quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY! Propaganda gay Doritos!

Ano passado a DORITOS foi acusada por grupos gays por vincular um comercial homofóbico. Passada a polemica em torno da propaganda, ela resolveu atacar pelo lado politicamente correto e trazer ao mercado uma propaganda com uma pegada sexualmente gay. São duas propagandas. O problema é que as propagandas estão sendo recusadas por alguns canais, por conta do alto ( e boata alto) "teor sexual". Não que seja pornô, não é isso, mas não é uma propaganda que se deva passar em todos os horários, por exemplo. Se os setores conservadores dos EUA já chiam com propagandas heterossexuais que exageram vez por outra na dose, imagina quando a tv pega fogo por conta do 'frete' entre dois homens? O povo inventa é coisa viu?! Veja abaixo uma das propagandas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY!!!!! RITA BATISTA no BOA TARDE BAHIA 2

Olha eu sou suspeito quando falo de Rita Batista, pois eu amo esta mulher!!!! Aqui na Bahia ela já é mais que querida pelos telespectadores e vem roubando a audiencia de gente que insiste em fazer a gente almoçar com o medo, sangue e ladrões ridicularizados... Para voce, caro leitor, qeu não mora na Bahia ou não tem como pegar o sinal da Band Bahia repare como ter uma apresentara desta, em uma tv aberta para a população negra - e branca também por que nao?! - é realmente um diferencial. Neste post, ela entrevista o ator Luis Miranda com seu espetáculo 7 Conto. Para quem não mora na Bahia, irmão se adiante criatura - como diz Rita - e exija algo parecido na sua terra!!!!!!!

domingo, 23 de janeiro de 2011

FAVELA ON BLAST - FAVELA BOLADA

Sem sombra de dúvidas o funk é mais que um simples ritmo... trata-se de um movimento. Tem gente que além de dançar, trabalha nele, direta ou indiretamente, ele balança a favela, crianças, mais velhos, desenha o dia a dia da periferia no Rio de Janeiro. Dele os moradores expõem o que fica "escondido" entre quatro paredes e explodem filosofia da melhor qualidade, pois trata-se de uma poesia que retata a realidade das favelas. Funk é inspiração, funk é sexo (dos bons!!!), funk é ensinamento, funk é putaria, o funk canta o amor, a glória, a cachaça, o pai de familia que sai cinco horas da manhã pra trabalhar, o funk canta a sexta-feira, ele esculacha, brinca, revolta a violencia e faz pensar. Se isso não é um movimento me diz o que isso é pelo amor de Deus!!!!!!!
Este incrível movimento vai ser retratado de forma primorosa pelos diretores Diplo (Wesley Pentz) e Leandro HBL no documentário Favela Bolada ( Favela On Blast) que passou em inúmeros festivais pelo país e pelo mundo. O filme está disponivel em blogs, além de uma versão no you tube e vale muito a pena assitir, pois os diretores deixaram o funk exposto por aqueles que fazem funk. Pela graça do nosso senhor Deus os responsáveis pelo documentario não preferiram uma visão academica, não apelaram em nenhum momento para estudiosos de funk, pois em todo o filme a favela e os seus moradores sao retratados. Isso garante ao documentário uma vivacidade, uma paixão toda própria por um ritmo extremamente condenado e adorado ao mesmo tempo.
Passam pela película gente como Mc Duda, Mc Frank, Mc Colibri, Mister Catra, Mc Pana, Gailoa das Poposudas, Dj Wally, Biruleibe, Dj Sanny, Mc Galo, Mc Serginho, Mc Deise Tigrona, Mc Pé de Pano, Junior e Leonardo, Dj Jorginho, Mc Ju, Dj Marlboro, muitos deles desconhecidos do grande público, ou do resto do Brasil, mas nas favelas cariocas elas e eles são verdadeiros deuses. E para mostrar todo este Olímpio o filme traz fotografia primorosa, evidenciando a favela, suas vielas, becos, escadarias em grande estilo. O roteiro do documentario também não é algo comum de se ver, já que não trata o tema de forma explicadinha, quadrada, mas cresce a aprtir que seus personagens mostram o que eles querem chamar atenção.
Tudo feito sem julgamentos, mostrando as várias facetas do funk e suas histórias, são muitas e a maioria divertidas. O documentário também pontua a violencia e a visão que a favela tem do funk junto a policia e como a policia reage ao ritmo que modifica o dia-a-dia dos cariocas. O único defeito de Favela Bolada (Favela On Blast) é ficar parado enquanto os vários funks ecooam na sala... este movimento é quase impossível...

sábado, 22 de janeiro de 2011

ARIADNA... BBB 11!

Faz cinco dias que a "personagem" mais fascinante e curiosa do big brohter saiu. Ariadna foi eliminada do programa e fez com que qualquer chance de eu acompanhar o big brother fosse pras cucuias. O resto dos participantes que ficaram na casa são a personificação da obviedade. Todos - ou quase todos, pois tem gente que não tem talento nem para isso - irão colocar suas genitálias de fora endurecidas ou arregaladas em revistas e mais revistas de nu "artistico" que fazem filme das Brasileirinhas parecer coisa de criança. Tiro desta leva, ao meu ver, somente a gordinha/super gostosa Paula com sua alto estima mais que elevada em meio a tanta gente sarada e vazia de conteúdo.
Ariadna tinha uma vida completamente diferente para ser mostrada na tv. Negra, transsexual, foi prostituta, deixada de lado pelos familiares, um olhar às vezes vago às vezes triste, mas sempre desconfiado. Esse "personagem" nenhum autor da Globo e suas tramas também obvias nunca iriam construir. Por isso, ela logo logo foi para fora da casa. O público está acostumado com as tramas globais e suas bobagens batidas, não aceitam o novo, precisam de uma trama que mais parece rádio de tão quebrada que é - repare que se você tentar acompanhar a novela das seis, por exemplo, sem ver a trama (ficar em frente a tv) vai conseguir comprender a novela de tão mastigada que ela é.
Uma outra coisa... E quem disse que Ariadna não tinha orgulho de ser quem é? Nos comercias globias os flash do big brother mostravam pessoas dizendo que o mal dela é que ela tinha vergonha. O que ela tinha não era vergonha, mas insegurança! Pois está em um país que não aceita um sujeito homem homossexual, quanto mais uma trans negra que foi prostituta e não sorri por qualquer besteira.
O programa mais desinteressante da tv brasileira - não por que sempre foi chato, mas por que está totalmente descuidado - perdeu a única coisa que poderia fazer ele crescer. Mas paciencia, o público quer novela das nove com personagens caricatos e trama batida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E quando o racismo vem de dentro de casa?

Quando tive os meus primeiros contatos com referências que para mim hoje parecem tão comuns como Fanon, Sudbury, Abdias do Nascimento, Ari Lima entre outros, comecei a me relacionar com um novo mundo negro. Neste mundo eu me olhava no espelho e sentia orgulho de mim mesmo. Olhava para meu cabelo e reparava que o que antes achava feio agora belo era arquitetado na minha cabeça. Por dentro, as mudanças também continuavam, sorria mais, passei a não dar valor aos meus medos, descobri dentro de mim um curioso que há tempos havia perdido, pois o mundo que vivia era chato demais... Além de achar meu cabelo, minha pele, meu nariz, belos, de descobrir minha cultura, eu por dentro hoje sou outro, devido aos autores que descobri e por algumas pessoas que encontrei pelo caminho.
Esses encontros, além de servirem como reformulação do meu ser, possibilitaram também me defender do mundo e de sua opressão. Não estou querendo pronunciar o meu papel de vitima na sociedade, mas sei que o racismo formulado/inventado por brancos séculos atrás – e ainda usado por estes no século atual – tem força hoje e sua extinção é um trabalho de anos e de complicado aparato. Todo negro precisa se defender contra o racismo! Conhecer a si mesmo é o primeiro caminho. Não adianta querer fazer revolução lá fora se dentro de casa está tudo virado de cabeça pra baixo. O racismo não só tira seu emprego. O racismo enlouquece, humilha, ridiculariza, afasta voce de si mesmo... É uma invenção poderosa, inteligente e que todos nós negros precisamos ganhar algum tempo do nosso dia-a-dia aprendendo a nos defender.
E com o tempo e a experiência acabamos ganhando esta auto confiança e informações valiosíssimas contra o racismo. Ficamos fortes, com orgulho maior que nosso cabelo, ele agora cresce sem problemas e dentro de uma auto estima consciente. O mundo pode vir quente, a gente não se importa. Aos poucos, nos preparamos para saber onde meter o nosso pé, com quem andar, o que falar na hora em que ouvir certos tipos de absurdo. O racismo não vai deixar de existir por que voce está preparado, ele vem bem mais forte que voce pensa, mas as armas estão perto, as referências estão aí, para que você as use e se defenda.
Mas isso é com o mundo! E o outro mundo? O de dentro de casa? Quando o racismo te atinge dentro de casa? Com seus irmãos, seu pai, sua mãe, seus primos, tias, enfim sua família? O que você faz? Carrega a metralhadora e sai atirando para todos os lados com os argumentos intensos para os de fora, que são estranhos, estão presente em congressos, onde você disputa retórica, ou processa por discriminação? O povo de casa é tratado por você como o povo da rua?
Comigo não. Para mim o caso dentro de casa é extremamente diferente. Primeiro que não estou lhe dando com um estranho, é alguém que cuidou de mim, que me dá carinho, que briga comigo pelo meu bem e que tem a seu favor todo arcabouço da cultura “familiar” construída em torno de séculos e séculos ao seu lado. “Respeite seu pai!” ou “Com família a gente não faz assim desse jeito...”. Não é militância, é dentro de casa. Não é seu colega racista no trabalho, é seu irmão com signos racistas contra você. E ai, vai sair metendo a porra em todo mundo?...
Venho de uma família negra, com suas várias tonalidades de peles escuras, mas com alma ferozmente colonizada. Aliás, ferozmente só não. Como o racismo aprende subterfúgios para existir plenamente, acaba sendo “evidenciado” através de brincadeiras, sorrisos, no meio daquele churrasco de Domingo familiar. E é um tal de rir do seu cabelo, de abrir debate no meio do almoço sobre o crescimento do cabelo de fulano e beltrano, de chamar filho de macaco, ou de “vermelhinho cor de formiga”, de brincar com o nariz do outro, de não aceitar o namorado da irmã que é mais escuro que ela. Muita dessas coisas aconteceram na minha família e pode acontecer/aconteceu na sua e na de muitos outros negros...
O racismo para mim é inteligente por conta deste ponto; ele não precisa do outro para ser efetivado! Ele não precisa do branco, nós mesmos aprendemos com os valores coloniais, anos e anos atrás, a nos violentar e passar isso de geração em geração. Até chegar na sala de jantar de sua casa com sua tia dando um valor danado ao namorado branco que sua irmã arranjou, falando dos olhos deles, do porte, da beleza e distinguindo, de forma peculiar, a sua namorada com aquele cabelo diferente... “Por que ela não corta? Ela é tão bonita!...”
Neste ponto não adianta. As referencias que voce leu, releu, na hora não servem para nada. Por que o nervoso ataca. Como compreender que as pessoas que vivem contigo e te amam acabam dizendo frases do tipo “Voce agora só fala de negro” te transformando em um chato ininterrupto, ou “Tá na moda usar essa desgraça desse cabelo assim dessa forma né?”, “Vem macaco comer!”... E por aí vai. Nós negros aprendemos a nos estraçalhar e fazer isso vez por outra na esportiva... Com brilho nos olhos... A violência entra como um vampiro na sua casa e logo lá onde você pode se recuperar das atrocidades do mundo externo, voce é violentado também.
É preciso muita paciência! MUITA PACIENCIA! Pois este contato, das festas, da alegria, da reunião, do amor, que é próprio da cultura negra, de dar valor extremo ao coletivo, pode estar em jogo nestas horas. Toda família negra faz práticas que são próprias da cultura herdada dos valores africanos. Muitas e muitas vezes faz isso sem a mínima consciência, sem conhecimento de onde aquele gesto vem etc. O valor tão preciso e único de conhecer a si mesmo, que chamei atenção lá em cima, aqui faz uma diferença enorme. Como um tio seu que acha o cabelo dele ruim, horrível, - por que aprendeu isso – pode achar bonito o seu cabelo? Como ele vai compreender, ele não é neto de escravo e sim de negros escravizados? Como?
Conheço um monte de amigos meus que hoje não tem mais paciência com a família. Quando o assunto é racismo atam as mãos, pois cansaram. Cada um faz o que quiser da própria vida. Aqui em casa consegui ter um papo com os meus e aprendi que não era só eu que tinha a ensinar, pois com a abertura do diálogo eles me ensinaram muito. O movimento negro na minha vida não esteve fora de casa, o Movimento Negro pra mim é a MINHA casa! Sei que com as pessoas mais velhas é bem mais difícil este tipo de coisa. Elas já tem opinião formada, estão em um estágio da vida que querem aproveitar das conclusões que tiram e não muito de reformular conceitos. Outra coisa é que o racismo às vezes entra e nunca mais sai, infelizmente, da cabeça de um ser negro. Acorde, viu?! É uma realidade! Alguns são tão bons alunos que chegam a defender certos tipos de práticas que são intrínsecas e o racismo “institucionalizado”, aquele que bate na cara sem perdão, faz ele emudecer.
Concordo em gênero numero e grau quando Bell Hooks em um de seus textos diz para que nós negros nos amarmos. O amor é a base fundamental de tudo nesta vida. E por conta dessa falta de amor próprio, de referências sobre si mesmo, desse nosso eu que a nós foi tanto negado e escondido, estamos nos exterminando e só duramos gerações e gerações, pois somos teimosos! Viver para rancar a brancura colonialista que existe dentro de nós. A família, em um ceio negro, é a base de toda a força. Não estou dizendo aqui que nas famílias de outras raças e culturas não exista esta força, mas falo dos meus, pois os meus eu conheço muito bem. Os livros na nossa cultura falam sobre agrupamento sempre, o candomblé é uma família (irmã de santo, mãe de santo... lembra?), as músicas remetem reuniões familiares, os nossos amigos são nossos irmãos. Tenho certeza que aprendemos por conta do processo de colonização racista (redundante não???? rsrs) a nos violentar, mas ao mesmo tempo a aproveitar nossa força para sermos uma nova família. É só lembrar da historia do Brasil onde famílias negras inteiras eram separadas. Um irmão ia pra o sul da Bahia, a mãe fica em Salvador, seu marido no recôncavo e sua filha ia parar no Rio de Janeiro talvez... Mas os negros escravizados acabaram por se reformular e ver que também poderiam se proteger, se familiarizar, e se juntaram formando novos ceios familiares... Acho que pode ser daí também que vem essa coisa da gente se agrupar de forma tão fácil com povos negros de outra parte do mundo, de gente preta do Rio grande do Sul se dar bem com a gente, de conhecer a negona que mora no Maranhão e veio passar férias em Salvador e tratá-la como irmã. A pele negra compartilha caro leitor. Sempre!

domingo, 16 de janeiro de 2011

Aperte o Play!!! E de novo e de novo...Perle Lama - Cours De Danse Zouk

Você que acompanha o PELÍCULA NEGRA já reparou que dentre outras coisas eu AMO zouk! Posto e muito canções/clips do ritmo afro caribenho. Como é bom curtir a música sabendo dançar, achei um videozinho onde nada mais nada menos que Perle Lama - diva da zouk music - ensina, em frances, como se dança o negócio de forma certa. O vídeo é rapido e ela dá os passos básicos. Também não se preocupe se não sabe frances, eu também não sei e dá para enteder mais ou menos o que ela ensina. Siga o passo da diva, arranje um belo par para praticar, inventar outros passos e dance sem parar. Garanto, o zouk tem poderes que a gente desconhece...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Seriado JÁ É!

A televisão aberta do Brasil é burra! Disso todo mundo já sabe. A tv aberta no Brasil é racista, isso também não é novidade para ninguém. E quando o espectador quer ver algo de qualidade, que represente ele de alguma forma, vai para... A tv a cabo e os programas gringos? Nem todo mundo tem dinheiro, não é mesmo?! Mas a solução mais barata pode estar as suas mãos através da lan house mais perto. Quer ver uma história com protagonistas negros sem a "pegada gueto" que a Rede Globo explorou nos últimos anos? Vai pra net. O seriado Já é! é um sonho do diretor Wlliam Lemos e conta a história de três personagens - Leopoldo Mello é um executivo de sucesso; Pedro Avaraz, um produtor musical à procura de uma estrela; Bianca de Andrade, uma empresária de moda à beira da falência. Esses personagens são na verdade amigos que se reencontram dez anos depois do término de faculdade. Em entrevista a revista Raça Brasil deste mês o diretor entregou o seguinte depoimento: "No seriado, paralelo à história, vamos inserir personagens e situações que mostram o negro por outro ângulo, sem estereótipos, como o médico bem-sucedido, o músico clássico, o professor universitário, o chef de cozinha internacional. Vamos mostrar para a sociedade que estamos em todas as áreas".
Isso realmente me deixou tranquilo. Curioso o trato como somente o negro dá ao próprio negro. O outro parece sempre que estereotipa ou transforma em estereotipo nossa vida e nossa cultura. O negro faz tudo ficar comum! Existem não só marginais negros, mas existe também médicos, advogados, enfermeiros, professores, gente de sucesso, gente tendendo ao fracasso, complexidade no mundo negro além da probreza eminente que o mundo branco enxerga. Me agrada também a possibilidade de algo diferente do "modelo ó paí ó" de ser... Vi certa vez um escritor de sucesso baiano dizendo que na série da Rede Globo não tinha um negro universitário, ficava parecendo que os negros no Pelourinho (todos!) tem aquele jeitinho de resolver as coisas... aquela coisa safada que parece faz parte da raça!... E todos nós sabemos que não parece. Eu mesmo não me enxergo naquele modelo. Nada contra quem se enxerga, mas o pitoresco de vez em quando mais fasta que agrega.
Estou ancioso para ver como o diretor Lemos vai colocar essas historias na web. A seleção em outros estados também vai ser feita e os laboratório serão construídos a partir de março. A web realmente tem sido uma saída e muito boa por sinal.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O FENÔMENO KIRIKU.

Quem nunca viu Kiriku que atire a primeira pedra!!! Já assisti este desenho tantas vezes - no começo sozinho matando minha fome de referencias infantis negras, logo depois para meus alunos de todas as séries - que sei ele de cor. A animação, produzida pela França, Bélgica e Luxemburgo, dirigida pelo até então estreante Michel Ocelot, lançada no final da década de 90, foi um marco quando chegou às escolas e lares de todo Brasil.
Tudo isso, pois Kiriku não era um desenho qualquer. Poderia não ter o desenvolvimento técnico da Disney, ou a velocidade e o colorido dos filmes da Pixar, mas tinha elementos que nenhum outro desenho infantil até então explorara. O protagonista de Kiriku e a Feiticeira era um menino negro, pequenino, curioso e que não para quieto – igual a toda criança na idade dele. Mas já fazia estripulias que mostravam sua diferença e inteligência sagaz frente aos outros de sua aldeia: desde cedo falava na barriga da mãe, escolheu seu próprio nome desde que nasceu e sabia que seu destino é a liberdade, tanto que parte em busca dela para sua aldeia enfrentando a feiticeira Karabá. Kiriku também corre velozmente e consegue escapar de tudo quanto é ameaça com sua velocidade e inteligência.
A historia do filme é baseada em uma lenda da África Ocidental. Além disso, o filme em nenhum momento descamba para o chulo, ou estereotipo, ou agride a cultura africana em razão do humor fácil tipicamente hollywoodiano. Pelo contrário, até o tempo da animação é totalmente diferente dos filmes que nossas crianças estão acostumados a ver. O filme é cheio de silêncios e com passagens lentas, mas incrivelmente a animação em momento algum fica chata ou faz perder o interesse.
Kiriku e a Feiticeira teve anos depois (2005) uma continuação, lançada aqui no Brasil em pouquíssimos cinemas. Este filme, intitulado Kiriku e os Animais Selvagens na verdade trata-se de um prelúdio e é inferior ao original, apesar do apuro técnico ser incrivelmente maior ao primeiro filme. Na época, as canções do segundo filme ainda não tinham sido legendadas ou mesmo dubladas, ou seja quem não entendia o idioma perdia muito do filme, já que as músicas de Kiriku contavam a historia e não eram simplesmente um up na historia como acontece nos desenhos da Disney. Com o passar dos anos o problema foi solucionado.
Tanto Kiriku e a Feiticeira como a continuação tornaram-se febre nas escolas e projetos sociais, principalmente aquelas que seguem a lei 10.639 de forma correta. Sempre quando vejo um educador descobrindo Kiriku vejo três movimentos curiosos: o primeiro deste que cresceu sem referencias infantis negras e volta a ser criança vendo a historia do menino veloz. Depois, o professor passa para seus alunos uma animação estranha no começo – pelo protagonista, pela vilã, pelo território que passa a historia e também pela historia – mas que depois ganha o coração de todos. E o terceiro movimento, do professor tendo que repetir inúmeras vezes o filme em sala de aula, com as crianças pedido Kiriku pela qüinquagésima vez. Falo isso por experiência própria!
Engraçado que anos depois vários desenhos infantis ou não chegaram com historias e protagonistas negros. Produções como A Rainha Sol, Afro Samurai, A Princesa Sapo, As Aventuras de Azur e Asmar, Príncipes e Princesas (estes últimos do mesmo Ocelot que dirigiu os dois Kiriku), dentre outros abrangeram o cenário da cultura africana pelo mundo. Kiriku é um marco, como desenho para crianças, como animação adulta, como objeto pedagógico. Trata-se de uma animação completa.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY!!!! Princess Lover "Mon Soleil 2007"

Princess Lover : Ela é maravilhosa, faz muito sucesso na Europa e é uma das cantoras de zouk da "velha" geração que está em corrente atividade. Mon Soleil é um dos seus grandes sucessos, tanto que possui outras versões - até um outro clip tem. A letra é linda. Fala sobre entrega a um amor que te revira de cabeça pra baixo. "Você é meu dom. Iluminando meus dias, minhas noites. Você me supreende, você alimenta as minhas ânsias..." É, esses dias eu tô romantico! E essa música veio no momento certo para ilustrar esta minha nova fase... Ai ai viu! Curtam ai Princess Lover com sua Mon Soleil versão 2007 e dancem a vontade.

sábado, 8 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY!!! Snap! Rhythm is a dancer.

Em uma dessas conversas de bar... Rola um papo sobre dance music dos anos 90. Entre uma lembrança e outra da adolescencia fica a dúvida na conversa... Rhythm is a dancer, hit que ficou na cabeça de todo mundo por conta da novela De Corpo e Alma e do go go boy feito pelo ator Victor Fasano no Clube das Mulheres era mesmo um hit da cantora Corona? Eu fiquei na dúvida, pois nunca ouvi Corona cantando isso. Na verdade a canção é do grupo Snap! Curta aí o som e reviva um dos símbolos da dance music.

PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA de ELISA LUCINDA.

Qual o caminho natural das coisas? Qual? Aquele caminho feijão com arroz que tá todo mundo acostumado e que por vezes não faz a gente se surpreender, mas a gente continua mesmo assim? Qual a transformação natural de um texto? Que vire peça, vire filme, que seja declamado... Ou uma peça que vira filme e que o roteiro vira “livro” de tanto sucesso que o filme fez. Ou um livro que vira peça e depois vira filme. Esse geralmente é o lugar natural da arte que nos cerca. Só que neste Parem de Falar Mal da Rotina o caso aconteceu diferente. O espetáculo teatral virou livro! Não um livro na forma de texto de teatro, mas um livro mais ou menos em prosa, mas ao mesmo tempo uma prosa não tão prosaica, com um que de teatralidade, um misto de professora, amiga, atriz, dona da história e poeta.
Aplaudido de pé por 1 milhão de pessoas, o espetáculo simples, com mais de duas horas de duração, virou um livro para ser lido várias e várias vezes. O espetáculo mudava a cada sessão por conta do seu maravilhoso tema: a rotina! Só mesmo uma poeta para nos fazer enxergar que a rotina pode nos oeferecer vários ensinamentos e nós desatentos é que não enxergamos. Elisa mostra que a rotina sim é mutante, basta olhar direito. Parem de Falar Mal da Rotina (desde já Parem), é nada mais que um milhão de livros dentro de um só. É livro de auto ajuda, tratado sobre e contra o racismo (e outros tipos de conceitos absolutos absurdos), livro de um bom humor incrível, livro também de poemas inesquecíveis, escrita ágil, ensinamentos maravilhosos, historias curiosas e personagens inesquecíveis. Este Parem ensina, reclama, repreende, faz sorrir e refletir. É lindo enfim!
Confesso que não suporto livros de auto ajuda, mas este por não ser um dos exemplares inúteis e iguais dispostos na livraria, acaba chegando ao objetivo que os outros tidos como “auto-ajuda” não fazem, mas divulgam que sim. E eis aqui exemplo de livro feito para ser emprestado, ou presenteado e lido muitas vezes, seguidas até. Da capa a última linha escrita agradeço a Elisa Lucinda por se meter sempre na vida alheia e nos contar todos os ensinamentos que teve.
Eu que nunca fui com a cara da poesia fiquei encantado com a forma dessa poeta escrever, e se comunicar com o simples através de palavras tão rebuscadas. Sim, por que sempre vi poesia dita como discurso, poetas que mais pareciam políticos. Nunca gostei do lírico ser dito com obrigação e aos berros. Elisa ao lado de Maria Bethania me fizeram acreditar que estava certo. Peosia merece bravura não violencia! Não vou ficar aqui embromando sobre o livro. Parem é para ser comprado e nunca, eu disse NUNCA, guardado! Pois deve ser lido sempre.
Os livros escritos por mulheres geralmente me trazem esta percepção avantajada da vida. Alice Walker, Elisa Lucinda dentre outras, essas mulheres que se metem a escrever sempre me arrancam do real, me fazem transcender. Com homem só fiquei assim uma vez: CIDADE DE DEUS de Paulo Lins e pronto! E este sorriso de Elisa na capa surge como se fosse um convite. Leia-me! Novamente! E de novo e de novo! Está vendo, voce não reparou nisso da última vez que leu?! Agora empreste-me! Deixe-me na mão de um amigo por um tempo. Diga que é a cara dele e ele logo ficará curioso. Se fiz bem a você que tal fazer bem a outra pessoa?... Parem de Falar Mal da Rotina um livro do sempre! Leia e sorria.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY!!!!! Alexandra Burke.

Amigo e leitor assíduo do blog, Leo, ontem me pergunta se eu conhecia uma tal de Alexandra Burke. Eu prontamente disse: Quem? Depois ele me explicou a história dela, participante do programa X Factor, espécie de Idolos inglês. Ele me disse que a mocinha tinha cantado junto a Beyonce no programa e era para ouvir a mulher cantando, que eu gostaria e colocaria no Película. E olha que Leo estava certo! Aliás, por onde andava meu ouvido, que nunca escutei isso antes????
Não foi a primeira vez que Alexandra tentou entrar no X Factor, em 2005 lá estava ela segura de si, mas infelizmente pelo seu não tão bom desenvolvimento foi eliminada logo na primeira fase. Mas anos depois, olha quem resurge das cinzas? Alexandra! É um talento maravilhoso, tanto que venceu a edição 2009 do programa. Realmente muito boa. Xandinha (intimo, não?!), no programa, ficou imortalizada com performaces de Toxic, On The Radio e Listen que por sinal fez dueto com Beyonce.

E uma coisa que o X Factor tem que o Idolos e todos os outros concursos de calouros não tem aqui no Brasil: incentivo a performace. Aqui o povo canta e só. Lá não. É gigantesco, até na Inglaterra que é tudo mutito discreto. Olha só uma dos números protagonizados por Alexandra no programa, Please Don't Stop The Music.

E depois de vencer o programa e tornar-se com BAD BOYS a número 1 na Inglaterra durante 3 semanas seguidas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

IAM WORLD TOUR - BEYONCE

No começo do ano passado, um show aportou aqui na cidade de Salvador e completamente parou a cidade. I Am Tour da cantora Beyonce chegou em soteropolis para fazer história e ter presenciado aquela produção de perto foi uma das melhores experiencias da minha vida e um dos grandes momentos de 2010. Sou fã de Beyonce, acompanho o trabalho dela esperando sempre o melhor e para mim ver tudo aquilo da distancia que vi (pertinho pertinho) foi algo realmente inesquecível.
No final do mesmo ano, chega as lojas, depois de datas e datas falsas de lançamento, o dvd do show que veio para Salvador. E mais uma vez, acompanhar a carreira de Beyonce é sempre uma surpresa. Eu, não sou daquele tipo de fã que está lá no site todos os dias, que só sabe falar do seu astro preferido, que anda pra lá e pra cá com camisa. Não. Para mim por exemplo, estou pouco me lixando com a vida pessoal dela, se ela casa, descasa, fica gravida ou não, se alisa cabelo, se corta, se faz plástica... Eu acompanho o trabalho. CD, DVD, show, filme essas coisa que artista BOM faz. Fofoca? Estou nem aí.
E se tem uma coisa que Beyonce sabe fazer é trabalhar. Tenho amigos que não gostam da cantora, mas sempre admitem show woman igual a ela atualmente não tem. A mulher faz cada coisa no palco que até Deus duvida e além de estar para o público diretamente, também dá pitaco em outras partes da produção. Seu nome e seu dedo está em cada etapa do processo. Ela pode até não fazer o trabalho inteiro - o que é óbvio! - mas nada passa sem que ela dê uma opinião, até por que quem vai estar na hora dando luz ao resultado de tudo é ela.
O DVD é um misto de documentário e show - nada de supreendente, já que Madonna já tinha feito isso antes - mas é na forma de evidenciar essa mistura que o I Am Tour se destaca. Beyonce faz uso de várias formas de filmagem, a convencional digital, imagens de celular, de câmeras com alta resolução e outras nem tão boas assim. De imagens completamente ensaiadas e outras tiradas do improviso.
Outro ponto que friso é a forma como o show é passado para quem vê ele na telinha. Algumas músicas estão pelo meio, já que em algumas partes o documentario está mais evidente que o show. Nada que comprometa o resultado final, pelo contrário, deixa a experiencia de ver o dvd mais saborosa. Fora que beyonce, canta, dança, representa, voa (coisa que ela não fez no Brasil), vai para um outro palco, dança, dubla a própria voz (em dois números), faz homenagem a Michael Jackson e ao Movimento dos Direitos Civis, dança de novo, canta assustadoramente bem, se joga na platéia, cumprimenta (e pergunta o nome) de fã de perto, tudo isso com muita energia, sempre deixando claro que fazer aquilo tudo tem um preço, tem toda uma responsabilidade e que ela foi trabalhada para trabalhar assim mais parecendo uma máquina.
Parece que Beyonce deixou claro, que tudo que o público está vendo é resultado de MUITO trabalho. No show ao vivo você não tem essa impressão, por que ela não passa isso obviamente. Mas no dvd, depois ou antes de cada número tudo é explicado. Como se o mundo parasse "Olha o quanto ralei pra fazer isso!". Ou seja, o glamour é fabricado da mesma forma que o figurino e a coreografia - e ques coreografias.
Mas não fique achando que o dvd passa essa mensagem através do didatismo chato. É através da diversão ininterrupta que o show acontece e quando a última música chega, você nem sentiu que já se passaram mais de duas horas. Beyonce faz muito bem feito seu trabalho, de forma leve, bem humorada, as vezes chora (todo mundo chora) ora agradecendo a Deus pelo talento, ora triste de saudades da família e do marido. Ossos do ofício em ser diva.
Continuo fã e sem arrependimento.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MOVIMENTO EXU TRANCA RUAS 2!!!!!!!!

Bem, está só começando!... O primeiro dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus para R$ 2,50 foi tranquilo e simplesmente parou a região do Iguatemi em Salvador. Foram 500 estudantes que das 15:30 às 19:40 h simplemsene não deixaram nada passar. O engarafamento foi aumentando, aumentando até que a av. Bonocô, ACM, o Itaigara, a avenida Ogunjá até o Comércio parou! O tema é o assunto mais comentado no twitter em Salvador nesta segunda.A população pelo que parece está ao lado do movimento e tudo está tranquilo até demais... Vamos ver o que acontece no resto da semana com o movimento tomando força por toda Salvador... Parar uma cidade turística, na sua alta temporada, com certeza é motivo de pânico para as autoridades, já que os próprios soteropolitanos estão mostrando que sua cidade linda não é tão bonita quanto parece...

MOVIMENTO EXU TRANCA RUAS!!!!!!!!!!!!!

No ano de 2003 a cidade de Salvador foi parada por uma manifestação estudantil. O motivo? O aumento da passagem de ônibus para R$ 1,80. Lembro até hoje, era estudante ainda, eu atravessando todo o centro da cidade para chegar ao meu bairro, pois nada, eu disse NADA, passava. Bairros como o Iguatemi, a Avenida Joana Angélica ficaram completamente fechados durante horas. A cidade que sempre está em movimento contínuio parou, tudo por conta de estudantes - na sua grande maioria de escolas públicas e negros - indignados com o aumento da passagem nos coletivos.
A revolta foi manchete em vários jornais, até de cunho nacional. E no final das contas, mesmo com a tentativa do governo e de líderes sociais comprados acabarem com o movimento a meta foi alcançada, nada de aumento por um bom tempo. Mas a Prefeitura de Salvador e seu incompetente chefe criou uma estratégia que vem funcionando durante anos... A passagem aumenta sempre, só que no começo do ano, primeiros dias, já que pega todo mundo de surpresa e também os estudantes de férias.
Agora tudo parece florecer por um outro caminho. A nova tarifa de R$ 2,50 vai ser combatida hoje pelos mesmos estudantes protagonistas da Revolta do Buzu de 2003 - que de tão histórica virou conteúdo a ser estudado em algumas escolas aqui de Salvador. A revolta vem em um momento certo. Os coletivos de Salvador são uma porcaria! Conservação zero, "profissionais" mau educados, estações de transbordo que mais parecem um inferno em terra. A Lapa então é uma vergonha, com ratos (que mais parecem cachorros!) correndo pela estação, sujeira para todo canto, marginalidade cada vez maior, muitas infiltrações, iluminação nota -1, no subsolo um calor, misturado a sujeira e ao cheiro de fumaça saida dos ônibus. A Estação Pirajá e a de Mussurunga também não perdem nada para a Lapa, a única vantagem é que Mussurunga e Pirajá não ameaçam cair na sua cabeça, mas experimente pegar um tal BARRA 2 as sete da manhã na Estação Pirajá. Aquilo é a visão do inferno. Acho até que o demonio quando vê o estado de como o ônibus sai diz: "Nossa, aqui o negócio tá brabo!"
Por isso, os estudantes farão um novo protesto. E TODOS na cidade devem apoiar o movimento, pois não se trata apenas de uma luta de um grupo e seus interesses, a passagem influencia TODO MUNDO NESSA CIDADE. Ou vai querer continuar pagando R$ 5,00 de passagem? A conta no final do mês, juntando comida, luz, água, telefone, net, escolas dos filhos, fica muito cara! Não temos como impedir a tentativa do vilão em colocar a população contra a parede, mas temos como não deixar isso acontecer.

domingo, 2 de janeiro de 2011

APERTE O PLAY!!!!! Snap.-.I've Got The power

Lembra dessa música?... Se o poder é bom, eu também quero!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ô binho, por que você cortou seu cabelo?...

Porque preto também tem direito a cortar cabelo! Porque cabelo crespo cresce e cai como qualquer outro tipo de cabelo. Porque o cabelo é meu e faço com ele o que eu quiser. Porque um corte é apenas mais um tipo de penteado. Porque minha negritude não está apenas no meu cabelo. Porque sim!
Cortei o cabelo. E meu ouvido nada seletivo começou a coçar no exato momento em que decidi passar a máquina nele. Sabe aquele incomodo que voce sabe que vai sentir por alguma decisão que voce toma, seja ela que instancia for? Pois então. Não foi fácil tomar a decisão, afinal de contas, foram mais de três anos deixando o cabelo crescer a vontade, deixando minha verdadeira identidade de lado para ser chamado na rua como “rasta” (que por sinal nunca fui!!!), ouvindo os mais terríveis absurdos, vendo gente se incomodando ou ficando maravilhada com minhas tranças. Meu cabelo mudou e mudei junto com ele. Como hoje sou outra pessoa, decidi mudar também o cabelo.
Mas como toda epopéia, existem fardos a serem contados aqui neste humilde blog. Quem disse que cortar o cabelo, para mim, que sou um sujeito observador dos incríveis entraves da sociedade é um ato simples, singelo e rápido? Nunca! Descreverei situações bizarras que passei entre o instante de decidir cortar o cabelo e cortar a cabeleira realmente. Fico me perguntando se um homem branco passaria por uma situação das mesmas que passei e a resposta que vem a cabeça é sempre a mesma: NÃO! Se o cabelo é diferente, infelizmente, as situações são opostas. É curioso constatar que as opiniões estapafúrdias não vem somente dos racistas de plantão, mas de todas as tonalidades de pele. Evidenciando o seu conceito pré formulado de superioridade capilar imbecil.
O primeiro movimento que reparei foi dos negros que gostam do cabelo grande e deixam o próprio cabelo grande também. É a galera do Por que voce cortou o cabelo irmão? Cê fez santo foi? Xi meu brother, prefiro o cabelo grandão. Essa galera que acha que agora que pode colocar o cabelo pra cima se acha no direito de relativizar sua negritude e de comparar quem chega a um grau maior/menor de consciência negra através de características fenotípicas. Ou seja, “Sou mais preto que voce por conta disso, daquilo, por que coloco meu cabelo pra crescer e voce não, por que sou mais escuro e voce não, por que vim da favela e pego dois ônibus e voce só pega um”. Está pensando que somente comigo, que sou homem, acontece? Não. Meninas que alisam o cabelo volta e meia acabam ouvindo coisas do tipo “Você deveria tomar vergonha e deixar esse cabelo duro! Tá querendo ser branca é?”.
O movimento dois é dos negros que gostam do cabelo Black, admiram, mas nada de cabelo grande na cabeça deles. Meu Deus, o que foi que aconteceu Filipe? Tá doente? Como se somente uma doença me fizesseeu cortar o cabelo. Ou... Cedeu ao mercado de trabalho foi cara? De um primo meu e suas brincadeiras estapafúrdias na hora do almoço. Engraçado que dias antes ele mesmo dizia a mim que não creditava nessa historia de que o negro precisava cortar o cabelo para trabalhar em alguns ambientes. Também, nascido com a pele clara em uma família negra e confundido como branco por alguns no trabalho, é realmente difícil acreditar nesse tipo de coisa, mas a brincadeira está ali...
Em terceiro lugar vêm os negros que cortam/alisam suas madeixas e também não suportam o cabelo diferente do seu. Ave Maria, ficou dez milhões de vezes melhor! Ou como disse um conhecido que me largou essa: “Detestava aquele cabelo seu, confesso. E eu soltei outra para o lado dele: E daí? Quem tem que gostar do meu cabelo sou eu. o barbeiro com quem cortei o cabelo me dizia “A filosofia rasta já perdeu sua força meu velho. Ideologia agora não é mais moda”. Eu rápido disse: “É... agora ideologia é eu dar mais de R$ 6,00 pra cortar meu cabelo e deixar seu bolso mais gordo.” Ele riu sem graça e se calou. São os que tem mais problemas, pois não conseguem ultrapassar a barreira de assassinar o branco racista que pousa sobre sua cabeça todos os dias e aí violentam o outro. Não sabem também que violentam a si mesmo com suas palavras.
Em quarto chegam os brancos liberais, que geralmente convivem muito com negros, ou estudam a “questão do negro”, ou “tem alguém negro na família” ou “não tem preconceito” ou se vêem indignados com todo tipo de preconceito “besta” que existe por aí, ou “tem um pé na senzala”. Ai Meu Deus, o que voce fez com seu cabelo? Cortei ora essa. Vai deixar crescer pra carnaval, não vai? Ai seu cabelo era lindo. Não vou poder mais te chamar de rasta. Te chamo de que agora? E sua baianidade nagô, onde fica? Ô, caro leitor, me deu uma vontade de dizer onde ficava essa tal baianidade nagô pra ele. Ô se deu vontade...
E por ultimo, mas não menos importante, é claro, os brancos racistas. Ainda bem! Não agüentava mais voce com aquele negocio na cabeça. Ficou mais bonito. Mais leve. Olha pra seu rosto, agora apareceu. Com um sorriso no rosto: Cortou? Tá ótimoooooo! Observe que o movimento deste se aproxima dos negros que não gostam do cabelo crespo grande, mas trata-se de algo diferente. O cabelo grande e crespo para um branco racista denota em sua cabeça poder, que o negro em sua frente não se subjuga. Em seu pensamento é melhor ver/namorar/conviver com uma pessoa negra com cabelo baixo ou alisado, pois de uma certa forma os traços negróides estão “apagados”.
Se voce caro leitor, não faz parte de nenhum desses casos, fique feliz, pois este povo descrito acima precisa de uma suruba terapêutica urgente! Daquelas fortes e impactantes. Notei também neste movimento de aparar a cabeleira, que a única pessoa que se importou com o que eu realmente achava sobre isso era uma grande amiga que também cortou o cabelo e passou por essas mesmas loucuras. Sei que o cabelo para o corpo negro neste Brasil racista é muito mais que um simples cabelo. É identidade! É força! Afirmação. Mas cabelo também pode ser cortado... E no meu caso já passei da fase de cortar o cabelo, pois não gostava dele grande, inventando mil desculpas para não deixar crescer a cabeleira, já que não tinha coragem nem arcabouço para avançar nestas questões. Eu sou outro e como minha negritude está além do meu cabelo, simplesmente corto.
E ele se fortalece, e depois cresce. Lindo, com fios novos em folha e deixa de ser pequeno, passa a ser enorme, volta a incomodar os racistas de plantão. E a história se repete mais uma vez e outra vez e outra vez... Por enquanto, aproveito a sensação boa da água forte caindo na cabeça na hora do banho, ou de sentir ventinho na careca na Orla, ou de me olhar no espelho e enxergar outro eu e de ver, que como qualquer outro ser humano posso me metarfosear, virar de cabeça pra baixo e ver que dentro de mim não existe uma só negritude, existe milhões!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PRIMEIRAS IMPRESSÕES 2 - Parem de Falar Mal da Rotina.

Um trecho da peça PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA. Essa parte no livro, que estou lendo e muito breve fala sobre ele por aqui, é muito boa. Mas ela dita, com direito a movimentação no palco vira uma outra coisa, toma um outro sentido. Fora a participação da platéia que é maravilhosa se enxergando nas histórias. Neste trecho do espetáculo, Elisa Lucinda fala sobre a ditadura da chapinha que dominam as mulheres há certo tempo...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

É NATAL!!!!

Então... É Natal!... Como já dizia Simone (!) na sua versão da canção famosa... Daqui a pouquinho quase todo mundo vai comemorar o nascimento do menino Jesus. Sim meu caro leitor, quase todo mundo, pois o Natal é uma festa Cristã e tem gente que está pouco se lixando pra isso. Além do mais o Natal é uma festa capitalista, na verdade virou, não é? Comprar, comprar, comprar... E se você não lembrar de tal parente, meu Deus! Apocalipse! 2012! Fim do Mundo!... Fora que todo mundo começa a querer dar esmola, fazer caridade, depositar dinheiro na caixinha (ESMOLA CHIC É FODA!!!). O coração que só amolece no final do ano... Eu fui seleto, comprei presentes para quatro pessoas pontuais neste ano de 2010 e só. Dentre elas estou eu! Claro! Pois mereço, fui um menino comportado neste ano que passou. (!!) De resto? Não montei árvore, não coloquei pisca pisca com música insuportável na porta, nada de papai noel pela casa, disse um não a toalha vermelha e verde na mesa de jantar... E estou ótimooooo! Na rua via o povo desesperado, doido para comprar tudo, rápido que se não acaba... Pega, pega logo! Divide em 10, não, não, em 14 prestações!... Esse é o Natal que deve entrar no seu coração? Pois este vai ser o Natal que no próximo mês vai te pegar de supresa com as prestações sorrindo no seu cartão de crédito...
Mas desejo a você, somente para você que não liga tanto (ou nada) para essas besteiras consumistas, um Natal repleto de alegria, paz e sem brigas com a família pelo amor de Deus! Se você não for cristão e a festa não significar tanta coisa para você, aproveite a mesa farta na casa do amigo, por que uma dessas de novo só no próximo ano (!!!).
Em breve voltarei a postar sobre arte negra e outros acontecimentos. Tem livro de Elisa Lucinda, cd novo de Mariene de Castro, dvd de Beyonce, livro de Vron Ware, Luiza Bairros no governo de Dona Dilma (!!!!), filmes e mais filmes para ver... tanta coisa. Tudo postado em breve. Vou experimentando e postando, podem aguardar. Fora as mudanças, neste blog, que estou pensando para o próximo ano. Muita coisa boa, espero que gostem! FELIZ NATAL A TODOS!!!!!!!!!!!!

APERTE O PLAY!!! Velozes E Furiosos 5

Olha só. Eu amo filme de ação! Gosto realmente. Carros em alta velocidade + gente com arma em punho + tudo explodindo + gente apanhando + cuiuda exagerada + ritmo frenético = a diversão. Tudo de mentirinha, uma mentira bem orquestrada como só Hollywood sabe fazer. Confesso que os filmes franceses de ação me chamam mais atenção que a nova geração hollywoodiana regada a efeitos especiais, mas confesso que solto um sorriso só de lembrar de filmes de ação norte americanos que vi na década de 90 com seus astros brucutus bombados, tipo Van Dame, Arnold, Stallone, Snipes, Willis, tirando onda de exército de um homem só, nos cinemas de rua daqui de Salvador. Ai ai, boas lembranças e boas risadas, mas vamos lá... Um dos exemplares de filme de ação que chegam aqui (e que foram gravados aqui) é o quinto capitulo da franquia Velozes e Furiosos.
Por que postei o trailer aqui no blog? Pô meu, o filme traz nada mais nada menos que vários motivos... 1º filme passado em favela, com cenas de ação (pelo que vi no trailer) super criativas e muito bem feitas. E o cinema de ação não faz cenas criativas desde, sei lá... RONIN?... 2º Traz uma das maiores surpresas do cinema norte americano atual The Rock, ator com muito mais carisma que Vin Diesel e 3º a trama oficial, observe:

"Desde que Brian (Paul Walker) e Mia (Jordana Brewster) tiraram Dom (Vin Diesel) da custódia da polícia, eles têm cruzado diversas fronteiras para evitar as autoridades. Agora, encurralados em um canto do Rio de Janeiro, devem executar um último serviço para conquistar a liberdade. À medida em que reúnem seu time de corredores, os improváveis aliados sabem que sair limpos significa confrontar o homem de negócios corrupto que os quer mortos. Mas há mais pessoas no encalço. O agente federal Luke Hobbs (The Rock) nunca perde um serviço. Quando é escalado para perseguir Dom e Brian, ele parte com tudo com sua equipe - mas no Brasil descobre que não é tão fácil distinguir os mocinhos dos bandidos. Agora, Hobbs precisa confiar em seus instintos para pegar sua presa, antes que alguém o faça."
É caro leitor... No Brasil ninguém é de ninguém! Mais uma trama em que nosso país é visto como escória do mundo... Sabe o que eu acho? Bem pouco pra nós! A gente recebe o gringo de mãos abertas, faz e acontece para ele ficar bem, fazendo tudo da forma como quiser aqui e depois que ele vem com visão estereotipada a gente reclama? Ah pelo amor de Deus! Na China, o governo supervisiona o roteiro e se não for de agrado do povo de lá, não tem filme autorizado certo! Mas aqui não, a trama lenhada é deixada de lado... Aconteceu com Stallone e agora novamente Vin Diesel e sua franquia de carros alucinados.
O trailer é bom! As cenas me empolgaram, mas só. A trama é na verdade mais uma desculpa para ver os carros em alta velocidade pelas ruas de Copacabana... E pronto. Espera mais de um filme de brucutus????

domingo, 19 de dezembro de 2010

Primeiras impressões... PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA de Elisa Lucianda.


Eu bem que tentei me segurar na livraria quando vi o livro. Não, eu não vou comprar, nem vou ter tempo de ler... Eu dizia para mim mesmo. Não, não vou comprar, tem ainda o presente de fulano de tal, de beltrano para comprar... Eu relutava, mas me veio na cabeça uma entrevista antiga de Elisa Lucinda no Sem Censura, ela declamando alguns dos poemas que estavam na peça que a esta altura já era sucesso por onde passava. Lindo monólogo de mais de duas horas de duração e a primeira vez de teatro de muita gente. Poxa, começar a experimentar o teatro e todo o mundo que ele proporciona através deste espetáculo/poema deve ser uma experiencia e tanto! Quando acabei de lembrar estava com um sorriso no rosto e resolvi, assim de supetão, comprar o livro. Ah que nada! De vez em quando a gente tem que fazer dessas coisas. Sem nem pensar direito você vai lá e toma a atitude. Dar um presente a si mesmo. Claro. Ficar nesse consumismo cristão desenfreado, desse Natal "fajuto" de meu Deus, comprando presente pra parente que você passou o ano inteiro sem ver e vai acabar por não se dar um presentinho? Presentinho não. Presente!!!!!!!!!! Fui lá comprei e ainda por cima pedi a balconista que embrulhasse para presente. Um amigo meu que estava comigo olhou pra mim com cara de quem diz "Pra que?" e eu retruquei com cara de "Tá me olhando assim por que?". Estava me dando um presente ora e faltava o pacote.

Peguei o livro pra ler, não aguentei esperar até amanhã. Até agora, do pouco que li, simplesmente AMEI! Ela é ótima. São primeiras impressões deste livro/peça/poema... Meu Natal vai ser ótimo lendo meu bom livro. Pois em Papai Noel não acredito, já nas palavras de Elisa...

APERTE O PLAY!!! Mathieu Edward - Entre Toi Et Moi

Bem, vocês já ouviram falar em Mathieu Edward, cantor frances, que já está na estrada desde 2005, que descobriu gostar de música através da igreja, ja fez dueto com a cantora Sheryl Crow e lançou seu primeiro álbum Entre Você e Eu em julho de 2008? O cara faz uma mistura boa entre R&B e Soul, sabe tocar piano, bateria e é também autor de suas músicas. Gostei do primeiro contato que tive com ele, atráves deste clip Entre Toi Et Moi e resolvi compartilhar aqui no blog. Não tem nada de suprendente, mas a dois garanto que ouvir Mathieu é outra coisa... Curtam aí esta boa batida negra vinda da França. Aliás um país que neste ano de 2010 não para de me surpreender no quesito boa música.

Aperte o Play!!!! Garnier Ultra DOUX.

Enquanto isso na França...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

E A VENCEDORA DO GLOBO DE OURO É... HALLE BERRY?

Saiu as indicações para o proximo Globo de Ouro e aconteceu... Halle Berry foi indicada aoo premio de melhor atriz dramática por Frankie and Alice. Ela tem concorrentes de peso como Nicole Kidman, Natalie Portman, Michelle Williams e Jennifer Lawrence. Assim, Nicole não faz algo bom desdeOs Outros... Já Halle fez e concorreu ao globo de Ouro por Aos Olhos de Deus, mas no cinema só tem feito coisa ruim, Michelle Williams que fez O Segredo de Brokeback Mountain, A Ilha do Medo e Hallowen (H20) (!), é uma triz correta e já foi indicada ao Globo de Ouro por O Segredo... e Jenniffer Lawrence... Quem??? Ela concorre por Inverno Na Alma, será conhecida pelo grande público como a nova Mística do novo X-Men. Eu não vi nenhum dos filmes ao quais as atrizes estão sendo indicadas. Torço realmente por Halle Berry e também acredito em Michelle Williams, mas Nicole deixou de fazer coisa boa a tanto tempo que nem tem mais graça e depois que fez a tal plástica ficou ridícula. O filme de Halle por ser pequeno e não tão divulgado pode agradar muito os realizadores do Globo de Ouro, já do Oscar duvido, pois o perfil do premio vem mudando ao longo dos anos e respeitado também super produções. O Globo de Ouro acontece dia 16 de janeiro de 2011.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

OS MELHORES DE 2010!!!!!!!!!!!!!!!!

Esse foi um ano de crescimento para o PELÍCULA NEGRA. Muito mais postagens do que no ano passado, algumas até polêmicas, outras nem tanto, seções novas, um novo design, enfim o blog foi virado de cabeça pra baixo. Como o ano foi de reviravoltas e surpresas, resolvi postar os melhores que contribuiram para a cultura negra com seus produtos de qualidade em 2010. Somente gente de primeira, em categorias que só existem aqui. Até por que, só em uma “premiação” assim para os negros dominarem (ou mesmo estarem!) nelas...

MELHOR FILME INTERNACIONAL:

Preciosa. Se você viu Preciosa e não se emocionou com a historia da menina violentada pela mãe, pelo pai e feita de saco de pancada por quase todo sujeito que cruza seu caminho, é por que você é um insensível de primeira qualidade. O filme, produzido por Oprah Winfrey e dirigido por Lee Daniels é ao mesmo tempo tocante e violento. Emocionante em todos os sentidos.

MELHOR FILME NACIONAL:

Cinderelas, Lobos e Um Príncipe Encantado de Joel Zito. Definitivamente Joel Zito é um documentarista de primeira categoria. É a sua principal arma para debater assuntos que o cinema brasileiro ainda capenga em discutir. Com depoimentos de turistas estrangeiros e prostitutas brasileiras (cariocas e soteropolitanas), além de outros profissionais, Zito mostra as várias historias que compõem o universo da prostituição da mulher negra no Brasil, seus sonhos e também os vários tipos de violência que passa.

MELHOR DIRETOR (A) / CINEMA:
Lee Daniels, por Preciosa: O produtor de A Última Ceia assume a cadeira de diretor pela segunda vez e faz um trabalho tão bem cuidado que arrancou elogios e lágrimas por onde passou. Mas o maior feito além de ter transposto o romance para as telas foi ter colocado Mariah em um bom papel e arrancado dela uma ótima interpretação. Incrível!

PRODUTOR DO ANO:
Tyler Perry. Diga o que quiser dele! Ele produziu Preciosa, está produzindo e dirigindo FOR COLORED GIRLS, filme cotadíssimo a tudo quanto é premio para o próximo ano, conseguiu seu lugar ao sol na “nova Miramax” em Hollywood, a Lion Gate. E arrecada mais de 30 milhões de dólares por produção. Além de se envolver no teatro com peças de incrível sucesso para o público negro norte americano. É o cara!

MELHOR SHOW:
Beyonce, I Am Tour. Gigante. Incrível. Imperdível. Maravilhosa. Genial. Bem executada nos mínimos detalhes. Foi o melhor show de um artista negro que aportou em SSA. Diva internacional de primeira categoria + primeira produção internacional da Caco de Telha + SSA em polvorosa por conta da diva, só podia dar em uma das melhores coisas que já vi na vida. O show está na minha mente como se tivesse visto ontem. Surpreendente.

REVELAÇÃO:
Willow Smith. Filha do casal Will e Jada Smith essa menina tem tudo pra ser uma nova diva. Nunca ouviu falar em Whip My Hair? Tava onde esse tempo todo, em marte? Se não ouviu, baixa essa musica agora e se jogue em uma das batidas mais doidas e chicletes de todos os tempos. Pra você que gosta de música somente para se divertir, dance bastante. Willow tem apenas dez anos, nasceu para ser diva, é transloucada e virada nas 600!

MELHOR APRESENTADOR (A):
Rita Batista, Boa Tarde Bahia. Tem alguma duvida disso? Ela é a melhor da Bahia e se você não mora aqui tenha certeza que essa negona dá de 10 a zero em muita loira de porte nacional. A mulher é inteligente, linda, irreverente, gente boa pra caramba e tem um dos sorrisos mais cativantes que já vi na TV. Não almoço sem ela, não me informo sem ver a opinião dela e adoro ver a cada dia seu talento aprimorado.

MELHOR ESPETACULO TEATRAL:
Ogum. Deus e Homem direção de Fernanda Júlia. A concepção da diretora Fernanda Julia para o Orixá Ogum é forte e foge do lugar comum. Palha da costa, acarajé, pano branco?... Não, não, o candomblé é muito mais que isso, é vivo e está dentro de cada baiano, negro, cidadão. A opinião da maioria dos críticos que vi é que o texto é fraco. Isso é uma certeza, mas o espetáculo é regido com tanta firmeza que este “detalhe” é contornado. Fora o burburinho que o espetáculo conseguiu na Escola de Teatro da UFBA! Filas se formando horas antes do começo da peça, gente voltando pra casa revoltada por não conseguir ingresso e o povo saindo com sorriso no rosto depois da apresentação do espetáculo.

ESPETACULO TEATRAL 2:
Sete Ventos, direção Débora Almeida. Essa categoria vai para as peças de fora de SSA que chegaram aqui. O monólogo com Débora Almeida, ex Cia dos Comuns, passou pouco tempo em SSA, mas obteve ótimo resultado com o publico presente em suas duas apresentações. A atriz de um talento incrível faz e acontece para contar a historia de mulheres atuais influenciadas pelo poder de Iansã. Lindo, singelo, texto hábil (e ótimo!) e discutindo tudo com um bom humor incrível.

MELHOR CLIP:
Janelle Monáe – Tightrope. feat. Big Boi. Adoro clip estranho e esse é estranho até demais. Clip é assim, você não precisa entender muito pra gostar. A cantora/louca/talentosa Janelle Monáe dança feito um James Brown pós moderno (!) e enlouquece a todos neste clip passado dentro de um hospital psiquiátrico (!!). A coreografia é louca, os dançarinos fora do comum, é tudo muito bom e simples neste clip. A música ficou entre as vinte mais pedidas nos EUA. Se você estava pesando que iria postar algo do mundo pop obvio, não mesmo! Janelle Monáe tem lugar cativo aqui no blog.

MELHOR SURPRESA DA NET:
Blog Filmes Black Grátis. Virou um vicio pelo menos uma vez por semana dar uma passada pelo blog que posta filmes com temática ou atores ou mesmo diretores negros. Tudo de graça e em perfeito estado. Idéia maravilhosa! Tem filmes de tudo quanto é tipo e principalmente coisa rara de se encontrar na real. O mundo virtual às vezes é perfeito.

MELHOR CD BAIXADO:
Sensual, Marysa. Categoria para descoberta ilegal? Rsrsr, ai ai, só aqui... Viciei nesta mulher. O cd não é deste ano e sim de 2009, mas como baixei este ano está aqui por justa causa. Marysa eleva o conceito da sensualidade em suas canções. Ela canta em diversas línguas e se acha que Lady Gaga vai fazer algo diferente em seu novo álbum, tadinho, não sabe você que as cantoras de zouk ou de outros ritmos propriamente africanos fazem isso ó... Há tanto tempo que não tem nem mais graça...

FENIX DO ANO:
Sade. Soldier Of Love. Se no ano passado Donna Summer e Lionel Ritchie ressurgiram das cinzas, este ano Sade voltou às paradas com seu mais novo cd depois de um período de férias loooongas no limbo. Soldier Of Love não apresenta nada de novo, mas traz belas canções, destaque para The Moon and the Sky e Soldier Of Love bem ao estilo Sade de ser... impactantes, mas bucólicas.

MELHOR DVD:
Teresa Cristina, Melhor Assim. Ela finalmente se soltou!!!!!!! Tenho outro DVD de Teresa e ficava agoniado com ela no palco, toda contida. Tudo bem, vi um show dela anos atrás em que estava mais soltinha... Mas agora ela despirocou de vez. Graças a Deus! Ok, não enlouqueceu totalmente, o que não combina nem um pouco com ela, mas ela se soltou neste DVD com participações mais que especiais, elogiadíssimo pela critica especializada e quisto pelo público – isso é realmente o que interessa!

MELHOR ESTILISTA:
Cid Brito. Aos poucos esse cara super talentoso vai firmando seu nome no mundo da moda soteropolitano e por que não no nacional também. As roupas com sua marca são ótimas. A temperatura sobe quando você veste uma peça dele. Além de tudo faz roupas para outros contextos também, pois já assinou o figurino da Banda Psirico. O negócio tá bombando pro lado dele: desfile de lançamento da nova coleção no Ensaio do Cortejo Afro esta semana!

MELHOR ESTRÉIA QUE NÃO ACONTECEU...
Good Hair. Frustração! Esse é o sentimento quando lembro que este maravilhoso documentário polemico não estreou aqui. DVD? Ah, eu queria ver Cris Rock em tela grande, imponente com seu trabalho!

MELHOR LIVRO:
Lélia Gonzalez. Depois de ter feito uma boa obra sobre a historiadora Beatriz Nascimento o doutor em antropologia, Alex Ratts volta ao mundo das biografias com esta sobre uma das mais influentes, adoradas e odiadas militantes do movimento negro e do movimento negro de mulheres. Desta vez Alex não esta sozinho, pois faz parceria com a doutoranda Flávia Rios.

MODELO DO ANO:
Ramirez Allenderr. Vi este homem tantas vezes em campanhas aqui em Salvador que não posso deixar ele de lado. Era em avenidas enorme tomando todo um lado de um prédio em um cartaz, em shopping no centro da cidade, em lojas de roupas, em blogs. Acho o sorriso dele fenomenal e tem um carisma que poucos modelos masculinos tem. Fora que é bonito pra caramba! ps: a calça que ele usa na figura acima é de um tal Cid Brito...

POLEMICA IMBECIL DO ANO:
Monteiro Lobato “censurado”! Na verdade foi a piada do ano. A Revista Veja foi contra, a Globo se pronunciou contra, sempre a mesma palhaçada. O caso era o seguinte: os livros de Lobato por seu conteúdo racista deveriam levar avisos (como os CDs com palavrões e outros conteúdos abusivos tem nos EUA) advertindo os pais que compram o tipo de obra que levam para seus filhos. Como Lobato aqui no Brasil é o ícone da infância, os liberais frustrados de plantão resolveram logo inchar. O projeto é mais que bem vindo, mas gerou polemica mais que desnecessária.

MELHOR MÚSICA:
Empire State Of Mind. Alicia Keys & Jay-Z. Confesso, não ia com a cara de nenhum dos dois cantores. Recentemente Alicia me chamou atenção por conta da sua participação em um show na Copa do Mundo na África do Sul cantando Brenda Fassie. Mas Jay-Z, não mesmo! Mas... Existe sempre um “mas”, não é verdade?... O marido de Beyonce resolve fazer uma das melhores músicas que já vi na vida, com o refrão mais pegajoso do mundo. A letra é bem feita, sobre a cidade de Nova York, suas características, os desafios sociais e também todo o glamour que ronda a cidade. Basicamente: Empire State Of Mind fala sobre o sonho Americano, os que conseguem realizar e os que não conseguem. E as mudanças que acontecem com cada um dos casos. Perfeita!

CUIUDA DO ANO:
Invasão da policia ao Complexo do Alemão. Depois de mais de trinta anos de traficantes dominando as favelas cariocas, com total poder e controle de muitas outras partes da cidade do Rio de Janeiro a policia acaba todo esse arsenal em três dias???????? Você come este prato quente, caro leitor? Eu não engulo essa mesmo! O pior foi a galera da favela – a maioria preta e pobre – tendo que abrir suas casas aos policiais atrás dos bandidos ou sendo parada no meio da rua, pois era tida como suspeita pelos mesmos policiais. Enquanto isso, tinha repórter do Fantástico entrando de colete na favela, a TV mostrando sempre os moradores adorando a ação da polícia, Ana Maria Braga fazendo a linha dramática, Datena gritando na Band aplaudindo os policias e a TV tentando obter historias cinematográficas com a comedia de erros mais louca que já vi na televisão brasileira.

MELHOR PERFORMACE:
Sharon Menezes, Dança dos Artistas. Ela pode não ter ganhado, mas a performance de Sharon foi muito boa e superior a atriz – que não me lembro o nome agora – que ganhou o concurso vinculado no Domingão do Fustão. Sharon dançava todos os ritmos com graça, mas acabou perdendo. Uma pena!

APERTE O PLAY???!!! Comercial da Camisinha Trust

O comercial mais doido que já vi na vida! Eu estou chocado!!!!!!!!!!!!!! Não sei se acho um absurdo ou engraçado, ou bom, ou sei lá o que. E o pior, ele existiu, não é uma paródia...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você Já Ouviu Falar Em... FRANKIE & ALICE?

Halle Berry retorna com tudo e volta louca em seu novo trabalho. O trailer do filme cheira a produto bom, elogio e muitas premiações. Frankie & Alice conta a história de uma mulher que sofre de múltiplas personalidades, dentre elas a de uma criança e uma mulher branca racista. Ela na verdade luta para que esta outra mulher não acabe tomando o lugar do seu verdadeiro eu. A história, a interpretação e a data de lançamento do filme nos EUA (17 de dezembro) cheiram também a Oscar!!!! O filme, dirigido por Geoffrey Sax, não tem data de estréia no Brasil, mas não duvido que com as indicações devidas a produção não seja concorrida pelas distribuidoras aqui também. É esperar e ver uma das melhores atrizes da atualidade finalmente em um filme bom! Segue trailer abaixo:

sábado, 11 de dezembro de 2010

Crônicas do Mundo Negro: A Cor do Candomblé...

Colega minha de sala, conta a turma a história abaixo...
Estava ela indo a um seminário, em uma sexta-feira a noite. Chega atrasada e no mesmo momento em que entra no espaço onde esta sendo realizada as palestras, chega também uma outra mulher. Minha colega, uma senhora branca, vestida de branco, cabelos de igual cor e a outra mulher, negra também vestida de branco. Em um dos momentos do seminário o palestrante solta para a mulher negra a sua frente.
- A senhora, é mãe de santo... Para ele era evidente: negra, sexta-feira, vestindo branco, pimba! - mãe de santo.
- Não sou mãe de santo. Sou médica. Vim diretamente do trabalho. Corta a mulher olhando diretamente para ele.
O senhor, por sua vez, não se fazendo de rogado, olha para minha colega e afirma:
- E a senhora com certeza é medica... Disse ele sorrindo, já que na cabeça dele era óbvia sua afirmação.
- Não. Sou mãe de santo! Disse minha colega de sala, com sua pele branca e roupa branca dia de sexta-feira.
Perplexo, o senhor continua sua palestra, sem entender muito bem por que aquilo construido na sua cabeça não fazia mais sentido agora...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

APERTE O PLAY!!!! Willow Smith - Whip My Hair.

Há tempos não vejo um clip tão criativo. Eu já confessei por aqui que amo Willow Smith e essa música entrou na minha cabeça faz tempo. Willow tem um identidade e estilo próprios, mesmo no começo de carreira e tem tudo para aprimorar seu talento. Muito bom.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM... A NOITE QUE NOS DOMINA?

Estreou este fim de semana o elogiado filme - que ninguém sabe quando chega aqui oficialmente - A NOITE QUE NOS DOMINA da diretora Tanya Hamilton. O filme conta a história de Marcus (Anthony Mackie) que retorna para a sua vizinhança em Philadelphia, em 1976, anos depois de ter crescido por ali durante o movimento dos direitos civis. Enquanto acerta as contas com o passado, Marcus se vê acusado de planejar o assassinato de um Pantera Negra. Incrivelmente o filme chegou aqui na ultima Mostra de Cinema de São Paulo, falta agora estrear por aqui em circuito comercial. A película está também na lista dos filmes do Festival de Sundance nos EUA.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Homossexualidade Negra.. Revista Bagoas.

Bem, anos atrás, para ser mais exato em 2007, quando ainda estava na universidade, participei de um projeto do primeiro número de uma revista sobre sexualidades homossexuais, chamada Bagoas. Tive, junto com meu orientador, Ari Lima, um artigo aprovado, fruto de uma pesquisa em andamento sobre homossexualidade negra. Para mim foi uma ótima experiência até por que era o único graduando junto a tantos doutores e mestres na publicação. E os editores dessas revistas geralmente só colocam em suas publicações gente formada já. Estar na publicação, principalmente no número 1 foi para mim algo muito especial. Pesquisando sobre homossexualidade negra na nossa velha e boa Nossa Senhora do Google, mãe de todos os sem referencia, constatei - mais uma vez - que o assunto ainda não foi tocado e disponibilizado de uma maneira que preste. Pois então, segue abaixo o link da Revista Bagoas nº 1, com seus artigos sendo ele o 13º e o link com artigo Identidade Homossexual e Negra em Alagoinhas meu e do Prof Dr. Ari Lima. O artigo não pretende abarcar o tema de forma geral, até por que ele é vasto e verificado em uma cidade do interior da Bahia. Existem vários tipos de homossexualidade e a estudada em Alagoinhas é uma delas. A pesquisa virou monografia anos depois. Para quem acompanha o blog e se sentir interessado leia, conteste, reflita etc.

A revista: http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/edic01.html

O artigo: http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v01n01art13_limacerqueira.pdf