles, Chica Carelli, alguns membros do bando de teatro Olodum, dentre outras figurinhas do cenário teatral soteropolitano que se for listar aqui fico até amanhã.
Quando o espetáculo começou – com mais de 20 minutos de atraso – Exu entrega um pequeno panorama para o público e informa que aquele espetáculo tratava-se antes de qualquer coisa de uma historia de amor. É quando as cortinas são abertas e os meus olhos e de toda a platéia se surpreendem com o que estão presenciando. Sem sombra de dúvidas se tem uma coisa que Fernanda Julia sabe fazer é pressão para encantar o público. Já vi alguns espetáculos no Martin Gonçalves, mas nunca reparei que aquele palco fosse tão grande. E para contar as historias grandiosas do Orixá Ogum,, deus do ferro e da tecnologia, era preciso muito espaço. Para isso a diretora abre o palco e revela a cenografia também gigante de Yoshi Aguiar que eu não vou contar aqui muito sobre para não estragar a surpresa, mas... O que era aquele cubo gigantesco estendido no palco?!!! Fiquei atônito!
O espetáculo então começa a trazer os mitos do Orixá Ogum, sua relação com os outros deuses como Iansã, Exu, Oxossi, Nanã, Xangô, seus amores, sua vontade de ser homem e não somente Deus e também seu poder junto ao desenvolvimento da tecnologia no mundo. Não espere uma forma didática de lhe dar com as historias. A diretora em parceira com o ator Fernando Santana abre um leque surpreendente de formas de se contar os mitos todos com um texto enxuto e simples. A dramaturgia do espetáculo consegue resumir bem o conceito do titulo da peça: entregar ao público um ser divino que também era homem, com defeitos e qualidades. E foi bom também presenciar um espetáculo que tratava com seriedade e com muito bom humor os orixás. Não digo o humor infeliz, mas algo leve para dizer que os Orixás são seres que estão muito mais perto de nós que os outros, levados a sério demais...
E o elenco um primor, destaque para Val Perré que faz Ogum com a firmeza e a força que eu sempre imaginei. Fernando Santana como Exu, muito bem humorado e Deilton José com seu Xangô ousado. Esperava ver uma Iansã mais bem trabalhada no palco, até por que o momento que ela aparece para Ogum é magnífico e ao decorrer do espetáculo a Orixá das tempestades vai perdendo força.
Aliás, força e beleza é algo presente nos figurinos. Remodelar as vestes dos Orixás com elementos da atualidade foi uma idéia maravilhosa. Afinal de contas, não é todo dia que você vê um Orixá com correntes de metal, roupas estilizadas e tênis igualzinho ao que a gente tem em casa. Tudo muito atual, mas sem perder a respeitabilidade pelo tema. A trilha sonora um espetáculo a parte; cheguei à conclusão que Jarbas Bittencourt não sabe fazer música ruim. Nem sob pressão ele consegue! Acho só que em alguns momentos a música abafou o canto dos atores, no dia em que vi estava alta demais em algumas partes.
A iluminação é perfeita, mas em alguns momentos os atores não estavam bem iluminados. Não era culpa necessariamente dos técnicos da luz, mas de certos atores. Teve uma vez que não consegui ver o rosto da atriz e somente seu corpo. Isso realmente me incomoda. Não é a primeira vez que digo isso. A gente – que é publico – precisa ver o espetáculo. E se o ator está no palco é para ser visto, ou só eu não sei, nem nunca consegui alcançar, essa nova técnica do ator no escuro?...
Depois que o espetáculo acabou, com aplausos calorosos e gritos empolgados da platéia – sim eu também gritei! – presenciei um dos melhores discursos/homenagem que já vi na vida. Fernanda Julia, emocionada, falou da sua trajetória como diretora, negra, vinda do interior da Bahia, que queria falar de algo diferente, dentro de uma escola de teatro cercada na obviedade do eurocentrismo. Discursava sorrindo sempre. Com um bom humor típico daqueles que chegam ao final da jornada e sabem que venceram o inimigo.
Fernanda não é qualquer tipo de diretora na universidade. Primeiro que ela não esta no inicio de uma jornada, sua Cia de Teatro Nata tem mais de 10 anos e a cada espetáculo traduz a maturidade cada vez mais avançada da sua fundadora. Presenciei três peças deles Perfil – Só Vendo Pra Crer uma colagem de textos que evidenciava a pluralidade da Cia, A Eleição que ficou em cartaz no Cabaré dos Novos e este OGUM DEUS E HOMEM. Cada espetáculo trazendo algo de mais positivo que o outro. Fico imaginando o processo de direção de Fernanda, ela dando indicações para os atores e eles tendo que se virar nos 30 para conseguir chegar ao que a imaginação dela alcança.
Assistir OGUM DEUS E HOMEM foi uma experiência maravilhosa e encantadora. Vi um espetáculo centrado na cultura negra que abandonava o obvio em TODOS os sentidos. Eu não agüentava mais ver o Candomblé limitado a “pano branco, acarajé e palha da costa”, até por que a cultura proveniente das religiões de matriz africana é muito mais do que isso. Ver Ogum envolto a tanta tecnologia foi um prazer sem precedentes. No palco do teatro Martin Gonçalves estava ali presente a historia de um Orixá que resplandece em força, garra, coragem. OGUM DEUS E HOMEM está aqui dentro, está guardado em mim e eu não retiro. Não perca!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Aperte o Play!!!... James Baldwin sobre Malcolm X

Descobri James Baldwin anos atrás no Congresso de Pesquisadores Negros aqui na Bahia através da excelente palestra do professor Alex Ratts. Em um mundo bitolado onde as identidades gay e negra não se bicam, encontrei um escritor de talento gigantesco, negro e gay assumido. Isso nos EUA no final dos anos 60!!! Posto aqui um de seus depoimentos disponiveis na net, legendado é claro, por que ninguém é obrigado a saber inglês.
Ele fala sobre o movimento negro norte americano comandado por Malcolm X, a aliança que o movimento negro fazia com a religião islamica e os beneficios e problemas da junções disso tudo naquela época. O que ficou pra mim? A inteligencia sem limites de um homem a frente do seu tempo. James fuma que nem uma chaminé - (odeio cigarro até sem sentir o cheiro!!!), mas seus pensamentos brilhantes destoam o incomodo que a fumaça provoca. Ninguém é perfeito...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O INCOMODO do Teatro Afro Centrado.

Para cada ação há uma reação. Para cada cena/texto/espetáculo/filme com temática afro centrada existe um incomodo que se manifesta de forma avassaladora. Nos últimos anos, aumentou o número de espetáculos teatrais que exploram a temática negra em suas várias vertentes. Nada de muito avassalador não. Infelizmente ainda andamos a passos curtos, mas que o movimento cresceu disso sem duvidas. Tem grupo que enfoca no lado político (e em tudo que esta palavra pode englobar), gente que desenvolve técnica a partir do candomblé, gente que a partir do corpo negro desenvolve sua forma nova de extrair teatralidade, Cias que se concentram no teatro “popular” – na verdade popular aqui na Bahia é quase congruente a negro. Existem várias formas sendo aos poucos desenvolvidas na cidade, muitas diferentes entre si, já que a cultura negra é vasta, mas para todas existe uma barreira: o incomodo que a temática negra exerce em uma cidade altamente racista como Salvador.
E Salvador é como toda cidade no Brasil, no mundo, sei lá. A idéia deste post veio durante uma conversa sobre um novo espetáculo centrado na temática negra aqui na cidade. “Você vai?”, dizia eu. “Não.”, a outra pessoa retrucava. “Por que?” (eu ainda cutuco cobra com vara curta...), “Ah! Não gosto de peça com essa temática do candomblé não!”, “Por que?” eu devolvia e ela dizia “Por que não gosto. Sei lá. E a diretora tem que tomar cuidado, pois ela já fez peça nessa temática, agora retorna com essa coisa. Tem que tomar cuidado pra não ficar visada, né?”. Não entendo esse tipo de fenômeno. A diretora ficaria visada por que???? Ouço com mais freqüência, que meu ouvido nada seletivo pode agüentar, frases como “Agora tudo é África!”, “Negro está na moda!”, “Eu não posso mais falar nada!”, “Agora tudo é negro!”... Você também já deve ter ouvido coisas do tipo.
Mas é curioso reparar no fenômeno ao contrário. Alguns anos antes, tudo, EU DISSE TUDO, era Europa e as pessoas estavam tão condicionadas à temática eurocentrada que ninguém se incomodava. Era branco no comercial de TV, no outdoor no centro da cidade, na revista como o belo da capa, nos filmes, em tudo. A temática negra posta à luz do dia revelou também outras temáticas que necessitavam de seu espaço, como a indígena por exemplo. Mas uma temática indígena, negra, cigana evidenciada pelo ponto de vista daqueles que pertencem diretamente do lugar. A negritude também revelou que os sentimentos não são universais, o corpo negro se movimenta de forma diferente, o indígena de outra forma e assim por diante. A música para os africanos/afro diaspóricos tem outro sentido. E como explorar isso no teatro? Esses novos espetáculos trazem isso.
Trazem uma nova África, mista, no caso do Bando de Teatro Olodum e seu Áfricas, uma mulher que fica pirada por conta do racismo em A Casa dos Espectros e o diretor Ângelo Flávio propõe ao público que viaje pela cabeça desta mulher, o mesmo diretor e seu Coletivo Abdias do Nascimento problematizam o dia após a abolição dos escravos em O Dia 14!, Shirê Obá e Ogum Deus e Homem da diretora Fernanda Julia traz aos palcos a vasta cultura das religiões de matriz africana. Recentemente Mia Couto foi montado pela Outra Cia de Teatro, A Comida de Nzinga fez bastante sucesso (e polemica!) no teatro XVIII, Se Acaso Você Chegasse, sobre a vida de Elza Soares, bomba até hoje nos palcos pela cidade. São alguns exemplos. Mas mesmo todos não são muitos.
Mas o movimento de falar de si, com autoridade, com muita pesquisa, técnica impecável, profissionalismo, sem deixar brechas para o outro, isso incomoda, a meu ver. O que não incomoda é ver o negro como coitadinho na hora que achar conveniente, ou ele como vilão na hora que bem quiser e entender. E só. Ou uma vitima imbecil ou um vilão em potencial. Nada mais. Os estereótipos prevalecem e que o é vasto se perde.
Lembro até hoje da fala de Zezé Motta problematizando sobre a entrada de novos talentos negros na cena teatral, na TV, nos filmes no Brasil. Ela dizia que para o Negro ser visto de outra forma o próprio negro tem que tomar os espaços de poder. Ser o roteirista/dramaturgo, diretor, produtor, ou seja, ser quem manda na história, quem bota a mão no dinheiro, quem decide quem contratar etc. Até por que quem tem verba dá o verbo! Concordo com ela. Diretores brancos sempre parecem ver com um olhar paternalista distante seus atores negros. Não é só não fazer o papel do empregado. Do que adianta fazer um advogado que aparece de vez em quando e nem tem família, nem um passado coerente? Recentemente ouvi uma pessoa dizer “Lázaro Ramos não faz papel de escravo! Isso é bom”. Não importa isso. O real problema é o negro escravizado ser colocado como vitima passiva. Chega a ser ridículo.
E quer saber de uma? Adoro ver que estamos incomodando com nossa historia sendo contada pelos nossos com tanta maestria. Gosto muito de saber que nós incomodamos e que de certa forma o debate se abre, as verdades são reveladas, as feridas são expostas. Poderemos até ser reconhecidos como “visados”, mas o importante é que falamos de nós mesmos. Mas existem Cia.s que trabalham diretamente com os chamados clássicos universais, ou somente com Shakespeare e ninguém tá nem aí em os chamar de visados, ou estereotipados. Então por que nosso teatro, nossa cultura é tida como tendenciosa? Por que eim, cara pálida?!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aperte o Play!!!... Hilton Cobra, 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras.

Aqui posto a fala de Hilton Cobra, diretor da Cia dos Comuns, durante a solenidade de entrega do I Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras, que ocorreu no dia 27/04, no Museu Nacional, em Brasília. Como diretor, Hilton enxerga a politica de editais de uma forma diferente. Encontrei sua fala no Blog do espetáculo OGUM DEUS E HOMEM da diretora Fernanda Julia, fundadora da Cia de Teatro Nata, que estréia esta semana. Muita gente aguarda anciosa a chegada deste projeto (o ensaio foi um acontecimento que só) de Fernanda, diretora que de espetáculo em espetáculo vem se aprimorando e marcando o seu nome e sua marca na cena teatral soterapolitana. Depois centro mais no espetáculo OGUM DEUS E HOMEM, mas agora fiquem com o depoimento de um dos diretores mais talentosos e referencia a qualquer artista negro neste país que trabalhe com teatro.


domingo, 19 de setembro de 2010

NINGUÉM segura Kelly Rowland!!!!

Curioso que antigamente - não tão antigamente assim - os cantores faziam alarde com lançamento do cd, era uma coisa incrivel e lançavam somente dois singles e pronto. Hoje não, tudo, TUDO, mudou. E Kelly Rowland é um forte exemplo disso. A ex Destiny Child encontrou seu lugar. Com o fim das Destiny acabou lançando um cd com pegada na R&B e no jeito Beyonce de ser... Mas agora é diferente. Kelly mudou radicalmente, lançou com David Guetta o já clássico When Love Takes Over - trilha TOTAL do ano passado - e está levando todos os singles que divulga na pegada dance music. Acho que o que ela queria já está se realizando, tornar-se uma diva gay e/ou das pista de dance music. Me lembra muito Donna Summer, mas original ao mesmo tempo. E sem dar uma de "copia beyonceira". A cantora também lançou Commander, que eu nao gostei muito. Agora lança DOIS clips de músicas diferentes, um em territorio norte americano (Red Coulored Rouses) e outro no europeu. Se o album não é mais o foco principal os cantores agora trabalham e defendem suas músicas com toda a força possivel para que ela grude na memória e fique semanas e mais semanas nas paradas de sucesso. E dona Kelly está conseguindo isto aos poucos. O Clip europeu, da música, Forever and a day, é do jeito que eu gosto, simples, dançante, enérgico e bom. Me entrego de vez para a sra. Rowland que agora pertence ao selo Universal Music e deixou de ser mais uma copia da Beyonce - o que era um risco forte- e tornou-se uma cantora de responsa logo em começo de carreira. Encontrar a própria linha/personalidade significa muita coisa para um artista!
ps1: Como não consigo postar o clip no blog, veja ele clicando AQUI.
ps2: Se você estava em Marte estes últimos tempos e nunca viu nenhum clip dela clica no nome das múscas e confira os clips.

sábado, 18 de setembro de 2010

Aperte o Play!!!! Jay Z Beyonce Forever Young Live at Yankee Stadium

Clássico dos anos 80! Forever Young é uma das minhas músicas preferidas confesso. Sim, a versão original tá na cabeça de nove entre dez pessoas que viveram sua adolescencia entre a decada de 80 e começo dos anos 90. Eu não sou dessa época, tava muito pequeno ainda, mas como sempre curti música antiga, olha eu em meados da década de 90 descobrindo em um disco de flashbacks de meu pai essa tal música. Agora, Jay Z - que confesso estou aos poucos gostando dele - e sua esposa/diva Beyonce apresentam-se ao vivo e cantam o clássico oitentista. Achei muito massa e a arena está lotada - como em qualqer show dos dois. Se você conhece, se jogue na versão que é muito boa, se não ouça a nova versão e experimente também a antiga, imortalizada pelo Alphaville.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Festival de Teatro do Subúrbio ANO II.

Imagine um teatro, muito bem estruturado, novo em folha, com mais de 400 lugares, situado em um bairro do subúrbio. Imagine mais, gente descendo dos ônibus voltando do trabalho, olhando para o teatro e falando “Acho que hoje vou ao teatro hoje” como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo. Sim isso existe, trata-se do Espaço Cultural Plataforma localizado na cidade baixa de Salvador. O lugar é mágico, tem uma energia maravilhosa e abriga pelo segundo ano consecutivo o Festival de Teatro do Subúrbio, que tem como objetivo “promover o desenvolvimento da pratica da atividade teatral entre os diversos grupos existentes no subúrbio”. Estes grupos que participam do festival (selecionados e convidados) se apresentam durante nove dias no Espaço Cultural Plataforma compondo também a programação com oficinas e palestras com as diversas técnicas e vivencias presenciadas nesta parte da cidade de Salvador.
E se você pensa que os espetáculos beiram ao amadorismo, não tem qualidade técnica, está muito enganado. É claro que existem peças e peças, mas no geral o produto que chega ao público e de uma qualidade forte. O festival abriu com nada mais que Frank Menezes no monólogo “Indignado”, sucesso do teatro baiano, a R$ 2,00 inteira. A praça situada na frente do teatro ficou lotada com gente de todo tipo e canto da cidade indo prestigiar Frank, seu espetáculo, o teatro e também conhecer o Festival do Subúrbio. O mesmo espetáculo localizado em teatros do centro da cidade ficou a preços de R$ 20,00 a meia. Ou seja, o festival entrega também grandes sucessos a um preço MUITO acessível ao publico da região e a quem estiver disposto a quebrar seu preconceito com o subúrbio e vir prestigiar o festival onde ele acontece.
Ontem fui ver O Vento. Foi minha primeira vez no festival, primeira também em Plataforma (pego dois ônibus de onde moro para estar lá) e primeiro contato também com a Cia Falando Sério de Teatro. A peça basicamente fala sobre duas coisas; feminilidade e fertilidade. Estes dois temas são cruzados por muita poesia, muita música – feita ao vivo pelos atores e músicos da Cia. – mitos africanos, Fernando Pessoa, Chico Buarque. Enfim um caldeirão. A história é básica, simples e boa: a grande mãe Gaia é germinada pelo vento e pare a humanidade, os filhos do mundo. E quem faz as mulheres que norteiam o espetáculo são os homens da Cia. Isso é um ponto muito positivo do espetáculo, pois os meninos não precisaram ficar femininos para convencer como mulheres, com suas vozes grossas e sem perder a masculinidade fazem sua performace sem muitos problemas.
Sim, a peça tem problemas, as vezes a junção de tantas culturas não fica concisa no palco. E a colagem do texto parece solta e em alguns momentos não combina. Isso destoa um pouco e mantém o público afastado da peça e a gente sabe que apesar do público estar lá sentado quietinho de alguma forma ele tem que participar da peça. Esse (acredito eu) é um dos encantos do teatro. Publico e atores se encontram de alguma forma. E em alguns momentos este encontro não era feito.
Outro ponto que enfatizo é a plasticidade do espetáculo. Simples e boa. Nada que venha a mudar sua vida, te faça transcender, mas é correta. E diga-se de passagem, foi o primeiro espetáculo teatral que vi em 2010 que não saio aborrecido com o responsável pela iluminação. A luz surgia nos momentos certos, mudava nos momentos certos, tudo muito bem feito. Engraçado que encontrei perfeição técnica no subúrbio, longe de toda parafernália dos grandes teatros e dos majestosos profissionais com diplomas etc. Contraditório? Sei não viu...
O festival acontece até Domingo, com outras peças, outras temáticas, muito teatro, a dois (DOISSS) reais a inteira e tem meia entrada sim. Além disso, tem o encanto da cidade baixa e seu clima de cidade do interior, a pracinha e suas guloseimas gordurosas sendo vendidas (adoro coxinha de frango, pastel da hora, acarajé, abará, essas coisas...) e prazer de presenciar um teatro diferente feito em um local “diferente” e ótimo.
Você pode ver a programação do festival e as peças que acontecem clicando aqui.

Aperte o PLAY???? Irmã Sofia, Armadilha de Satanás.

Irmã Sofia é sucesso no You Tube. São mais de 640.000 visitas!!!! E no rastro do sucesso do clip um monte de gente faz sua versão caseira para homenagear um dos hits mais absurdos que já vi na vida. E o pior a música gruda que nem chiclete na sua cabeça. A letra, um absurdo do fanatismo, as imagens beiram ao amadorismo, os efeitos são direto do lixo da Industrial Light & Magic, mas por conta de ser tão trash acabou fazendo um enorme sucesso. Segundo Sofia, o mundo virou de pernas pro ar e ela chegou com sua música e sua palavra para denunciar as armadilhas de satanás. No início parece absurdo, mas depois até que você se diverte com tanta besteira...

domingo, 12 de setembro de 2010

10.000 VISITAS!!!!!!!!!!!!

Sim. 10.000 visitas em três meses. Tudo bem, o blog não tem três meses e sim, três anos, mas foi a três meses que me convenceram a colocar este bendito contador aqui do lado. Sei, sei, tem gente que entra só de mansinho e vai embora, mas tem gente que virou figura cativa. Comemoro então, mais um niver aqui no PELÍCULA NEGRA. Sei que as postagens tem diminuido, mas ao invés de me justificar vou me empenhar pra colocar o blog em ação. Agradeço novamente aos amigos virtuais ou não que fiz por conta deste humilde blog. Um grande abraço galera.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Existe MESMO uma cultura universal?

Se você acredita em Papai Noel, a resposta é obvia. Você deve ser daqueles que acreditam em um sentimento que todo ser humano tem, que move e une todos os homens em um só ponto. Que existem assuntos, historias, que mechem com qualquer tipo de ser humano, seja ele negro, branco, azul, amarelo, indígena, pobre, rico, marajá, patricinha, emo, piriguete, gay, metrossexual, mulher, homem... E você deve, com certeza, ser um daqueles telespectadores assíduos da Rede Globo, desbravadores da obra de Shakespeare e cineastas italianos que produziam seus filmes no século passado. Nada contra esse povo. Tem coisas que eles fazem que são boas. Mas não vem dizer pra mim que todo MUNDO neste mundo se enxerga na obra desses e afins, que eu já deixei de acreditar em Papai Noel faz tempo.
A universalidade é um fenômeno europeu. Não precisa ser Dr. ou Mestre para sustentar uma teoria dessas. Aliás, nem posso dizer que a universalidade seja um fenômeno totalmente europeu, pois nem toda Europa é agraciada com os pilares dessa pretensa universalidade que toca o mundo inteiro.
Fico me perguntando por que historias como a de Romeu E Julieta, do já citado Shakespeare, é considerada um clássico da dramaturgia universal e uma obra como A Cor Púrpura é considerada como um clássico da literatura negra... Dizem que nós apreciadores e formuladores da cultura negra nos afastamos com rótulos segregacionistas, mas a chamada “cultura universal” não poderia ser chamada de rótulo também? Ela também não segrega? Segrega de maneira universal!!!!...
Faça uma pesquisa, no Google mesmo, digite coisas como “literatura clássica”, “obras universais”, veja o que acontece. Poucas obras são de outras regiões. Encontrei até um site que registrava o Alcorão – ao lado da Bíblica Sagrada (é claaarooo!) – como livro de característica universal, mas quase todas as obras são de determinadas regiões européias. O Kama Sutra também foi considerado universal por alguns. Já que putaria todo mundo faz, né? Mas é curioso que o Kama Sutra é considerado no seu país de origem um livro de auto conhecimento e orações através do sexo e amor. Nossa, como a universalidade distorce as coisas, não?!...
Sempre que vêem com essa tal de universalidade, penso na experiência de anos atrás, quando fui assistir ao espetáculo Uma Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois com Claudia Raia (que amo) e Miguel Fallabela (deixa ele pra lá...). O teatro é separado por fileiras de A a Z, as fileiras A são bem na cara do palco e as Z dão ao espectador a experiência de ver o artista como um ponto em movimento no palco que está beeem longe. Sendo assim, quanto mais próximo você fica do palco, mais cara é a experiência. Eu paguei pra ver a diva Claudia Raia de perto. Nem vou dizer quando gastei que me dá palpitação só de lembrar o valor do ingresso. Lembro também que onde estava era um dos poucos negros no local e a galera de lá de trás tinha muito mais pessoas negras do que onde estava. Ai, ai essa relação de raça/classe que me persegue...
Se a universalidade existe mesmo, por que nem todo mundo ria de todas as piadas?... Por que nas horas em que a personagem da atriz vivia os “dramas” típicos burgueses eu e uma galera não estávamos nem aí? Por que certas divagações existenciais não entram na minha cabeça como dizem que elas devem entrar? Será que o problema é comigo? Será que todo mundo sente essa coisa que move o mundo e eu não? Dizem por exemplo que o amor é algo universal. Acorde cara pálida, o amor é algo construído culturalmente também. Modelos de romance, relacionamento, são disparados há milênios nas nossas cabeças de geração em geração. Acontece isso com outros sentimentos também. Mas se você prefere acreditar que o que você está sentindo agora, um homem chinês também esta sentindo neste exato momento... poxa, tudo bem!
Pontos de identificações entre seres humanos diferentes não deveria serem comparados a uma pretensa universalidade humana. O ser humano assim parece mais um ser carente de si mesmo. Que não consegue aceitar a diferença sem desigualdade e por isso tem que igualar tudo pra viver pacificamente com o Outro. Eu eim... Terapia pra humanidade inteira!!!!!!!!!!!!...

Aperte o Play... Comercial Bahia FM.

Esses é um dos comerciais mais divertidos que já vi. Ok, é estereotipado, mas não deixa de ser divertido assistir. Trata-se de um dos comerciais da Rádio Bahia FM daqui de Salvador, voltada quase que totalmente para o seguimento popular, seja lá o que isso for de verdade!... O comercial aborda a galera da periferia e seus vários tipinhos presentes nela, esse grupo pela cidade se diertindo com o pagodão tema da rádio. Eu gosto bastante, é divertido, tem uma atriz do Bando de Teatro Olodum que adoro, gente bonita e preta a vontade. A Campanha fez tanta sucesso que tem vários comercias - variações - com os locutores da rádio e algumas estrelas da música baiana marcando presença. É só conferir abaixo.