terça-feira, 8 de junho de 2010

O Artista Branco é um "Travesti" em Potencial?

Assistindo dia desses um dos DVDs de Madonna, reparei uma coisa que no mundo onde a cultura pop domina é tido como algo de pura criatividade: a metamorfose da artista. Desde que Madonna surgiu nos anos 80 e explodiu para todo o mundo, nenhum artista deixou de imitar um conceito que foi ampliado à enésima potencia através dela, a reformulação da imagem do cantor dividindo seu conceito artístico em fases. E Madonna já teve um milhão delas; indiana, hippie, rapper, nipônica, revoltada anos 80, virgem, quase virgem, sado masoquista, cigana, espanhola, disco etc. reparando nos DVDs de Madonna algo me chamou atenção para além. A transformação “aceitável” doa artista branco naquilo que ele quiser e tiver vontade.
Não é de hoje que a televisão, o cinema, a música coloca o artista branco como um agente transformista em potencial. O artista branco tem a “capacidade” de ser além dele mesmo, ser o outro. Existem vários exemplos neste aspecto: A Cabana do Pai Tomás (1969) em que o ator Sergio Cardoso (branco) fazia o personagem principal negro, a novela Aritana (1979) em que o personagem indígena é feito pelo ator Carlos Alberto Ricelli, quadros de humor que até hoje pipocam na tv brasileira em que atores brancos se travestem de personagens negros caricatos, mais recentemente a novela das seis Alma Gêmea também tinha uma personagem indígena que era interpretada por Priscila Fantin. No mundo da musica os artistas brancos encarnam em clipes e turnês identidades múltiplas, a própria Madonna que citei acima é um exemplo até datado, mas no Brasil encontramos a cantora Daneila Mercury que encarna todos os tipos brasileiros em um corpo só. A atriz Elizabeth Taylor imortalizada até hoje como Cleópatra fazendo um papel que deveria ser de uma atriz negra.
Mas porquê isso? O porquê o artista branco é requisitado para ser o Outro? E o pior, por que o publico aceita este tipo de coisa como se fosse algo normal? Primeiro por que a figura do homem/mulher branco é tida como universal. Robert Stam e Ella Shohat ressaltam que durante muito tempo os artistas brancos foram requisitados para representar todas as raças em Hollywood. Como se a brancura pudesse ser adaptada para qualquer tipo físico e cultura. Outro ponto que chamo atenção é que indígenas ou negros sempre tiveram seu lugar na mídia, um lugar meio que de lado, mas estavam lá. Por exemplo, para representar um papel indígena principal é requisitado um artista branco, mas os coadjuvantes/figurantes são feitos por atores indígenas ou até indígenas não atores. Para representar o papel do negro protagonista bonzinho foi requisitado um ator branco que era pintado de negro, colocavam nele uma peruca de cabelos crespos, e alargavam seu nariz com rolhas, mas os papéis de negros fujões, revoltados, quilombolas eram representados por negros mesmo. Um ator branco representando outra raça encarna com mais perfeição a visão pretensamente positiva que os brancos poderiam ter das outras raças, já que os brancos no mercado cultural são vistos como artistas que vão além da etnicidade.
A facilidade de Daniela Mercury de falar/cantar de assuntos completamente diferentes como cultura afro, cultura indígena, em um de seus DVDs ela vem com o conceito de “mulatismo”, de mistura de raças, de candomblé, nordeste, é por que ela é branca. Ela tem a capacidade de ser várias coisas por que tem a pele clara. Então se o público encontrar ela no Projeto Por do Sol dia primeiro do ano, no Farol da Barra, vestida de índia Pataxó cantando um axé em tupi, a maioria vai achar lindo, ousado, performático, tendencia, digno de uma diva. Quando a novela com a índia Serena que queria ir incansavelmente pra “Sam Paolo” estreou, lembro que o Vídeo Show fez questão de mostrar o laboratório da atriz Priscila Fantin em território indígena e como ela fazia para manter o cabelo liso daquela forma. E o público achou normal, tanto que a novela foi um sucesso na época e também quando foi reprisada à tarde. Por quê? Por conta da “universalidade” que a pele clara atingiu no imaginário coletivo brasileiro.
Gente famosa como William Shakespeare, Bertolt Brecht, Madonna, Weber, Marx, Jostein Gaarder (autor de O Mundo de Sofia), as quatro amigas do seriado Sex and The City, Sartre, Virginia Woolf, os personagens de Jose Saramago, as sinfonias de Beethoven, entre outros são considerados figuras da cultura universal. Mas na verdade, seus trabalhos tratam de cultura local expandida como se atingissem toda humanidade. Não que esses trabalhos na verdade não atinjam as populações, atingem sim. Mas o que quero problematizar é por que atingem com muito mais facilidade do que um livro de Alice Walker, por exemplo e suas personagens negras? Por que o negro e outros é tido como local e o branco como universal?
A metamorfose da pele branca acontece na hora em que o sujeito branco bem quiser e entender, pois a brancura é legitimada como universal. O artista branco pode na arte (será isso também fora dos palcos?) ser quem ele quiser, negro, indígena, africano, cigano, mouro, japonês, aborígene e até ele mesmo... Existe há muito tempo, por conta de intenso trabalho dos movimentos negros, uma reformulação da identidade artística do negro no Brasil. Mas outras raças continuam invisiveis, além do próprio negro que ainda encontra barreiras no mercado publicitário brasileiro e também na dramaticidade. A brancura da arte ainda é um desafio a ser quebrado.

domingo, 6 de junho de 2010

FILMES COM TEMÁTICA NEGRA PARA BAIXAR.

Madrugada adentro pela net, acabo me deparando com um blog com postagens de filmes com temática negra ou com artistas negros. Este Filmes Balck Gratis é um achado que somente a net pode nos dar. Por conta disso e da dificuldade que passo por querer assistir bons filmes com meu povo e minha cultura aqui está o endereço dele:

http://filmesblack.blogspot.com/

Ótima iniciativa e aproveitem, pois algumas produções nem chegaram aqui no Brasil.

Por Que Eu Me Casei?

Inicio este post com uma pergunta: Quando teremos a oportunidade de assistir a um produto de Tyler Perry nos cinemas brasileiros? Geralmente os filmes norte americanos que chegam aqui no Brasil somente em vídeo é por que não deram certo por lá. Algum gênio das distribuidoras deve achar que se algo deu errado na terra do Tio San aqui também não deve dar boa coisa. Por conta disso, muitos filmes que os iaques vêem nos cinemas, nós temos somente a oportunidade de ver na telinha. Às vezes isso acontece com filmes ruins, às vezes não. E o caso dos filmes de Tyler Perry é justamente o de filmes que chegam aqui (quando chegam!) somente em DVD. Mas ao contrario dos outros produtos os filmes desse desconhecido diretor são um incrível sucesso nos EUA. Então por que seus filmes não chegam aqui nos cinemas brasileiros, ou melhor atingem carreira internacional? Ganha um doce que souber o porquê.
Tyler Perry é um diretor, produtor, dramaturgo, roteirista, ou seja, um homem envolto em setores de comando dentro do cinema. Além de tudo ele é negro. E isso torna-se um diferencial grande a partir do momento em que ele é um diretor negro que fala em seus filmes sobre as relações entre homens e mulheres negros nos EUA. Não da forma como Spike Lee fala, digamos que Perry fala de forma mais amena, com toques de comedia e muita, mas muita emoção no recheio dos seus filmes. A critica nos EUA – e no Brasil também – odeia Perry. Dizem que seus filmes são vazios, ruins, mal construídos e por ai vai. Na verdade, os filmes de Perry não são grande coisa, parecem mais filmes de auto ajuda disfarçados de comédias românticas feitos para a classe média negra norte americana evangélica. Não são trabalhos primorosos, mas sim bons filmes. A musica sobe na hora certa para emocionar, todos os personagens tem algo difícil para superar, uma grande lição é passada no final. E só. Mas ai vem uma outra pergunta: a gente já não vê um monte de filmes com brancos dessa forma e nem reclamamos tanto? Por que com personagens e produção negra, dando ênfase a aspectos próprios da população negra o povo reclama tanto?...
Esse Por que eu Me Casei? segue direitinho as regras dos filmes de Perry contando a história de casais de amigos que uma vez por ano se reúnem para renovar os votos de seu casamento. Só que desta vez, uma jovem solteira entra no bolo criando situações inusitadas para eles com revelações de segredos que jamais deveriam ser contados. E é esse o fiapo de roteiro. E é justamente por conta disso que o filme funciona tão bem. Destaque para a cena em que os segredos são revelados, com a personagem Ângela (Tasha Smith ótima!) “boca solta” dando inicio a baixaria dentro da casa. O resto é aquela comédia romântica simples que vai te fazer sorrir, com gente bonita pra tudo quanto é canto, as mulheres são lindas, os homens são charmosos, todos bem sucedidos, muito bem vestidos, a produção é simples e impecável. Claro o filme tem seus defeitos, não tem profundidade, mas confessemos que não é isso que se procura quando o assunto é comedia romântica.
O melhor em Perry é que os negros se enxergam em suas produções. Mesmo eles seus personagens sendo mega ricos, diferente da maioria da população negra mundial, o espelho desta vez não parece tão distante. Você se vê refletido nos dramas dos personagens. Eles são negros, bem resolvidos, que enfrentam o racismo com a cabeça erguida, que tem suas frustrações, suas vitorias, seus amores. Ou seja são humanos e não marionetes.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

POSTAGEM Nº 100!!!!!!!!

Em 26 de agosto de 2007, um Domingo desses quaisquer, coloquei na cabeça que iria fazer um blog. Um blog sobre cinema negro. Algo diferente, pois blog sobre cinema tem um monte por aí, mas sobre cinema negro não, que agregava duas paixões minhas: o cinema e a negritude. Meu primero post foi sobre o musical DreamGirls que tinha chamado minha atenção naquela época. Desde então não me limitava somente as criticas de filmes, mas também falava sobre o contexto do cinema mundial atrelado ao viés da negritude.

E o blog foi dando certo, com uma postagem aqui outra ali, até que um dia resolvi expandir a temática. Falando sobre cinema acabei me dando conta que era apaixonado também por outras mídias, artes e que o universo negro era vasto até não querer mais. Juntei ao cinema minhas percepções sobre música, televisão, teatro, fotografia e também passei a fazer entrevistas. De professor “ozado” tirado a blogueiro, passei a ser professor “ozado” blogueiro crítico entrevistador e quase jornalista. Loucura total! E o blog foi crescendo, conheci muita gente por conta dele (gente que gosta (maioria) gente que faz bico quando vê), ganhei muitos elogios, gente de outras cidades que fala comigo dando sugestões etc.

Nessas tantas conversas, vez ou outra sou indagado sobre como escolho os assuntos abordados no meu blog. É sobre arte negra? É sobre artistas negros e sua produção? É sobre negritude? É sobre o que realmente? Odeio essas definições, acho que elas muitas vezes limita a gente, mas eu respondo. O Película Negra é sobre cultura pop só que com o viés da negritude. Simples. Assim posso falar de arte negra feita por negros, de artistas negros, problematizar a arte dominante branca, como os negros são vistos por esse tipo de arte e o que nós negros fazemos para combater a arte dominante que nos torna subalternos e/ou invisíveis. Falo de artistas bons e ruins. Tudo com muito bom humor, até por que falo muitas vezes não só da arte em si, mas também dela agregada ao ou contra o racismo. E deixo aberto que não é qualquer tipo de humor, mas um humor negro, já que não dá para falar de cultura negra esbravejando o humor branco que ronda pelas mídias brasileiras e de outras beiras...

São quase três anos de blog, cem postagens, filmes comentados, espetáculos teatrais, entrevistas com artistas de diversas áreas, musica, revistas em quadrinhos, cds, até sobre o mundo porno ja falei (duas vezes aliás). O blog já presenciou nos seus comentários gente racista se manifestando, por conta disso acabei tirando os comentários. Mas agora resolvi retornar com eles depois de tanto tempo.

Pois então, se você gosta de cultura, da negritude, da junção entre as duas, se é a favor das cotas (sim já me posicionei sobre isto aqui também), se admira artistas negros, se é contra o racismo, se é um branco bem resolvido ou um negro de responsa, seja bem vindo ou continue acompanhado o Película Negra. E agora pode comentar a vontade. Obrigado.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Brenda Fassie - A Diva Pop da África do Sul.

Conheci Brenda Fassie através da teimosia. Lembro até hoje o dia em que ouvi pela primeira vez o som da diva pop Sul Africana. Era algo diferente, muito diferente de tudo que tinha visto. Mas ao mesmo tempo, por mais que isso seja louco para você que está lendo, aquele som “estranho” aos meus ouvidos era ao mesmo tempo íntimo. Senti-me confortável com aquela mistura de inglês sul africano e línguas nativas das etnias da África do Sul.

Fui a uma loja de CDs em um shopping e na seção de World Music fui pesquisando artistas negros, pois já tava de saco cheio dos R&B e hip hop norte americanos que a toda hora zoavam nos meus ouvidos. Encontrei coisas até então somente interessantes, até que vi um cd de uma mulher negra com um adorno na cabeça preto, vermelho e branco, ela com um microfone na mão, apontando para o público enquanto cantava. No CD estava escrito: The Quenn of African Pop – Brenda Fassie – 1964/2004 – Greatest Hits. Fiquei louco sem nem ouvir nada. Fui direto para a parte em que poderia ouvir trechos do cd e curti bastante o pouquíssimo que ouvi. Parecia que tinham virado de cabeça pra baixo a música pop que ouvia até então. O problema era o preço salgado do CD: R$ 43,00.

Voltei na loja um mês depois (demorou eim?) com dinheiro na mão. Mas um problema, nada de encontrar o cd na mesma prateleira. Será que tinham levado aquela que poderia ser a maior relíquia da minha coleção?... Posso dizer que fiz tanta pressão que até um vendedor acabou revirando a loja inteira, telefonado para as filiais na cidade, atrás do bendito até que encontrou... Nossa! Que alívio. Desembolsei a quantia e fui para casa ouvir aquele som diferente de forma completa. Quando coloquei o cd no diskman (nossa que antigo!) acabei comprovando tudo que imaginava. Brenda tinha um som pop, mas ao mesmo tempo misturava e muito bem sons que só o país e continente dela possuem.

Acabei descobrindo que Brenda na África do Sul era tida como uma diva pop pelo seus fás, já que foi uma artista que lutou contra o apartheid e também pela libertação de Mandela. Tem uma faixa do álbum que retrata muito bem isso a “Black President”. Falava muito da vida do povo sul africano nas suas canções, sofrimentos, angustias, medos, mas também a alegria, a festa, a coragem e o desejo de libertação frente ao regime segregacionista.

Como toda diva teve seus problemas. Tinha um gênio forte, acho maior que toda África e também se envolveu em problemas diversos por conta do vicio em cocaína. Chegou a ir a clinicas de reabilitação mais de 30 vezes em toda sua carreira. Em 9 de maio de 2004 veio a falecer, com 39 anos, por conta que seu corpo já não mais agüentava as doses da droga. Mas este é apenas um capitulo na sua maravilhosa carreira. Enquanto era viva fez e aconteceu no seu país e no seu continente. Ela foi eleita a 17 no Top 100 Grandes Sul-africanos, teve mais de 15 álbuns lançados, teve um de seus álbuns como o mais vendido em 1998, ganhou Gramys, a maioria de seus álbuns se tornaram multi-sellers platina na África do Sul, tinha um público cativo e tem seguidores até hoje na África do Sul e em toda África, foi comparada a cantoras como Madonna pela sua popularidade, participou da campanha presidencial de Nelson Mandela e suas performances presentes no You Tube são até hoje referencia na cultura pop negra e visitadas por muita (muita mesmo!!!) gente.

Brenda hoje está em um lugar maravilhoso com certeza. Mulher de voz forte cantava pela alegria do seu povo. Está longe de toda nossa ignorância. Viva Brenda Fassie!

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Copa.

E tá chegando a Copa do Mundo. Pipoca a toda hora noticia das seleções, dos jogadores, dos treinadores, jornalistas. Por aqui tudo está ficando dia após dia cada vez mais verde e amarelo; o asfalto que é pintado com a bandeira nacional, a rua decorada com plásticos da cor da mesma, gente usando a camisa da seleção, bolas de futebol decorando as ruas, promoções de diversos produtos de varias marcas dando prêmios aos ganhadores dos mais variados tipos. E o patriotismo? Como o brasileiro não tem como se orgulhar muito do seu país, sistema político, econômico, social, racial, etc ele resolve se converter a “religião pátria” na época de copa do mundo. É só por trinta dias, passa rápido e na maioria das vezes tá todo mundo bêbado mesmo, não custa nada na hora que o carinha lá da seleção fazer o gol ele (ou ela) gritar Brasillll...

Mas esta copa tem um diferencial. Ela vai acontecer na África do Sul. Não em qualquer outro país da Europa, mas sim na África do Sul. Aquele país que anos atrás o regime do apartheid dominava a população negra. Por conta de Mandela e também da luta do povo negro sul africano que há anos sofria com o regime o apartheid acabou. Acabou? Ah tá! Vai ver onde os negros estão situados no país, repare nas reportagens em que postos eles estão, em que bairro moram... O Apartheid acabou no papel, ok? E isso é fato.

Mas é copa do mundo, vamos celebrar a alegria do povo africano e também suas excentricidades! Afinal de conta reportagem da Globo e de qualquer outra emissora serve para isso. E bombardeia o espectador com reportagem sobre a violência das cidades do país africano, de que quando anoitece você não pode sair a rua (aqui no Brasil em alguns lugares também tem o toque de recolher, sabia?!), das malas extraviadas no aeroporto internacional pelos sul africanos, do povo revoltando antes da copa começar pois os trabalhadores que construíam os estádios fizeram greve por conta dos baixos salários, do povo revoltado com a presença da cantora colombiana Shakira cantando na abertura, pois queriam uma cantora local se apresentando (pena que Brenda Fassie morreu anos atrás), que Mandela vai acompanhar os jogos de casa mesmo por conta de sua frágil saúde, dos ingressos pela internet não vendidos, do povo sul africano lotando os estádios, os safáris com animais enormes exóticos, leões, elefantes, macacos e tantos outros. Fora a dança da copa, com seus passinhos imitando embaixadinhas, todo o mundo imitando e uma multidão fazendo ao mesmo tempo. Lindo!

Ah! Também esta vai ser a copa com o percentual mais baixo de presença européia. Os nossos irmãos do “velho continente” não quiseram se deslocar para se divertir no território que antigamente eles dominaram, massacraram, humilharam, exploraram. Logo na época em que a maioria do continente europeu está em férias. Dizem que a COPA é feita nesta época para pegar os europeus em férias e trazer o dinheiro desse povo rico em busca de lazer... Mas eles não vão para a África. Por que será, eim? Hum... O lado bom disso tudo? Abaixaram os ingressos dos jogos e os estádios vão estar lotados do povo nativo, que é em sua maioria negra e adora fazer festa, uma festa bonita e grandiosa.

Para mim é a copa que mais está me chamando atenção. Por motivos óbvios. Confesso que tem momentos que mudo de canal quando ouço a palavra futebol, ou o termo copa do mundo, por que satura, enjoa. É a copa em que acompanhando todas as notícias, para saber como estão falando do país mais desenvolvido do continente africano e de seu povo. Às vezes falam bem, muitas de forma estereotipada e na maioria mal, mas nunca deixo de acompanhar.

domingo, 30 de maio de 2010

(Aperte o PLAY). Kelis - Acapella

Eis uma definição não oficial de clip: filminho de três minutos ou mais que você não precisa entender para gostar. Seguindo a risca esta definição, o clip da cantora estadunidense Kelis se encaixa direitinho. Sei, sei... A música foi lançada já tem tempo. Mas não poderia deixar isso aqui passar sem dar a devida importancia! Kelis deixou o R&B de lado e agora ataca na dance music, lança seu álbum ao lado de David Guetta e Will.i.Am (entre outros) com apenas nove faixas e faz bonito na sonoridade e no clip da nova faixa Acapella. Cara, que clip é esse?!!!!! Eu não consigo parar de ver. Ou melhor, EU DEFINITIVAMENTE NÃO CONSIGO PARAR DE VER!!! Não vejo um clip de dance music bom desde, sei lá, desde Carolina Marquez e sua The Killer's Song. A negona abusa da maquiagem, dos figurinos, da loucura conceitual. Tudo bem, lembra um pouco um certo clip de uma certa cantora chamada Ultra Naté, mas continua ótimo! Segue abaixo imagens do clip e também você pode ve-lo aqui.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cinema, Arte Além das Telas...

Tenho que confessar uma coisa: Sou daquele tipo de cinéfilo que fica observando os cartazes dispostos no cinema, os próximos lançamentos, fazendo mil espectativas através dos posteres etc. Sempre gostei de apreciar os cartazes de cinema. Depois que inventaram de ter vários cartazes para um só filme (coisa de americano que visa o lucro a todo custo e que sabe muito bem vender seus produtos) foi aí que me paixonei de vez. O cartaz vende o filme, na minha opinião, de uma forma toda especial, tem que resumir a película, atrair o espectador exibindo somente um conceito do filme. Os personagens, o ambiente, cenário, figurino, tudo em um pequeno espaço resumido. Existem cartazes que são verdadeiros clássicos, filmes que quando a gente lembra vem a imagem instantenea do poster.
Acontece isso comigo quando lembro de A Cor Púrpura... Impossivel não lembrar de Celie sentada naquela cadeira lendo as cartas da irmã. Lindo! Recentemente fui tocado pela arte de Preciosa - Um História de Esperaça com a personagem principal estampada no poster e delicadamente vemos asas de borboletas ao seu redor (só vendo o filme para entender completamente a arte do poster) . O poster de A Hora do Show também é impactante. outro que é escandaloso, e que me fez ficar com vontade de ver o filme logo de cara foram os cartazes de HairSpray. Todos chamativos capturando muito bem a loucura cartoon que é aquele musical. Fora outros filmes que não são do cinema negro, mas também adoro a arte.
Mas tem um diretor que o departamento de marketing de suas produções sempre capricha! Sempre viajo nos cartazes de seus filmes. O nome deste cara é Tyler Perry já postei comentarios sobre ele aqui , profissional odiado e também idolatrado no mundo do cinema norte americano.
Deixo aqui a magia da arte exibida nos cartazes dos seus filmes. Muitos são ate de um mesmo filme. A maioria nem estreou por aqui... Suas produções podem ser simplorias etc, afinal de contas ele nao é um Spike Lee, nem nunca teve pretensão de ser, é apenas um bom produtor/diretor de cinema que consegue enxergar seus filmes como algo além do que se vê. Para ver as imagens maiores é so clicar nelas.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tenha medo... Muito Medo!!!!!!!!!

Procurando material em quadrinhos na net para dar aula sobre o processo de fim da escravidão negra no Brasil, digitei no google algumas palavras atrás de imagens ligadas ao tema e olha o que aparece... Estremeci, cambaleei, arrepiei todo! Juro! A edição é um "clássico" dos HQ ligados a educação no país e ainda é usada em algumas escolas...
Pelo nome já devemos imaginar o conteúdo... A edição vem também com outras historias ligadas a temática negra... Isabel a Redentora (!!!) é apenas uma das histórias que vem acompanhada de outras quatro: Negrinho do Pastoreiro, José do Patrocinio, Luiz Gama e O Dragão do Mar.
Só falta no final da aula a professora ou professor dar parabéns aos negros da sala por estarem libertos e fazerem uma oracão a santa Isabel pelo seu ato de coragem e heroismo desbravando os preconceitos de toda uma nação...
Tudo isso pela bagatela de R$ 28,00!

sábado, 22 de maio de 2010

Divas e Astros Negros da Eurodance.

No inicio da década de 90 um ritmo invadiu as rádios de todo o mundo, fazendo muito sucesso e colocando jovens de todo o planeta a dançar nas pistas, a Eurodance. Quem tem mais de 25 anos com certeza já foi embalado por fitas cassetes e CDs das Sete Melhores da Jovem Pan, Transamérica ou as incríveis coletâneas da Paradoxx Records. Naquela época artistas como Gala, La Bouche, Dr Alban viraram febre em tudo quanto é canto, de festinha de 15 anos à boate de responsa.

As letras eram extremamente simples, não muito diferente das de hoje – dance music nunca foi sinônimo de música engajada politicamente – falavam basicamente de três coisas: azaração, amor e paz. E só! O som era uma mistura de tecno instrumental, com vocais femininos em destaque e rap com vocais masculinos. Algo pra cima falando geralmente dos Sábados à noite, dos amores de fim de semana, das baladas com amigos, do verão e seus atrativos, do ritmo alucinado da noite, dos corpos sexy, ou seja, era mais ou menos um “Axé” importado da Europa!!!

Mas é curioso notar que um ritmo vindo da Europa que explodiu em todo mundo, tinha nos seus representantes principais cantores negros. Ok, existem negros na Europa, disso todo mundo sabe, existem negros em todo mundo, mas quando se pensa em música com cantores negros reconhecidos internacionalmente o que quase todo mundo pensa é nos EUA e não no “velho continente”. Mas é justamente do velho mundo que os negões da Eurodance chegavam. Lembram-se da dupla do La Bouche? Ou da cantora brasileira/italiana Corona? E do Haddaway com sucesso chiclete What is Love? o negocio foi tão forte que a Eurodance fez escola também nos EUA, ou voce nao se lembra da cantora Ultra Naté, só para citar um exemplo, e seu super hit Free?

Outro ponto é a presença forte do rap na Eurodance. Todo grupo tinha que ter o seu negão surgindo no meio da musica para dar um climão à batida dance, os versos do 2 Brothers On The 4th Floor são clássicos até hoje. Acho que foi a partir daí que comecei a gostar de rap e foi o meu primeiro contato com artistas negros extremamente bem produzidos, lindos, com vozeirões de tirar o fôlego – destaque para La Bouche e Corona. Naquela época presenciar um clip de Be My Lover ou You Wont Forget Me, do La Bouche, ou quem sabe Mr Vain do Culture Beat, por exemplo, era como a aparição de um Oasis em meio a um deserto de música geralmente feita por artistas brancos no Brasil. Eu que sempre gostie de musica dance tive a chance de ter minhas referencias na Eurodance. MTV? Hum só com TV a cabo, internet nem pensar. A informação naqueles tempos era a passos lentos.

Além do rap, a Eurodance tinha também influencias do reggae, do trance e do folk. A batida melosa do hit reggae-dance “Uh la la la” da Alexia - esta também tinha um cantor negro pronto pra fazer rap - não sai da minha cabeça. Ou mesmo quando os negros não apareciam a influencia da música negra era forte. Gente como Ace of Base deve muito do seu sucesso a mistura que fez do reggae com o pop. Todos esses grupos e cantores que citei fizeram muito sucesso e suas turnês viajaram por todo mundo, além dos festivais que invadiam as cidades.

Ate hoje lembro a primeira vez que vi Corona e soube que ela era brasileira no Domingão do Faustão. Ela com aquele cabelo longo trançado, com aquele vozeirão todo, fazendo sucesso na Itália e aqui no Brasil. Todo mundo cantando (em inglês certo ou errado...) o refrão do hit The Rhythm of the Night: “This is the rhythm of the night/ The night/ Oh yeah!/ The rhythm of the night/ This is the rhythm of my life/ My life/ Oh yeah!/ The rhythm of my life. Lembro tudo com sorriso no rosto. Só não gosto de lembrar das fitas cassetes horrendas que quando queria repetir a música tinha que rebobinar (acho que esse verbo nem existe mais) e nem sempre parava no ponto que eu queria. Viva a tecnologia!!!

A Eurodance era boa mesmo para não se levar a sério, sair, dançar, dançar, suar, dançar. No final de 1996 o ritmo começou a ter seu primeiro desgaste perdendo a vez totalmente anos depois, 1998/1999, para outras evoluções da música eletro. Mas ainda sobrevive. Ou você pensa que não ouve Eurodance ou pelo menos artistas que são influenciados por ela? Já ouviu Aqua, Carolina Marquez, Lasgo? Então aquilo é Eurodance pura. E a mais badalada artista pop do momento, Lady Gaga, tem inspirações diretas com os artistas dessa época, quando vi Just Dance pela primeira vez ouvi ecos de dance music da década de 90 por todos os lados.Para o bem ou para o mal a Eurodance “morreu”. Está entre aspas, pois já citei as referencias atuais e também por conta do you tube na net, que geralmente mantém sob o efeito do formol artistas antigos. Então devo corrigir... A Eurodance vive!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

(Aperte o Play) Blue


A postagem sobre Boys band rendeu... Tanto que um leitor do blog, chamado Tiago, acabou mandando o video de uma outra banda formada por garotos bonitinhos que tem um de seus componentes negros, a Blue. Com as palavras do próprio Tiago, "eles também duraram cinco anos". Sim, a banda já se separou, depois de fazer sucesso em toda Europa, Austrália e também Japão, estampados em tudo quanto é tipo de produto, encarnado sucessos melosos e grudentos... O negão que você vai ver no video - apresentação ao vivo - já está fazendo carreira solo. Mas a Banda acabou voltando para uma última turnê, algo bem típico das boy band programar um retorno e depois desaparecer de vez...
Obrigado Tiago pela sugestão. Fica aqui o vídeo, é só clicar no play aguardar e ver.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Dia 14!

O diretor Ângelo Flávio é conhecido na cena baiana por duas características fortes: sua excentricidade e seu engajamento político forte. Ângelo com poucos anos de carreira já tem lendas espalhadas pela cidade e que por vezes repercutem tanto a ponto de chegar ao interior do estado. Foi assim que conheci a “fama” do aluno “maldito” da UFBA negro, do curso de direção teatral que estava (naquele tempo) se formando com uma peça revolucionaria em cartaz no Centro Histórico de Salvador. A Casa dos Espectros chegou, fez barulho na cena teatral soteropolitana, calou a boca de muita gente e ainda por cima ganhou reconhecimento da critica especializada (isso em Salvador existe, é?!) e do público, que lotava as apresentações do espetáculo que fala sobre os signos do racismo de forma única. Não vi o espetáculo, mas também nunca vi alguém desmerecendo Flávio e seu grupo, pelo contrario só elogios...

Ouvi muita coisa também do grupo que ele dirige, o CAN – Coletivo Abdias do Nascimento, que tem uma proposta diferencial no teatro, não apenas por ser um grupo de atores negros que resistem, mas o teatro que eles fazem vai além. Ontem, na minha primeira experiência como real espectador com o CAN, presenciei algo impressionante, de tamanha simplicidade, mas com forte impacto. Um espetáculo de proporções gigantescas, que mexeu com meu ser de maneira única. O nome do espetáculo? O Dia 14.

Nunca vi ninguém falar de racismo de uma forma tão bem feita, tão detalhada, enfocando as contradições entre os negros, os brancos, como todos são atingidos. O texto explora cada ponto, deixa provocações, mas ao mesmo tempo informa, ou seja O Dia 14 é dramaturgia negra de primeira categoria. Vi a peça no Espaço Cultural Barroquinha, lugar perfeito para a proposta da peça. Maravilhoso.

O espetáculo fala sobre o que aconteceu depois do dia 13 de maio de 1888, os negros foram libertos, mas e daí? O que aconteceu a partir desta data com a população afro brasileira? Tornou-se sem emprego, ridicularizada, estigmatizada, tida como vadia, segregada em lugares imundos, “vitimizada”, vulgarizada, depois transformaram em vilões da sociedade e outras coisas que só sendo negro para sentir na pele aquilo que o racismo faz questão de mostrar. O espetáculo consegue passear por cada fração de forma primorosa em todos os aspectos. O texto às vezes dá socos no estomago de tão forte e tem referencias claras ao clássico de Toni Morrison, A Bem Amada em uma cena chocante. Para não deixar por menos, o espetáculo me deixou com lagrimas nos olhos duas vezes...

Além do texto, direção e interpretação ótimas, a peça também é um espetáculo para os olhos. Não sei se por que o Espaço Cultural Barroquinha é lindo também ou se a produção aproveitou muito bem os aspectos do local a seu favor. Sobressaem-se na ótima produção a cenografia simples e perfeita (parabéns a Aloísio Antonio e Marcos Costa) a iluminação show, trabalho lindo de Ângelo Flávio, Telma Gualberto e Vinício Nascimento.

A peça, infelizmente foi comprada para somente três dias 13,14 e 15 de maio. Mas segundo o diretor o projeto do grupo é transformá-la em recurso pedagógico para professores e estudantes de Salvador. Para melhorar a questão o espetáculo foi de graça, já que estava sendo patrocinado pela SEMUR – Secretaria Municipal de Reparação. Meu Domingo acabou com chave de ouro, voltei para casa revigorado.

sábado, 15 de maio de 2010

Eu digo ADEUS!!!!!!!!!

Helena - a primeira protagonista negra coadjuvante da tv brasileira no horario nobre se foi... Depois de tanto alarde a personagem vivida por Taís Araújo se despede com saldo menos um. Apagada, submissa, moralista... Não é a toa que o público virou as costas para ela. A Globo adorou, com certeza, afinal de contas, agora pode falar que não é culpa dela...
A interpretacao de Tais também, vamos falar a verdade, não foi lá essas coisas. Foi fácil para a "verdadeira protagonista", Luciana, tomar o lugar no primeiro escalão do folhetim. O texto era melhor (leia-se menos sofrivel...), as situações eram mais desenvolvidas e ela até andava no finalzinho da novela em planos de realidade paralelos... Eu eim!...
Mas agora chega de vibrar com a promessa que nao foi cumprida... A TV Globo volta ao normal, mostrando os verdadeiros donos da tele-dramaturgia nacional... Os italianos! Acho que já são mais de 50.000 novelas com eles...

MOMENTO MARCANTE: Se lembram do tapa que ela levou ano passado em plena semana da Consciencia Negra? Meu queixo até hoje está deslocado por conta daquela cena...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

UMA BLACK DIVA DE RESPONSA!!!


Assistir um show de Valerie O'Rarah é sempre presenciar uma apresentação fora do comum. Criada há seis anos pelo ator transformista Valécio dos Santos, Valerie tornou-se figura mais que querida na comunidade homossexual de Salvador. Em pouco tempo sua personagem tornou-se definitivamente diva. Em entrevista ao Blog Película Negra conversamos sobre a Cena LGBT de Salvador, a arte do Transformismo e claro, o uso da cultura negra em suas apresentações, já que em Valerie isto é um diferencial, um ótimo diferencial...


Como foi que surgiu a Valerie? Como foi o seu processo de criar e desenvolver uma das maiores personagens da cena LGBT soteropolitana atual? Quando nasceu a personagem há seis anos atrás, chamava-se Valentini O’rarah, e nasceu em casa aos domingos com um grupo de amigos que fazíamos reuniões dominicais bem divertidas e em uma dessas surgiu a personagem um tempo depois achava que o nome não era muito sonoro Valentini e substitui para Valerie O’rarah, que hoje segue uma linha afro pop brasileira de personalidade forte.*

2 Além de brilhar nos palcos no circuito LGBT de Salvador, você tem outra profissão? Sim, sou maquiador profissional, trabalho com make social e artística... no trabalho social o comum como noivas, formandos entre outros e artísticas com peças teatros, vt’s e filmes, além de lecionar o oficio a uma ONG chamada Omi-Dudu.*

3 A carreira de ator transformista Salvador tem sofrido um abafamento nos últimos anos. Aqui na cidade, poucos lugares dão espaço para a arte do transformismo, além dos cachês que são muitos baixos. Com toda essa dificuldade o que te move investir em algo tão caro e trabalhoso de se fazer? O PRAZER, todo artista tem seu ego acima de qualquer coisa. Se um artista for pra casa sem o aplauso do seu publico e com um cachê maravilhoso no bolso, ele fica insatisfeito, mas mesmo estando sem dinheiro porém, com o reconhecimento de seus seguidores, seu publico, seus fãs... nossa, é a gloria pra qualquer um artista.*

4 Em São Paulo e no Rio, por exemplo, as drags e atores transformistas estão migrando para o teatro depois que algumas boates se fecharam para seus shows. Aqui em Salvador a peça Loulou Atende também esteve em cartaz no Teatro Gamboa. Você pensa em migrar para os teatros, em exibir seu trabalho em outros lugares? SIM, tanto penso positivo como já fiz alguns trabalhos no teatro... fiz Salto Alto de Diorgenes Costa com a Direção de Guido Velansque, no Meia noite se improvisa ano passado fiz um trecho de Divorciadas, Evangélicas e Vegetarianas com a Direção de Iara Colin, lançamos um show em 2007 Star’s junto com Rainha Loulou e Suzzy D’Costa no teatro Gamboa e para 2010 tenho porjetos em lançar um novo show ligado aos orixás.*

5 Você em suas apresentações, vez por outra, adere à estética afro brasileira e africana. Em muitos shows a Valerie se diferencia das outras artistas por conta disso. Você usa perucas black, interpreta deusas negras do samba, usa roupas que usam características da cultura afro brasileira. Como surgiu o interesse em levar aos palcos a cultura negra através do transformismo?
Como Valécio, observei que a maioria dos transformistas em Salvador tem uma preocupação em ser a mulher branca bonita e se eu fosse fazer o mesmo papel estaria no grupo de mais uma. O engraçado que estamos em Salvador uma cidade negra e que poucos trazem a cultura negra na versão transformismo. Parei, pensei e executei e acho que deu certo! rs *

6 O Brasil é conhecido como país de racismo velado. Os negros geralmente sofrem racismo, mas de uma forma bem diferente das vistas em países como EUA, por exemplo. E para você, artista da cena homossexual em Salvador, existe racismo no meio LGBT? Nunca presenciei uma cena de racismos nos palcos em que pisei.*

7 Quem são as suas referencias artistas que você admira – cantoras, divas, atores transformistas?
Vixi, tenho muitos espelhos... cantoras são: Whitney Houston e Beyoncé (internacional)... Maria Bethania, Alcione, Daniela Mercury e Mariene de Castro (nacional)... Hebe Camargo e todo o seu carinho com o publico e seus convidados sem falar da elegância da mulher e atrz Fernanda Montenegro*

8 O show de transformismo, atualmente, se realiza por meio de uma combinação de técnicas que se dividem em três categorias: a dublagem (ou outra técnica artística possível), a performance e a produção visual. Sem estes três quesitos não há show, ou existem outras técnicas que vão além destes componentes básicos? Sim... o necessário, para uma boa apresentação. Dublagem em cima da letra, desempenho no palco e a produção q encanta os olhos. *

9 O mundo artístico é conhecido por sua concorrência acirrada, muitas vezes até desleal. Acabei visitando sites, blogs de artistas transformistas, drags, artistas travestis de todo Brasil e vi que existe muito bafafá, quem teve o melhor desempenho no palco, quem se apresentou com o pior vestido, muita treta, fuxico etc. Nos bastidores em Salvador também rolam estes burburinhos? Sim, muita critica desnecessária, muita picuinha, fofocas e outros. Cabe a cada um executar seu trabalho e ponto.*

10 Nestes seis anos de carreira você deve ter muitas historias para contar... Pode compartilhar um momento inesquecível e outro que infelizmente insiste em ficar na memória nestes anos nos palcos?
Foram tantos cravados na minha memória, muitos de aceitação popular, as vitorias nos concursos, a emoção das musicas que falam de amor e vc chega na historia de alguém que esta lhe assistindo isso é muito bom e os aplausos que alimenta a alma do artista.*

11 O que alguém que quer se enveredar pelo caminho da arte do transformismo pode dar os primeiros passos aqui em Salvador?
Como toda profissão tem que ter aptidão, e pra alguns só descobrem isso nos palcos, a ajuda de alguém que esta a mais tempo na estrada é um bom começo também e o principal... pra ser artista tem que ser artista!!!



terça-feira, 11 de maio de 2010

E lá vem filme...

Às vezes Hollywood toma jeito, ao menos parece, mas muitas vezes não! Me diz de quem foi a ideia ridicula de refilmar Karate Kid com o filho de Will Smith? Mata esse gênio, por favor! Mas no quesito filmes de ação parece que o novo de Thandie Newton pode ser uma boa aposta... Filme de ação de espionagem é muito dificil de ser ruim. O primeiro trailer era bem mais ou menos, mas logo depois começaram a bombar outras imagens na net e também um outro trailer mais completo. e o filme parece realmente que é bom! Esperemos pra ver...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Boy Banned...

Backstreet Boys, N’ Sync, WestLife, Five, 98, Twister, Boyzone, Dominó, as boys band – banda formadas por quatro ou mais garotos bonitos que cantavam parecendo coral de igreja – dominaram toda a década de 90. Cresci vendo a presença de quase todas as bandas na telinha da MTV, dominando outras emissoras, sendo seguidas por fãs histéricas que faziam de tudo para acompanhar seus ídolos “lindinhos” onde quer que eles fossem.

Com o final da década de 90 a musica pop pareceu tomar juízo devido ao desaparecimento dessas produções. Certa vez vi um documentário sobre a “onda das boys band” e um dos produtores de uma delas dizia que seu produto era fabricado para durar exatos cinco anos. E não é que ele tinha razão? Five e afins não duraram muito tempo no mundo da musica e ou se desintegraram de vez ou seus membros acabaram seguindo carreira solo ainda pela musica ou como atores de Hollywood.

Mas, eis que de repente, surge uma nova promessa de Boy Band do século XXI. A Boy Banned está ai sendo lançada com novamente quatro meninos, cada um fazendo um tipo. Mas esta tem alguns pontos diferentes... A primeira é que a banda é produzida pela Eurocreme – produtora de filmes pornôs britânicos (!) – a segunda é que sua primeira apresentação vai ser em uma Parada Gay de Berlim (!!) e não em um palco comum... E a terceira, mas não menos importante... Reparem que diferente de outras (todas as outras!) boys band essa finalmente tem um componente negro.

Outro fenômeno descartável da década de 90, as girls band, contava sempre com uma garota negra dentro do conjunto. Spice Girls, All Saints, Pussy Cat Dolls, Rouge, sempre estavam lá com uma representante da nossa raça. E por sinal eram lindas, todas!!! Mas os meninos geralmente eram loiros ou morenos de olhos azuis, verdes, pareciam mais príncipes encantados da Disney...

Pena (?!) que esta banda não dure tanto... As boys band hoje foram substituídas por bandas de rock juvenis e sua pauleira emo filosófica burguesa. Acredito que não haja mais lugar para garotos bonitinhos, fazendo caras e boca, cantando musicas melosas e prometendo amar as garotas com toda devoção do mundo... Não na musica pop, pois o rock agora também é descartável...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fanon, Walker e outros desconhecidos...

É evidente que a cultura negra hoje está em um outro patamar em consideracao a anos atrás. Mesmo que ainda em quantidades homeopáticas, no Brasil. o numero de livros, CDs, dvds, exposições, espetáculos de artistas negros aumentou e muito nos últimos dez anos. De fato, muito por conta das ações afirmativas junto ao governo e a outras empresas e a pressão que o movimento negro exerceu nos últimos anos para divulgar a negritude como arte e fazer com que empresas e outros setores da sociedade também aderissem a esta conjuntura. Mas anos atrás isso era bem diferente. A percepção do que era cultura negra era mais ou menos invisível ou nula. E para encontrar algo que valesse a pena colocar a mão na carteira era uma luta e das boas.

E quando as referências eram de fora a coisa piorava. Encontrar Alice Walker, Frantz Fanon, Biko, Toni Morrison era como encontrar uma agulha no palheiro, como um negro no Curso de Medicina na Universidade Federal da Bahia (!). Até hoje é um pouco difícil é verdade, mas anos atrás só Deus sabe o esforço que alguém tinha que fazer pra conseguir cultura de boa qualidade e feita por negros. Por que isso era um outro problema. Artistas em geral, que tratavam sobre negritude, brancos era fácil encontrar, mas negros?!!!!! Nossa que dificuldade! Às vezes dava a impressão que os negros não faziam nada ou não sabiam fazer ou toda sua arte foi abduzida por ETS e só restou os depoimentos de outros artistas... Mas eles estavam lá, escondidos, nas prateleiras do fundo, ou disponíveis em um só volume, ou em ediçoes que nunca chegavam a ser reeditadas, essas coisas misteriosas que só os deuses para explicarem por que acontece... E foi em uma dessas prateleiras que descobri os meus queridos exemplares dispostos na figura do post. Todos esses livrinhos conseguidos da forma mais absurda, louca, histórias que merecem serem contadas.

O de Fanon, OS CONDENADOS DA TERRA, um clássico da literatura negra, que nunca mais teve novas edições, consegui pela bagatela de R$ 12,00!!!!! Sim, isso mesmo. Em um Sebo, na mão de um argentino que estava querendo se livrar daquelas tralhas amontoadas, ao lado de Fanon estavam “clássicos” de Sidney Sheldon (que autor, eim?!) a Agatha Christie – vendidos a preços mais caros do que do livro do filosofo africano. Curioso é saber que em outro sebo próximo o mesmo livro de Fanon estava – a edição em Frances – pela bagatela de R$ 200,00 e a edição em português, que não existia lá ainda, tinha fila de inscritos aguardando que ele chegasse.

O de Alice (A COR PURPURA, VIVENDO PELA PALAVRA e O TEMPLO DOS MEUS FAMILIARES) e o de Toni (PARAISO) a mesma coisa. Eles – os funcionários do sebo – nem sabiam quem eram as duas escritoras, achavam que estavam no mesmo crivo de... Sei lá, esses escritores estrangeiros que ninguém nunca ouviu falar, pedi aos funcionários um livro chamado A Cidade das Mulheres (livro horrível sobre uma norte americana que vem pro Brasil pesquisar sobre o candomblé... Como é grosso serve como um bom prendedor de porta!!!), um pedido na verdade para despista-los. Comecei a procurar os livros que na verdade estava a fim de levar e acabei encontrando os dois. A R$ 20,00!!! Quando o funcionário voltou, vendendo uma edição antiga do outro livro a R$ 250,00 (!!!) disse que não estava interessado, mas que queria comprar os outros. Ele acabou dando até desconto.

Eles não conheciam quem era Fanon, Alice, Toni... Se soubessem a importância que eles tinham pra mim fariam os preços subirem mais altos que o teto. Mas como naqueles dias cultura negra era sinônimo de invisibilidade, aproveitei a desorientação do vendedor e comprei meus livros chegando em casa e devorando todos sem parar.

Hoje você chega em uma livraria e devido também a lei 10.639 tem delas que chegam a ter sessões de livros sobre cultura negra... Literatura, historia, infantil, antropologia etc. de todos os preços, a maioria são caros, como todos os livros no Brasil, mas estão lá. As referencias chegaram. Agora é só se matar de suar pra comprar um exemplar...

Enquanto isso no outro sebo, leitores afoitos esperam em uma lista interminável, que um exemplar em português de OS CONDENADOS DA TERRA chegue... Ai ai...